sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Nós

Eu e o D. conhecemo-nos há nove anos. Partilhámos os bancos da faculdade no primeiro ano, e ainda hoje nos rimos com a frase com iniciámos conversa:

És escuteiro?, perguntei eu a meio de uma aula de olhos postos na T-shirt dele, que dizia qualquer coisa como Acanac, ou Rover ou o que seja. Ele levantou o sobrolho (como ainda hoje faz) e disse sim, porquê?. Eu também, retorqui com um sorriso e voltei a encostar-me na cadeira.

O D. é o meu melhor amigo desde então. Durante esse ano andava a curar um desgosto de amor daqueles grandes. Ele não só soube como garantia que eu tomava os remédios à hora certa - quando somos adolescentes os amores doem tanto que parece que só 'drunfos' aplacam a dor. Tirava-me de casa para evitar que eu afundasse na depressão que se queria desenhar. Levava-me às festas. Fazíamos os trabalhos juntos.

No segundo ano, cada um seguiu para o seu lado na faculdade - éramos de cursos diferentes e tivemos a sorte de ir para uma faculdade onde o primeiro ano era comum aos quatro. Mas começámos a namorar. Não durou mais que dois meses (foram dois meses?), muito por minha responsabilidade. Ainda não tinha um coração disponível. Ainda não podia namorar com alguém pensando num outro alguém. Ficámos sem nos falar meses. Meses. E era terrível cruzar-mo-nos nos corredores e dizer 'olá' como se nos não conhecêssemos.

No terceiro ano fui para Erasmus. E o D. foi a pessoa mais presente, mesmo estando longe. Mandava cartas, presentes, falávamos horas no MSN. Na altura arranjei um namorado e ainda hoje me lembro de uma das primeiras frases que lhe disse: Não estás autorizado a ter ciúmes do D. Ele é o meu melhor amigo. Live with it.

No último ano do nosso curso, organizámos o nosso baile de finalistas. Uma festa de gala, que exigiu traje a rigor e que nos fez passar tanto tempo juntos. Na varanda, à luz das estrelas, falámos um com o outro, olhámo-nos com o sorriso de quem gosta mais do que devia mas havia algo que não nos saía da cabeça. Os nossos namorados estão lá dentro. Let's focus.

Ainda nos voltámos a envolver uns meses depois, e, por minha culpa, voltámos a terminar. Nos quatro anos seguintes éramos presença assídua nos aniversários um do outro, havia sempre mensagens de Natal e de Páscoa, mas mais nada. Afastámo-nos. Fingimos que o outro não existia e seguíamos com a nossa vida. Tivemos as nossas relações, os nossos desamores, a nossa vida. Crescemos. Mudámos. E voltámos a aproximar-nos. E sei perfeitamente que eram quase 20h de uma noite fria quando parei, ao lado da querida C., a caminho da Ópera, e disse: Crap, ele é o homem da minha vida. C., ele é o homem da minha vida!!!

E lembro-me do medo que tive de o ter perdido para sempre. Da angústia de poder ter descoberto tarde de mais. Do pânico de ter deixado passar tanto tempo, de ter feito tantas escolhas erradas. Ela sorriu com o seu sorriso de sempre e disse: Go for it, then. Mas lembra-te de que nós merecemos nada menos um homem que sabe o que quer. E que saiba que nos quer a nós. 

E hoje,  aqui sentada sem ele há uma semana, estou ainda a tentar perceber como raio é que eu achei que seria possível viver sem ele. Não é. O D. é único. E eu, claramente, nunca podia viver sem ele. Porque só quando nos voltámos a encontrar a minha vida voltou a fazer sentido. E isso diz tanto. Diz tudo.




quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As ferias

Estão a ser boas, sim senhora. Mas já me faz falta a companhia do D. Que isto de se começar a construir uma família tem esta coisa boa: a de sempre não perde importância, mas já não preenche o espaço todo.

[Ráspartam o rapaz que só pôde tirar uma semana de ferias].

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Perguntas

Fiz-lhe uma proposta, hoje:

Vamos voltar para o CNE?

A resposta foi muito conclusiva:

Hmmmm...

