segunda-feira, 17 de junho de 2013

Amour, amour, amour

Não sei. Não por que é que as pessoas teimam em insistir em relações nas quais nem elas próprias acreditam. Não sei por que se casam quando sabem, tantas vezes, que o que sentem, não é amor. Por que é que vais casar com ele? 'Porque passámos por muita coisa juntos. Porque sobrevivemos a todas as dificuldades. Porque crescemos juntos. Porque gostamos um do outro'...

Isso não é amor, pessoas. Isso é hábito. É, no máximo, trabalho de equipa!

Quando casamos - ou nos juntamos, whatever - com alguém, não o podemos fazer de ânimo leve. Não é como partilhar a casa com colegas de faculdade. Porque vamos, literalmente, viver com aquela pessoa para o resto da vida. É isso que se quer. Não queremos um colega de equipa. Não queremos um colega de casa. Não há lugares a jantares no quarto para não olhar para a cara do outro. Não nos escondemos nos headphones quando não queremos conversar. Não há uma escala das tarefas domésticas no frigorífico.

Quando decidimos partilhar a vida com alguém, queremos que essa pessoanos acolha as lágrimas, que nos encoraje nos desafios, que queira partilhar connosco que tropeçou na rua mesmo que isso nos interesse tanto quando aprender a fazer ponto-cruz.

Quando decidimos casar com uma pessoa, temos que ter a certeza de que até nos maus momentos aquela é a metade que queremos connosco. Que ainda que tenhamos vontade de a atirar da janela porque tivemos uma discussão, na verdade não escolheríamos mais ninguém para partilhar a casa, para partilhar a vida. Quando casamos deixamos de lado os egos, os orgulhos, o querer ser mais e melhor que o outro. Deixamos de fora a ideia de que passámos muita coisa juntos. Até podem não ter passado nada. O que importa é o que aí vem. O que importa é que não pode haver uma noite em ele foi sair sem mim e chegou de madrugada e não me disse onde estava, MAS até é querido e fez o almoço. O que importa é que um casamento é muito mais que uma parceria, que um trabalho em equipa, que uma vivência em comum. É uma vida.

Quando decidimos casar com alguém, queremos que esse  alguém que respeite o nosso silêncio, que nos acolha os medos e ansiedades e que nos ajude a pensar em soluções. Queremos alguém que nos diga a verdade acima de tudo, que dê a vida por nós, que nos queira como somos. Alguém que aprenda - e nos obrigue - a fazer cedências e a encará-las como algo natural e não como um sacrifício constante. Que desperte o melhor que há em nós e não que nos angustie com as incertezas de uma relação que não é firmada nos valores mais sérios e importantes de todos: o amor, a verdade e o companheirismo.

Por isso, quando me perguntas porque tanta gente casa com pessoas de quem não gosta de verdade, eu só tenho uma resposta que me parece 'lógica': porque não gostam delas próprias.E preferem uma vida de mentira a uma vida a sós.

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