segunda-feira, 29 de julho de 2013

Idade ou hormonas?

Qual é o momento em que deixamos de ser amigos-normais e passamos a ser amigos-que-não-se-importam? Ando a pensar nisto desde qu,e no outro dia, a F. me disse que essa era a razão pela qual faltava sempre mais ao meu aniversário - tem uma amiga que faz anos exatamente no mesmo dia: porque tu entendes e não te aborreces.

Esta resposta, que antes me deixava orgulhosa, agora começa a angustiar-me. Deve ser da idade. Mas a verdade é que esta coisa do tu nunca te chateias não é tão verdade quanto isso. Que tento entender? Sim. Que tento não ficar aborrecida? Sim. Mas porque gosto das pessoas. Porque compreendo que seja preciso fazer cedências. Não porque não me aborreça, mas porque também eu tenho que fazer escolhas, de vez em quando, e sei como costumam ser difíceis.

O problema - o grande, enorme problema - que tem chegado com a idade [ou com as hormonas, sei lá eu], é que cada vez entendo menos e me aborreço mais. Não porque não tente entender ou porque não tente ficar aborrecida. Mas porque começo a esgotar os meus créditos de não aborrecimento. Porque apesar de tentar, todos os dias, I am not getting better at it.

Quando tenho de optar entre programas com uns amigos ou outros, obviamente que tento alternar: se na semana passada estive convosco então na outra estou com outros e vice-versa. Perceber que somos sempre os preteridos porque não nos aborrecemos e entendemos é algo que - novamente - com a idade, começa a magoar mais do que seria suposto.Muitas vezes fica aquela sensação de que somos ótimos amigos quando é preciso resolver problemas. Quando se quer ouvir o que outros não conseguem dizer. Quando se precisa de um conselho ou quando se precisa de um favor. E depois, somos os amigos preteridos porque não nos aborrecemos. Ou melhor ainda, porque és mais do que só amiga. Esta última razão também é boa para justificar escolhas, esquecimentos ou decisões. Porque és mais do que simplesmente amiga tornou-se o novo preto: resulta sempre. Porque contra isto não pode haver argumentos: se não somos convidados é porque ia pouca gente e eu sabia que ias entender. Se não somos escolhidos para algo é porque não precisas! És muito mais do que isso. Se não nos agradecem é porque é tão natural que faças, que aceites, que estejas...porque é como se fosses da família.

Acredito que tenha sido sempre assim e que isto sempre tenha feito sentido. Atualmente deixou de fazer. Porque também gostamos de receber quando damos, mesmo que não façamos uma coisa para ter outra. Porque também nos importamos. E nos aborrecemos.



3 comentários:

  1. Parece aquela velha história do "não és tu, sou eu". "Porque és mais do que simplesmente amiga" é bom. Gosto muito. Vou adotar!

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  2. Acontece-me isso com uma amiga, e cada vez cai menos bem,
    beijinho

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  3. ando a começar a adotar a postura de quem dá também merece, nem que seja só assim de vez em quando, receber. custa mas tem mesmo de ser!

    ps: mas lá está, também há atitudes e pessoas para as quais não tenho pachorra...

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