Temos os dois a vontade e o medo. Resta saber se também temos a coragem de nos aventurarmos a viver, agora juntos, algo que nos diz tanto num passado que vivemos separados.

Mas well, agora é para sempre, mesmo... =)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Avenida Brasil #1

O meu mais recente vício, Avenida Brasil [e chamem-me pirosa, foleira, fútil, whatever, por ver e adorar novelas da Globo] faz-me ter a certeza de uma coisa:

Não importa em que zona do globo estejam, os homens são, invariavelmente, estupidamente passíveis de ser manipulados pelas mulheres. God!

Do casório #1


 Já temos Padre. E Igreja. E costureira, e planos. Tantos planos. E o mais divertido de tudo têm sido as últimas noites, em serões mãe e filha, a pensar no dia. Nos pormenores. Na renda que deverá dar para tirar do vestido da mãe e passar para o meu. Nas pessoas que vão aceitar o convite de caras, nas que de certeza não vão, e nas formas de melhor gerir um dia que se quer feliz.

E está a ser tão bom. Tão bom.

Até porque isto vai continuar. Daqui a uns dias, entre nós os dois. Os planos. Os convidados. As cores. Que ainda falta tanto tempo mas vai passar num instante e queremos tanto que tudo corra bem.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Telephones&Love

Os telemóveis trouxeram um problema acrescido às relações do século XXI. Para além do típico 'onde estás'  que substituiu o 'como estás'?, os telefones são, em grande parte dos casais, fonte de discórdia quase diária. Porque há um hábito - que eu ainda não percebi nem me faz sentido - de se achar que quando se tem uma relação com uma pessoa se tem, também, uma relação com o seu telemóvel.

Ora um telemóvel é algo pessoal. Eu diria até que bastante pessoal. É nele que recebemos as sms dos nossos amigos (tantas vezes confidenciais), de pessoas de trabalho, da nossa família. Os telemóveis hoje são praticamente a nossa caixa do correio [até porque metade de nós já usa smartphones, portanto para além dos sms há os emails, os Facebooks, os Twitters desta vida...]. E como tal, eu não gosto que vasculhem a minha caixa do correio. Se me importo que o D. use o meu telefone? Não. Se prefiro que ele me avise? Sim. Mas também prefiro que ele me peça para ler um livro meu ou para entrar no quarto se a porta está fechada.

Se eu uso o telefone dele? Sim. Se lhe peço? Geralmente sim. Se aproveito para vasculhar mensagens, emails e vida afins? Não. Porquê? Por várias razões:

1. Não tenho nada a ver com isso. Um telefone é pessoal e quem para ele envia mensagens acredita nisso mesmo, portanto, não estão à espera que outra pessoa que não ele tenha acesso a essa informação;

 2. Invasão de privacidade: não se abre o correio, não se vasculha a mala, não se vê o telefone. Não se atendem chamadas. Não se vêem sms a menos que seja a pedido. Eu sou noiva dele, não sou ele.

3. Informação descontextualizada dá sempre asneira. Toda a gente tem uma amiga ou um amigo que nos manda uma sms mais melosa que não tem mal nenhum. Mas se andamos com cócegas na cabeça, é o suficiente para asneiras e dar início ao episódio mais ridículo da relação. Quero lá saber se a melhor amiga lhe chama 'amor', 'bebe' ou 'paixão'. Não me incomoda, mas se eu andar aborrecida, se calhar vai aborrecer. E dar asneira.

4. Toda a gente tem um passado. E nem sempre as sms desse passado são apagadas. E as razões nem sequer importam. Já vi muito boa gente começar uma discussão com um mas tu ainda tens sms dele/a [o ex] no telemóvel. So what? A mim o passado também aborrece, mas não andar à procura dele é ao primeiro passo para não ter que lidar com ele.

Portanto sim, acredito piamente que os casais que adoram bancar o casal bacana-que-partilha-telemóveis vai acabar por se chatear mais do que beneficiar com essa decisão. Mas isso sou eu. Uma individualista inveterada que acredita que 1+1=2, mas continuando a ser 1+1.

