sexta-feira, 19 de julho de 2013

Self esteem #2



 ‘Nenhum homem merece as nossas lágrimas’. Ouvimos esta frase cinquenta mil vezes, mas a verdade é que a apreendemos pouco. De repente, estamos numa relação em que fazemos mais vezes coisas de que não gostamos do que aquelas de que gostamos, damos por nós de mau humor a maior parte dos dias e começamos a achar que isso é a normalidade. Não sei se isto acontece por artes mágicas, mas certo é que facilmente estamos com alguém que não nos merece e acreditamos que nós é que somos as pessoas de sorte por a outra pessoa nos querer. Começamos a ignorar os sinais óbvios e daí até estarmos na fossa é pouco mais do que um passo.

Como que por magia deixamos de poder estar com os nossos amigos, porque os dele é que são bons. No entanto, não podemos falar muito com eles porque mais do que 10 minutos de conversa é sinalde que podemos estar interessadas. E isso é normal, acreditamos. Depois, passamos a ir jantar fora todos os dias, mesmo quando nos não apetece, ou quando não podemos [financeiramente] porque é idiota jantar em casa. E nós achamos que, obviamente, o problema é nosso. Depois são as férias, sempre nos mesmos lugares, com as mesmas pessoas e com programa pré-definido – que raramente passa pelo que nos apetece realmente fazer. Há ainda a questão dos hobbies e das viagens. Abdicamos dos museus, dos passeios a pé, dos almoços baratos de sandes na mão e gastamos o dinheiro em restaurantes caros e em lojas que há em todo o lado. Quando na verdade o que queremos é acordar cedo no país novo, fazer 10 ou 15 quilómetros a pé, ver as exposições patentes, gastar pouco dinheiro nos almoços para poder jantar nos melhores restaurantes, deitar tarde e voltar a fazer o mesmo no dia seguinte. Abdicamos de passar a manhã a ler jornais e revistas para fingir que gostamos de fazer nada a manhã inteira, almoçar com a família, passar a tarde em centros comerciais e a noite a beber cafés com amigos com quem não temos afinidade nenhuma.

A nossa vida passa a entrar numa espiral de momentos e de acontecimentos e de decisões que não têm nada a ver connosco. Estagnamos, deixamos de ser pessoas para ser ‘namorada de X’, deixamo-nos dormentes nesse mundo que não conseguimos dominar e acreditamos, sempre que estamos sós, que a culpa é nossa. E que a vida é assim mesmo. Que as relações não são perfeitas, que temos mesmo de fazer cedências, que temos que ir ao limite das nossas forças – e das nossas convicções – para salvar uma coisa que achamos que é o resto da nossa vida.

Mas não é. Nenhum amor, nenhuma relação nos deve apagar. Nenhuma pessoa [até os amigos] nos deve fazer sentir que somos ‘sortudas’ porque os temos – claro que o devemos sentir, e até é bom que o sintamos, mas não porque eles fazem questão de o mostrar. Nenhuma relação nos deve fazer afastar dos amigo ou esquecer que, antes de mais, somos uma pessoa, um indidvíduo, com todas as singularidades e todas as preferências que isso acarreta. Nenhuma relação nos deve fazer sentir menor, nos deve fazer sentir culpados ou tristes pelo que somos. Nenhuma relação nos deve fazer sentir saturados. Ninguém tem o direito de nos dizer que não somos bons o suficiente. E se não temos uma relação que nos faz sentir melhor, que nos faz ser felizes, em que temos que andar em bicos de pés, em que temos sempre medo de aborrecer o outro, então, saltemos fora! E vão ver como a auto-estima dispara! :)

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