quarta-feira, 12 de junho de 2013

dos irmãos

"O que era aquele cabelo??", disse-lhe eu. "E tu?  Cara gorda!", ouvi em resposta. A conversa podia ser com um irmão meu, tivesse eu irmãos. Mas não tenho. Lá em casa são só manas. Não tenho, de sangue, mas a ter algum, claramente seria ele. O Rodolfo tem sido mais do que um irmão nestas lides, que vão muito para além da música, que nos juntou. Há uns dez anos [será?] ele perguntou-me se eu teria colírio para os olhos - lembras-te? Estávamos ao pé da mesa de som, em pleno festival. E a partir daí, a minha vida nunca mais foi a mesma...Foste meu companheiro de aventuras e desventuras, fomos a festivais da canção gritar pelos Homens da Luta (NOT!) e cantaste, tão bem, no meu casamento...=)



De festival em festival, fomos crescendo, fomo-nos conhecendo e em 2006 decidimos tentar a nossa sorte juntos. Até aí concorríamos em grupos diferentes e fazíamos conversa de circunstância. Há sete anos o Rodolfo sugeriu que nos juntássemos e lá fomos nós. Eu não consigo musicar isto, dizia ele. Anda lá, não sejas mariquinhas, respondia eu. As noites de gargalhada, de pão quente da tia A., os jantares cheios de conversa idiota e os ensaios, cada vez mais espaçados e menos numerosos faziam a alegria daqueles dias que antecediam a mega festa.

Temos que ensaiar mais uma veeeez, gritava ele.
NÃO TENHO TEMPOOOOO!

Telefonemas, mensagens, gritos, gargalhadas - muitas! - desavenças..em sete anos tivemos de tudo, como têm os irmãos. Quando eu estava no Brasil e ele em Paris assistimos ao Festival da Eurovisão juntos, e comentámo-lo via Skype [quem mais o faria?]. Fizemos músicas à distância de um Oceano, e outras vezes simplesmente à distância de um piano. A cada canção que construíamos juntos, as dúvidas repetiam-se: não resulta. está igual à anterior. falta-lhe alguma coisa. Mas lá, em palco, todas elas brilhavam. Ainda hoje não sei bem porquê, mas é possível que a resposta esteja na frase que mais dizemos um ao outro: Gosto tanto de cantar contigo.

A loucura que partilhamos fez-nos encarnar James Dean, Marilyn Monroe, Beatriz Costa, António Silva, Aladino, Jasmine... só tu passarias três meses seguidos a aprender canções, a ensaiar até à exaustão, a tentar acertar passos de dança e a escolher o guarda-roupa para uma noite. E só contigo é que eu o faria, por saber que a tua boa disposição me dá coragem para continuar. E porque, realmente, gosto de cantar, de partilhar um palco contigo.

Este ano despedimo-nos das lides festivaleiras. Pelo menos dos concursos. Por muita muita insistência tua fizemos mais uma canção. Encontrámo-nos duas vezes (ahah) e chegámos àquele pavilhão que conhecemos tão bem, já sem a euforia dos outros anos, mas com a certeza de que nos iríamos divertir. E mais uma vez, surpreendemo-nos com o resultado final. Agora é hora de arrumar bagagens, guardar nos sorrisos e na memória tantos anos e canções e partir para outros voos. Com a certeza -e o desejo - de que nunca deixaremos de cantar juntos. Porque não há outra pessoa com quem mais goste de partilhar o palco. De verdade!


Sem comentários:

Enviar um comentário

Ocorreu um erro neste dispositivo