quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Let it go...[again]*

Deixar de amar é uma coisa que demora tempo. Muito tempo. Quanto mais se amou, mais tempo leva. Sempre foi assim e duvido de que algum dia deixe de ser - a menos que percamos todos a capacidade de amar.
Parque del Retiro, Madrid, 03.2012


Para além do tempo, deixar  de amar implica disponibilidade. De espírito e de coração. Ninguém consegue deixar de amar se não o quiser fazer. E essa é, possivelmente, a pior batalha que travamos connosco quando queremos esquecer alguém. Um dia disseram-me que "amar é um exercício de vontade". E é mesmo. Geralmente, mesmo sem sabermos, somos nós que queremos amar, que queremos gostar daquela pessoa. E depois, quando ela nos não ama, temos medo de a deixar ir. Temos medo de que quando deixarmos de a amar ela nos ame e não consigamos voltar atrás.

Deixar de amar dói. Custa. Deixar de amar retira-nos do 'estatuto especial' de pessoas que sofrem por amor. Mas é um risco que vale a pena correr. Deixar de amar implica aprender a gostarmos de nós sem que gostemos de amar alguém. Não é que não tenhamos amor para dar. Só não temos que o dar à pessoa que o não merece.

Eu, que já amei durante mais tempo do que o que devia, sei quão difícil é deixar alguém partir do nosso coração. Demora meses, às vezes anos. Demora relações falhadas e ilusões sem fundamento. Mas deixar alguém partir é, também, a maior prova de amor que se pode dar. É perceber que estaremos felizes se o outro estiver feliz. E isso sim, é amor. Amor, não é prender alguém numa relação que não quer. É deixar esse alguém voar para a vida que escolher. Mesmo que ela seja sem nós.

Porque ao deixarmos esse amor partir, estamos a abrir espaço para que um amor maior, daqueles que valem mesmo a pena, chegue e tome conta de nós. Ao deixarmos partir quem nos não ama, estamos a arranjar tempo para quem nos ama - e que vamos saber amar tão melhor.

Deixar partir é difícil e doloroso. Mas fechar o coração e guardar um amor que nunca será nosso é crueldade auto-infligida.

*Texto escrito há já muito tempo, num outro lugar.

1 comentário:

  1. É mesmo verdade!o amor constrói-se, mas também se pode destruir quando amamos,alguém que só será feliz sem o nosso amor,que quando não correspondido torna o outro prisioneiro.Amar é deixar livre,para qualquer que seja a decisão ficar ou partir.

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