quarta-feira, 21 de junho de 2017

Pelo Rodrigo, pela Gina, pelo Miguel, a Ana...

Por todos aqueles  que morreram neste incêndio que teima em não nos dar descanso. Porque estas pessoas que perderam a vida de uma forma atroz merecem, mais do que o nosso respeito, que honremos as suas vidas, deixem-me que vos lembre de algumas coisas que todos nós fazemos e que tanto contribuem para que desgraças destas tomem estas proporções que nunca acreditamos possíveis.

E tenham, tenhamos em mente que as desgraças não acontecem só aos outros nem acontecem somente lá longe, no Portugal longínquo. Podem acontecer de muitas formas diferentes, em muitos lugares, e nós podemos ter parte activa em parte da prevenção de algumas delas.

Lembrem-se, por favor, do Ricardo, do António, da Bianca, da Fátima de cada vez que:

- pensarem em deitar uma beata ao chão;

- não quiserem guardar o lixo convosco para deitar no sítio certo;

- forem fazer um piquenique e se 'esquecerem' de detritos em matas ou florestas;

- não vos apetecer limpar aquele pedacinho de terreno (seja no campo ou na cidade) onde têm árvores e vegetação que vos/nos pode pôr em risco;

- virem ou pensarem em colocar carros em cima de passeios, em segunda fila, em espaço que pode fazer falta para passar uma ambulância ou um carro dos bombeiros;

- virem ou pensarem em colocar os vossos carros a trancar outros carros, porque a pessoa foi "só ali ao café. Eram 5 minutos";

- não vos apeteça ensinar aos vossos filhos a importância de tomar atenção a normas de segurança. E aos outros.

- acharem mais importante enviar uma mensagem, enquanto conduzem, do que a segurança na estrada;

- pegarem no carro sabendo que beberam demasiado álcool;

Lembremo-nos todos de que a vida é demasiado curta e que não está garantida. Que há acidentes e tragédias que não conseguimos prever, prevenir ou controlar, mas que há muitas que podemos. Que esta tragédia, estas mortes, estas perdas irreparáveis nos façam ser melhores pessoas. Porque nós somos os melhores a reagir - vejam a onda de solidariedade incrível que se gerou - mas somos péssimos a agir.

Que este horrível acontecimento sirva para nos pôr a pensar. A ser melhores cidadãos. Para bem de todos.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sim, é preconceito.

Há largas semanas fui buscar a miúda à creche. É coisa que faço pouco, uma vez que é o pai quem está por norma incumbido dessa tarefa, por ser ele quem usa o carro para ir trabalhar. Quando lá cheguei, toquei como sempre à campainha e uma das auxiliares abriu-me a porta. Enquanto me dirigia ao berçário, fui abordada por uma das educadoras da sala dos mais velhos. "Olhe desculpe, a senhora é quem?", disse-me com ar inquisidor. Sorri e respondi, educadamente, de quem era mãe e quem vinha buscar e continuei o caminho. "Sabe, é que nunca a vi por cá", disse num tom a roçar a crítica. Respirei fundo, virei-me novamente com um sorriso e disse: "é natural, geralmente é o pai quem a vem buscar". E antes que me conseguisse virar, ela reforça, de nariz empinado: "Pois, realmente...estava quase a pedir-lhe o Cartão do Cidadão, porque realmente como nunca a tinha visto cá...".

Pensei, em 5 segundos, se lhe respondia como ela merecia ou se deixava ficar assim mesmo. Esbocei outro sorriso e disse-lhe apenas que faria lindamente em pedir-me a identificação, que uma das razões pelas quais gostamos daquela creche é pelo cuidado que têm com a segurança das crianças. E fui-me embora, buscar a miúda que, vá lá, me reconheceu apesar de eu nunca a levar ou ir buscá-la. E a pensar no que fazer para conseguir compensar, em casa, esta cultura educacional completamente enviesada de que a mãe é que tem a obrigação de ir buscar os filhos.

Acham, sinceramente, que a conversa seria a mesma se fosse eu a ir buscá-la todos os dias e o João a ir buscá-la só de vez em quando? E depois ainda me querem obrigar a não acreditar que muitas vezes são as mulheres as suas piores inimigas na prossecução da igualdade de género.


sexta-feira, 9 de junho de 2017

Um ano!

A miúda fez um ano e isso deixou-me surpreendentemente sem palavras. Uma alegria imensa por termos (todos) sobrevivido a este ano. Uma preocupação imensa por ainda faltar uma vida inteira e eu não saber se estou à altura da responsabilidade. Uma surpresa diária para sabermos como gerir esta coisa de agora sermos três e não podermos descurar o facto de sermos dois, antes de mais. Portanto, vamos ouvindo Caetano em loop para mantermos isto bem presente:

"Existe alguém em nós
Em muito dentre nós esse alguém
Que brilha mais do que milhões de sóis"

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Voltou tudo ao mesmo

A redução de horário ainda não acabou e eu já não meto os pés no ginásio há dois meses. E já voltei a comer e a engordar. E já trabalho mais horas do que devia e durmo menos do que devia. E a agenda continua a encher-se de compromissos enquanto eu tento esticar as 24 horas do meu dia para terem 48 e mesmo assim a coisa não se dá.

Caramba!, de repente já preciso desesperadamente de férias e nem dei conta de aqui chegar. A maternidade é muito linda e faz-nos mudar em imensa coisa. Só podia era fazer com que as mudanças aguentassem mais um tempinho...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Nunca é tarde

Para descobrir que afinal gostamos de favas. Foram precisos mais de 30 anos e muitas refeições a saltar este prato para desenvolver todo um palato que agora me diz que aquilo é coisa boa, gente. Guisadas, cruas, you name it. Um fim-de-semana e de repente as favas entraram na minha vida...vá-se lá entender isto.
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