[e agora vou ali de férias com o noivo. e com os nossos telefones todos :) ]

domingo, 19 de agosto de 2012

Da condição humana #1

Se há coisa que o ser humano sabe ser, é incoerente. Porque a coerência dá jeito somente quando encaixa nos interesses do momento, ou de repente, decorrente de um "aprofundado pensamento sobre a temática", a opinião muda e agora já pensamos e dizemos de outra forma.
Um dos desafios pessoais que tenho e que tento encarar de frente todos os dias é justamente o ser coerente. Mas decorrente da minha condição humana, hoje não o consegui ser. Não é grave e explico porquê.
Hoje avariou-se a box da sala. Toca de telefonar para o suporte técnico, às 11 da noite, esperando que alguém possa vir cá amanhã. Ao que parece, os piquetes estão tão atarefados aqui na zona que só das nove da noite para a frente, quando já estarei - com a minha noiva! - a arejar por esse portugal fora, longe de casa. Isso quer dizer que não poderemos preparar tudo ao som de uma série de eleição, ver um canalzinho de televisão que seja e, pior de tudo, as gravações que estavam por ver vão todas pelo cano digital abaixo.
Sendo consumidor em tantos outros momentos, em que tenho e devo ser exigente com o que me é servido - ainda ao almoço estive meia hora com os senhores dos restaurante, após a refeição, para conseguir uma fatura - e empresário noutros tantos - em que tento por tudo satisfazer quem nos procura e certificar-me que um cliente exigente fica contente com o que recebe - julgaria que seria este outro destes momentos, em que a exigência da mensalidade que me é feita devia ser contraplacada neste noite com a exigência de resolução mais rápida deste problema de século XXI.
Mas não foi. Ouvindo a voz simpática e profissional do outro lado da linha, em que desculpando me dizia que só depois de chegar ao meu destino de férias é que chegaria alguém à minha porta, me conformei e disse que gostaria simplesmente de ser contactado durante o dia de amanhã para, num rasgo de sorte, alguém poder vir cá durante o dia.

Acho simplesmente que não me quis chatear numa coisa que merecia chatice pelo transtorno causado mas também pela exigência que deve ser feita a qualquer serviço que se intitula de qualidade. Mas não fui exigente. E lá se vai a minha coerência...

Férias!!!

At last!!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Facebook things #2

A Poisened Apple, hoje, escreveu um post que podia ter sido escrito por mim. E de repente desatei a rir sozinha, porque me lembrei da nossa mais recente picardia.
Eu não faço questão [nenhuma] de ter 'numa relação' ou 'noiva' no Facebook. Acho totalmente dispensável e até despropositado. Acho que aquilo nem devia existir que aquilo não é um site de encontrar. Mas enfim. Para ele é totalmente indiferente. E como tal, agora, sempre que eu amuo, ele ameaça: Olha que vou pôr que estou noivo no Facebook.

Perdoem-me os aficionados da rede social. Eu cá acho a minha vida bem real sem ter que a publicar lá ;)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Rio, Rio, Riooooo


Foco: ir ao RJ para o ano retribuir tudo o que me tem chegado a casa e ao coração!*

Desamores #1

Vais viver um ano para fora? A tua relação não sobrevive a isso, disse-me um dia a R., numa noite em que nos encontrámos por acaso, bem antes de eu ir zarpar por esse Oceano fora.

Namoras com um tipo 10 anos mais novo que tu? Uiui, pensei eu sem abrir a boca. E deixei-a continuar: ele é tudo o que eu quero, espero e desejo de um homem. É ótimo, giríssimo,vamos para uma casa fabulosa e trabalhamos juntos.

Calei-me segui a minha vida. Ela mudou o nome, publicou a vida em álbuns no FaceBook, espalhou aos quatro ventos que era para sempre, que nunca mais se iriam separar, que era uma princesa. Acabou tudo há uns meses: Nunca se deve dizer que se ama para sempre, escreveu no seu próprio mural tendo recebido milhões de 'likes' em apenas três minutos.

