segunda-feira, 17 de junho de 2013

Do dinheiro [dos outros]

26 de Abril 2013
Eu não pergunto às pessoas quanto elas ganham. Muito sinceramente, porque não quero saber. E depois, porque odeio que o façam. Não creio, sequer, que seja um assunto de foro público, pelo que também não entendo as pessoas que discutem os seus salários à mesa de café. Eu discuto o meu salário com os meus chefes e com o João, agora. Antes fazia isso somente com os meus pais ou as minhas irmãs - ou claro, com um amigo muito especial e ainda assim só em certas situações. Porque é um assunto privado.

E tal como me faz confusão que as pessoas me perguntem quanto ganho, porque é questão que não coloco a ninguém, a menos que esteja a ter uma conversa que precise dessa informação para continuar..o que é raro, como podem imaginar. E por que é que acho desnecessário - e indelicado, na verdade - falar sobre os salários de cada um? Porque as pessoas tiram ilações imediatamente e sem se darem conta. Como é que com aquele salário têm aquela casa? Como é que com aquele salário compra aquilo? Como é que com aquele salário faz aquelas viagens? E por  aí vai. E eu acho que isso não é assunto que as outras pessoas tenham que discutir. Para mim, falar sobre quanto ganhamos ou não é praticamente o mesmo que discutir a roupa interior que temos na gaveta. Ou seja, é um assunto para falar com as pessoas que nos são íntimas. Ponto.

E incomoda-me esta necessidade das pessoas de saberem quanto é que os outros ganham. Como se a sua vida ou se os seus salários dependessem disso. Como se o dinheiro dos outros fosse da sua conta. É como se houvesse uma satisfação sinistra quando a pessoa ganha menos do que estavam a pensar ou uma inveja mordaz quando a pessoa diz ganhar mais do que seria suposto. É a sensação que tenho. Verdadeiramente.

Portanto, não. Não entendo e não concebo conversas casuais sobre salários. Nem as acho normais.

[tal como não acho normal haver pessoas estarem constantemente a queixar-se com falta de dinheiro e depois gastarem balúrdios em almoços e jantares fora e concertos e coisas que tais. Não que tenha alguma coisa a ver com o que elas gastam. Não quero é ouvir queixumes e ver ações contraditórias. Mas isso é coisa para outro texto]






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