segunda-feira, 3 de junho de 2013

Filhos..

Os nossos amigos estão todos - ou grande parte - a engravidar. De repente só ouvimos notícias de pessoas que estão à espera de bebés, mais ou menos propositadamente, mais novas ou mais velhas. E inevitavelmente, vem a pergunta então e vocês? Como se não tivesse só passado um mês desde que casámos e como se o casamento fosse só para ter filhos.



Por nós vão ter que esperar, é a pergunta chapa 5 que temos dado, que não cala muita gente mas que é a possível. Podíamos explicar todas as razões pelas quais não queremos filhos já, mas isso levaria a uma quantidade de juízos de valor que não estamos dispostos a ouvir, porque achamos que ninguém tem o direito de os fazer. Porque essas decisões são nossas, e não de domínio público. São de cada casal.

Se há coisa que me irrita é não pararem de perguntar às pessoas se não vão ter filhos. Ora, já pensaram que as pessoas podem não PODER ter filhos? Ou que podem, até, vejam lá, não QUERER? Há mil razões para não se querer ter um filho, e não têm que ser todas - como na generalidade se considera - egoístas. Esta coisa de se ter 'tempos' para tudo faz-me um bocadinho de confusão: Ah, já tens 28 anos, já estás na idade. (oi?) Ah, já tens casa, emprego e estás casada, está na altura (hum?). Ah, já casaram há 'x' tempo, bem que podiam ter...(é?).

Mas e se por acaso a pessoa estiver a pensar mudar de emprego? Ou se por acaso a pessoa ainda não se sentir preparada? Ou, se, por acaso, ainda só lhe apetecer passear e namorar porque acha que tem esse tempo em atraso? Ou se - pasme-se - por acaso os salários de dois nem forem nada de especial e nem derem para esticar para acolher um bebé?! Ou se o emprego é novo e não é lá muito sensato engravidar assim à bruta? Ou se estiver, sei lá, a fazer um MBA, a viver longe do marido, a passar por um problema de saúde, a lidar com cinquenta mil problemas diferentes?

O relógio biológico existe e funciona - confere! - mas há que não perder a racionalidade. Nunca mais me esquecerei de um casamento a que fui, há uns tempos, em que alguém - aí uns cinco anos mais novo - me acusava de ser egoísta porque não queria ter filhos já. Ora, eu nem namorado tinha, quanto mais um hipotético pai para um filho. E para além disto, expliquei-lhe que era uma altura da minha carreira em que não podia pensar nisso. E CÁBUM!!

Caiu o Carmo e a Trindade, que eu era uma pessoa horrível porque só pensava no trabalho. Decidi remeter-me ao silêncio. Porque me daria demasiado trabalho explicar que, mesmo que fosse casada com o homem da minha vida [como é o caso, atualmente] não tinha ninguém que cuidasse de uma criança enquanto estava a trabalhar. E que o meu trabalho não era das 9h às 17h. Ah!, e os avós? Então, para além de eu nem viver ao pé dos meus pais, não me parece que a eles lhes encante a ideia de ficarem a cuidar de um neto. Porque o filho é meu. Mas eles podem ajudar... Podem! Um fim-de-semana ou outro. Não podem ficar com a vida empenhada porque eu decidi ter um filho e não posso pagar a alguém que me fique com a criança enquanto estou a trabalhar. Não podem ficar com a vida empenhada porque eu tenho um trabalho com horários marados. E a conversa seguiu até eu me decidir calar porque realmente não vale a pena. Porque ainda há-de vir o tempo em que as pessoas vão perceber que ter um filho não é uma decisão que se tome "porque já estamos casados há não sei quanto tempo".

Toma-se quando o casal quer. Quando fizer sentido. Quando os dois estiverem preparados para que a vida mude para sempre. Para sempre! Porque nada voltará a ser como antes. Não quer dizer que seja mau, obviamente que não é, mas exige uma adaptação. Exige que se pense. Que se reflicta. E se para alguns isso é algo fácil de decidir, para outros não...Cada pessoa, cada casal, tem o seu tempo. Tem as suas limitações. Tem a sua vida, em resumo. E pô-las em causa em função das nossas próprias decisões não só é de um tremendo mau gosto como é absolutamente despropositado.




3 comentários:

  1. posso imprimir este texto e dar quando me fazem a mesma pergunta?

    sim, é que eu já namoro há 6 anos, vivemos juntos à 3 ou 4, e eu estou quase a fazer 27 anos... completamente fora do prazo...

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  2. Eu sei o que isso é, estive casada sem filhos 5 anos, uns por opção outros não tanto, e para não responder torto, mantinha-me calada, agora a questão é e outro para quando? ao que eu respondo quando tiver de ser,
    beijinho

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