Ela tinha razão. A minha relação não sobreviveu. Não pelo ano que estive fora mas porque não fazia sentido. A dela também não. Mas ao contrário da R., eu acho que se deve dizer que se ama para sempre. Acho que essa é a grande diferença entre nós. Eu aprendi a amar. Ela esqueceu-se de que isso era o mais importante para uma relação funcionar.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Taberna da Rua das Flores

Pois que foi uma boa surpresa. Depois de várias tentativas falhadas [thank God], liguei para a Taberna da Rua das Flores para confirmar que estava aberto e lá fomos nós. Chegámos às 20h45 e obviamente não havia mesa. Como estávamos em ritmo de passeio, sentámo-nos nas escadinhas, lá dentro, e esperámos, entre imperiais, limonadas e copos de vinho.

O tempo de espera era de meia hora [não aceitam reservas], foi de 1h45. E podia ter sido dramático, não fosse o fato de os senhores - amorosos, eficientes e muito simpáticos - nos terem servido petiscos vários enquanto esperávamos: pão, azeitonas, pataniscas de bacalhau (das melhores que já comi, e eu nem sou grande fã)...


Sentámo-nos à mesa e olhámos para a ardósia que todos os dias muda de ementa. Pedimos gaspacho, uma tábua de queijos (divinal), uns ovos com farinheira (de estouro) e uma tábua de tomates exóticos (bem original). Tudo acompanhado com muitos copos de vinho e muitos cestos de pão. No final só houve espaço para o café. E para nos surpreendermos com a conta, que foi absolutamente baixa para tudo o que se comeu naquela mesa.

Isto tudo para dizer que foi uma escolha acertada. Acertadíssima. O espaço é giríssimo, os funcionários são simpáticos, o serviço é bom e a comida melhor ainda. Mega aprovado. Por nós e pelas amigas do outro lado do Atlântico. É para voltar. Sem dúvida!


Taberna da Rua das Flores
Rua  das Flores, 103
Tel: 213479418

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Luxos de 1.º mundo

Duas amigas que querem comer petiscos. Dezenas de telefonemas em meio de milhares de caracteres. Lisboa deve estar meio aparvalhada para ter os restaurantes fechados em Agosto. E não me venham com a história de que "em Lisboa a maioria dos restaurantes fecha à segunda-feira" porque estes estão praticamente todos fechados para 'Férias'? Oi? Num país em crise, numa cidade cheia de turistas, damo-nos ao luxo de fechar para 'férias'? A sério?

Enfim. Depois de muito pensado, o spot está escolhido. A ver se é tão bom quanto dizem.


Verde&Amarelo

A G. voltou. Com o sorriso rasgado, a alegria inesgotável e o carinho de sempre. E passou mais de meia hora a retirar coisas da mala, qual Pai Natal fora de estação. E os meus olhos, que piscavam incrédulos a tanta coisa que não parava de aparecer, estacaram quietos, a duas visões:

As novas Melissa Incense II. Lindas, lindas, lindas.


Vernizes (esmaltes) novos. Cores novas. Vou revelando a pouco e pouco ;)

E acima de tudo, a alegria. A companhia. O regresso. Que ter amigos é isto: é tê-los a atravessar um Oceano, quase um ano depois, e parecer que nada mudou. <3

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Da semana

Esá a ser uma semana cheia de emoções. Depois de saber que sou noiva (que emoçãããão), e enquanto tento resistir aos dias que ainda faltam até chegarem as férias, os programas vão-se diversificando. A praia que antecedeu o anel - e me retemperou forças -  pic-nic com os colegas de trabalho a ver se não enlouquecemos quando somos menos de metade a trabalhar; depois há as fotos de saquinhos a antecipar presentes dos bons; e ainda as amigas histéricas com a notícia; os piropos e todas as coisas boas que antecipam uma mudança de vida.


Só faltam seis. dias. Está tudo bem!

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Opostos

Se há ditado que me parece parvo é o clássico 'os opostos atraem-se', utilizado para justificar tudo o que são relações parvas à partida.

Atraem-se? Sim. Resultam? Raramente. Porquê? Oras, pelo óbvio.

É muito divertido estar com alguém que nos é diametralmente oposto porque puxa por nós. Faz-nos quebrar barreiras, preconceitos, faz-nos ser diferentes, ver a vida de um modo diferente. Mas na maior parte dos casos, é coisa que não se aguenta para a vida. Porque ninguém muda de um dia para o outro - e ninguém tem o poder de mudar o outro, de uma forma profunda e sincera.

