domingo, 17 de março de 2013

Disparate!

Não, nunca me vou libertar de ti. Porqu a vida não é assim, preto e branco. Preso e libertado. Mas percebo o teu aperto no coração. Entendo que te apreça que estou a voar para não mais voltar, desta vez. Mas nao é assim, nunca foi. Tu foste sempre um dos que mais prendeu por, precisamente, o não fazeres. Sempre me ensinaste a abrir as asas e a ir mais longe. Quando achei que precisava de aprender bem o francês fizeste das tripas coração para me mandar em Erasmus para a cidade que escolhi.

Quando, anos mais tarde, me encontrei triste com o que fazia - lembro-me perfeitamente de ti, sentado no teu canto do sofá, sem dramas - foste o primeiro a dizer que devia ir. Que vocês morreriam de saudades, mas que era óbvio que essa era a decisão a tomar.

Depois amparaste-me as quedas [literais], esperaste, viajaste também tu para outros continentes...eu voltei, tu voltaste, discutimos política, aborrecemos a mãe, rimo-nos, zangámo-nos, combinámos presentes às escondidas e almoçámos quando passavas por cá e tinhas tempo. E voltaste a ir. Porque é assim a vida: idas e vindas, despedidas e regressos, discussões e disparates.

E eu nunca me vou libertar de ti. Eu sou tua filha, e isso significa que não importa quantas voltas eu dê, nunca estaremos separados. Ninguém nos vai separar, porque o que nós temos é mais forte que o mundo. Deves achar que te vês livre de mim assim tão facilmente.. =)

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