quinta-feira, 23 de maio de 2013

Genial

Eu sou uma otimista por natureza. Há mesmo muitas pessoas que me não suportam porque eu tento, realmente, ver sempre o copo meio cheio de uma história. Claro que tenho os meus momentos, claro que às vezes acho que a minha vida vai ser sempre miserável, claro que tenho dias em que me apetece atirar tudo aos pardais e ir mudar-me para a casa [agora vazia] que os meus pais têm no campo, cortando nas despesas, e sendo feliz a trabalhar sabe-lá-Deus-a-fazer o quê.

SP, 12.03.2009

Mas hoje dei conta de que sou uma otimista por natureza porque tenho pessoas à minha volta que só espalham inspiração e otimismo. Eu sei que já falei do Hugo aqui umas quarenta e sete mil vezes - se não quiserem ouvir mais uma, é a altura de fecharem a janela. Mas é que hoje fui ouvir uma palestra do Hugo - um dos elementos da dupla criativa que criou o anúncio mais visto de sempre - e não posso deixar de falar do assunto.

O Hugo é um rapaz de pouco mais de trinta anos, de sorriso aberto e com um brilho nos olhos que só tem quem faz aquilo de que gosta. É publicitário, é genial e tem, sozinho, mais boa disposição que cinco portugueses juntos. O Hugo trabalha que se farta, tem ideias que se farta, como ele diz de si próprio, é "como o Isaías. Remato sempre que posso. Nove em cada dez vezes não se marca golo, mas quando se marca, pode ser um golaço".

O que o Hugo tem de sucesso compara, em diametral oposição, com o que tem de humildade. Acha sempre que as campanhas [muitas delas premiadas] foram "uma boa", mas encostar-se à sombra delas é coisa que não lhe passa pela cabeça. O Hugo fala como se ainda estivesse a provar ao mundo quanto vale, é a verdade é que ele não tem noção da forma como marca as pessoas por quem passa.

Hoje, na palestra que aconteceu numa sala da nossa antiga faculdade, parte dos lugares encheram-se de ex-alunos. Que o conheciam, que já tinham ouvido falar dele, que decidiram gastar o seu tempo ali. Porque com o Hugo aprende-se sempre alguma coisa, mais que não seja a lutar por aquilo que se quer muito. A cair e levantar até se chegar a um sítio. Aprende-se a sorrir e a tentar novamente. Aprende-se que ser mais e melhor só parte de cada um de nós e não do mundo em redor.

A vida do Hugo, que devia ser contada a todos os portugueses, é uma vida cheia de exemplo. E eu saí daquela sala, abraço dado, de coração apertado por não chegar nem aos pés daquele rapaz, meu amigo de há já uns anos, que a cada conversa me ensina que a  vida pode ser aquilo que nós fizermos dela. Que não depende 100% de nós, mas que depende uns 99%...

2 comentários:

  1. Já vi esse anúncio muitas vezes e não fazia ideia que tinha um português na sua origem. Obrigado!

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  2. até me custa menos ter sido praxada por ele :) orgulho neste português muito trabalhador e genial.

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