Estar com alguém que é o nosso oposto é ir apagando pequenos pedaços de nós sem que nos demos conta, todos os dias. As relações são feitas de cedências, mas não de mudanças de personalidade. Eu não acredito, por exemplo, que alguém que adora sair à noite, ir a festas todas as semanas e estar sempre rodeado de pessoas, consiga passar a vida com alguém que prefere estar em casa, ter o seu espaço, e gostar de programas a dois. Durante um tempo aguenta-se, depois começa a ser incómodo, com o tempo passa a ser insuportável. As ausências já incomodam, as festas já não divertem e os amigos já saturam.

Portanto sou uma céptica. Em relação a opostos. Que o amor é coisa para ser feita de encontros. E os opostos não se encontram. Acabarão a repelir-se mais ainda que os polos iguais. Por uma razão simples: são opostos.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Das [não tão] boas noites #2

Ontem o S. fez anos. E lá fomos nós jantar com a malta toda, que o S. é daqueles amigos a cujo aniversário não se pode faltar, mesmo sabendo que a probabilidade de a escolha do restaurante ser péssima é enorme. Mas ele desta vez optou pela Portugália (um clássico), ali em Belém (perto e agradável para o Verão) e com um menu já escolhido (não tão caro) o que nos deixou mais animados.

Depois de trinta mil abraços e parabéns - afinal ele fez anos mas nós é que passámos a ser noivos - sentámo-nos a uma mesa onde faltavam lugares [porque ele esqueceu-se de que havia convidados com filhos] e lá nos apertámos. Eram 20h30. Às 21h50, depois de termos esvaziado os cestos de pão, os pratos de queijo e os pacotes de manteiga, ainda não havia sinal da comida. Zero. Bolinha.

Ele levantou-se e usou todo o seu impecável vocabulário para colocar cozinha e empregados na ordem. Os pratos chegaram 3 minutos depois. Com os bifes mal passados - por mim tudo bem que é assim que gosto deles - as batatas fritas requentadas e metade da mesa já sem fome tal era o adiantado da hora.

Anyway!, depois de os empregados se desfazerem em desculpas - sei lá eu porquê uma vez que me pareceu ver uns cinco senhores a servir 300 mesas, e acho incrível como ainda se aguentavam de pé no final da noite - o jantar ficou-nos pela módica quantia de 20 euros. Que não é muito, é certo. Mas quando eu pago 20€ por um jantar, exijo, no mínimo:

1. Um bom serviço (leia-se rápido, eficaz e competente);
2. Boa comida (e não batatas requentadas e bifes mal passados);

Não tive nem uma coisa nem outra. E confirmei aquilo de que já desconfiava: 85 anos depois a Portugália desleixou-se. Acha que já não precisa de ser boa para ter clientes. Pois enganam-se, senhores. Que por mim, não entra lá nem mais um.

Tenho dito.

PS: O jantar foi ótimo na mesma que há companhias que pagam tudo. Parabéns, S. Mas para o ano, como já calculávamos, não te deixamos escolher o restaurante :D

sábado, 4 de agosto de 2012

Amigos

Há uma coisa que eu nunca fui e tento nunca ser: uma amiga daquelas que diz somente o que os amigos querem ouvir. Os amigos, lamento informar, não são para isso. Para isso serve todo o resto do mundo que está a borrifar-se para nós.

Os amigos são, acima de tudo, para nos orientar. Para nos guiar pelos caminhos certos. Há uns quatro anos uma das minhas grandes amigas ficou sem me falar mais de um ano. Eu tinha-lhe dito que a relação em que ela estava ia dar cabo dela e que o namorado na verdade não passava de um pulha. Foi chato de ouvir e de dizer, mas eu não a ia deixar afundar-se sem pelo menos tentar impedi-la. Um ano depois -já a relação, como se previa, tinha terminado e da pior maneira - ela voltou a procurar-me. A dar-me razão. A dizer que pelo menos alguém lhe tinha dito algo e não tinha assobiado para o lado a fingir que concordava com tudo.

