sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Como uma flor..."*



 [imagem retirada da internet]

Eu não sou amiga de metades. Nunca fui por uma razão muito simples: não o sei ser. Confesso que não percebo as pessoas que só estão disponíveis às vezes, que não têm tempo - e eu por norma tenho pouco - que nunca podem, a quem as semanas não chegam. Não percebo porque sempre me ensinaram que, quando se quer, se tem tempo para tudo. Para todos, sobretudo.

Claro que há alturas malditas: que o trabalho não pára de chegar, que há mil coisas marcadas na agenda, que os dias não chegam para tudo. Mas depois desses dias, eu sou do género de trocar o sofá pelos lanches, os jantares, os pequenos-almoços com os amigos. Porque a minha vida é feita de pessoas e não de sofás.

Ah, mas descansar é preciso. Verdade. Aliás, ontem à noite já me estava a queixar do fim-de-semana que aí vem, cheio de compromissos e de tarefas que já não podem esperar mais - parecendo que não estive três semanas 'fora do ativo', e a agenda ressente-se. Sim, descansar é preciso. Mas sinto que há quem chame de descanso à preguiça e é isso que me aborrece.

A amizade dá trabalho. Como tudo na vida, dá trabalho. Às vezes cansa. Muito. Mas quando precisamos de alguém que nos ralhe, que nos conforte, que nos ajude a pensar, que nos abrace, que nos sorria, que nos ouça, que nos obrigue a parar, quem o faz não é o sofá. São os amigos. E eu não me sinto no direito de pedir se não der.

E por isso custa-me ver que há a quem custe tanto enviar um SMS. Responder a um mail. Arranjar tempo para um almoço. Escrever três linhas no Skype, no Facebook. Fazer uma chamada de um minuto. Para dizer olá. Para dar um beijinho. Para saber se a pessoa está viva. Somente. Ou para dizer: não tenho tido tempo para combinar nada. Desculpa. Gosto muito de ti.

E é por ver pessoas assim à minha volta que gosto cada vez mais das minhas pessoas. Que se preocupam. Que perguntam. Que estão disponíveis [até para me tratar do gato quando estou fora]. Que arranjam tempo mesmo quando ele teima em fugir. Que se importam, não importa quantos mil quilómetros nos separem.

*"...tem que ser regada todos os dias"

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