Eu não percebo amigos que não falam das relações uns dos outros. As minhas amigas fizeram-me (ajudaram-me a) terminar uma longa relação que me estava a fazer mal. Bastante Confrontaram-me com coisas que só eu não via de tão acomodada/insegura/habituada que estava. Estiveram lá a ser cruéis e a magoar, as vezes, com palavras duras. Hoje não podia estar-lhes mais gratas.

Elas sabiam em que tipo de pessoa me estava a tornar, e que não me quereriam - nem me teriam - assim nas suas vidas. Sabiam que eu iria desaparecer e ser infeliz. E sentiram-se no dever de mo dizer. As vezes penso - e tenho quase a certeza de - que se não fossem elas não me teria (re)encontrado com o Amor (assim mesmo, em maiúsculas) e teria deixado fugir aquela que é a minha pessoa.

E por isso custa-me quando vejo pessoas a fazer opções de que ninguém gosta, que ninguém acha acertadas, mas que ninguém contesta. Ninguém fala. Ninguém tenta, pelo menos. Devemos isso uns aos outros, os Amigos. Devemos a verdade, o cuidado, a crítica. Às vezes até parece que saímos a perder, mas houve duas lições que a vida me ensinou que relativizam as dificuldades:

1. Os verdadeiros amigos voltam sempre e são presentes em toda a nossa vida;
2. A nossa serenidade vem com a verdade. Custe ela quanto custar.

Custa-me ver assobiar para o lado quando tanto podia ter sido feito. Tentado. Porque se assobiamos para o lado e temos o azar de o tempo nos mostrar que a nossa sensação estava certa, garanto que vai chegar o dia em que vão ter um amigo a perguntar: "Porque é que não me avisaste?"

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Chuva de Prata

É flor teu cheiro, teu nome,
tua pele de pétala branca,
olhos verdes, cor de caule,
quando neles bate o sol.

O cabelo cor de pólen
prende homens e abelhas
se não se prenderam já
nas unhas cheias de cor.

Pois é assim que me sinto,
prendido, agarrado a ti
Florido tanto, feliz.






Das boas noites

Não somos muito de jantar fora a dois. Gostamos de estar os dois, mas vivemos bem com jantares caseiros e noites de conversa. Parece-nos, algumas vezes, um bocado parvo o dinheiro que se gasta a jantar fora, sobretudo quando temos tanto jantares de amigos que a isso nos obrigam.

Mas esta semana, num dia em que estávamos particularmente cansados, decidimos tirar a noite para nós. E  o lugar foi totalmente escolhido ao acaso, num daqueles momentos de olha ali aquele lugar. Parece giro. E era. Não só giro como bom. E não só giro e bom como barato (ou não estupidamente caro).

Chama-se Café do Rio, e é uma hamburgueria gourmet - da mesma empresa fazem também parta pizzaria e serviços de catering  gourmet. A carne de vaca é 100% biológica, e há opções para vegetarianos e até hamburgueres de peixe.

São, possivelmente, dos melhores hamburgueres que já comi em Lisboa, e com a grande vantagem de não precisar de estar enfiada num centro comercial. O Café do Rio - Hamburgueria fica na Rua da Alfândega, 114.

Eu comi um Hambuguer Mediterrânico

Ele comeu um New York.
As batatas estavam simplesmente divinais, mas dispenso o chá gelado da casa. É bom, mas deveria ter mais quantidade (a sugestão já foi deixada, seja como for ;)

As sobremesas também são agradáveis, sobretudo a panacota. Anyway, a ir, vão pelos hamburgueres. E pelo serviço, que é bastante agradável.


Depois foi tempo de voltar a casa, lançando olhares sobre o rio, numa daquelas noites de Verão de que temos tantas saudades. É tão fácil ter boas noites com tão pouco.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Cenas que me transcendem

Em Agosto, toda a gente está cansada. É normal. A maior parte de nós não teve férias durante os passados oito meses, há montes de gente de férias pelo que o trabalho aumenta...enfim. Normal.
 No entanto, se eu digo a alguém "estou cansada. A ver se me aguento sem cair para o lado até às férias",  a resposta imediata é : "és uma drama queen".

 E é isto. Eu não posso estar cansada. Shame on me.
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