quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O que se não quer

As pessoas passam a vida angustiadas com o facto de não saberem o que querem. Sobretudo porque é isso que perguntamos uns aos outros desde miúdos: o que queres ser quando fores grande? Que língua queres aprender no 5.º ano? E que língua queres começar no 7.º? E depois, que agrupamento queres seguir? E que matérias? E que curso queres tirar. Ok, queres seguir Direito, mas queres fazer o quê exatamente?


A teoria aplica-se exatamente da mesma forma às relações amorosas: mas de que tipo gostas. O que é que queres? Ai, quero um louro de olhos azuis. Um beto. Um moreno de olhos escuros. Quero um homem musculado. Quero um intelectual. Quero alguém que goste de museus, viagens e exposições. E que limpe a casa. E me respeite. E quero também...

Mas há quem não saiba o que quer. Aliás, há muito mais pessoas que não sabem o que querem do que as que sabem o que querem. Mas entre as que não sabem o que querem, há aquelas que sabem o que não querem. E saber o que se não quer é quase tão bom quanto saber o que se quer. Verdade.

Por exemplo, eu sempre soube que não queria ser cientista. Também sempre soube que não queria trabalhar no campo, que não quero pessoas negativas à minha volta e, sobretudo, sempre soube que não queria ficar 'presa' a alguém. No sentido de estar com alguém que me corte as asas. Alguém que não respeite o que eu sou; como eu sou - e passei por isso, e anulei-me e felizmente tive uma epifania que me fez ver que estava a fazer exatamente aquilo que nunca quis.

Saber que não queremos estar com uma pessoa é um passo importante numa relação. Na maior parte das vezes até gostamos dela, mas o problema é que ela não quer a pessoa que nós somos mas a pessoa que idealizou. E às vezes - tantas - essas pessoas não somos nós. E isso não tem mal nenhum.

Há pessoas que foram feitas para ser ótimas donas de casa. Que se sentem realizadas a lavar, passar, cozinhar e tratar do marido e dos filhos. Acho isso maravilhoso. Sobretudo porque há homens que adoram uma mulher que esteja lá para ser empregada deles. Boa! Happy couple. Mas há as mulheres - em cujo núcleo me insiro, claramente - que até podem lavar, passar, cozinhar e tratar da casa, mas que não gostam. Ou, pelo menos, não é isso que querem para a vida. Claro que faço tudo isto, mas porque gosto de ter uma casa acolhedora. Mas se eu não o fizer, o João não me diz para eu fazer. Nem se rala. Na maior parte das vezes, nem repara, na verdade.

Mas a verdade é que eu sempre soube que não queria ser empregada de ninguém. Que não queria nunca viajar. Que não queria ter um marido que não fosse inteligente, trabalhador e com sentido de humor. Sempre soube que não queria ter um marido que não se preocupasse com os outros. Que não fosse generoso e ambicioso - e isto vale para os amigos, também!

Por isso, minha querida-sabes-quem-és: sei perfeitamente o que estás a sentir. E se sabes que não é isso que queres, mesmo que ainda não saibas o que queres realmente, das duas uma: ou conseguem resolver ou saltas fora. Porque tu és demasiado especial para não poderes ser quem és. Para teres que ser algo que não queres. Para teres uma vida que claramente não pode ser a tua, porque tu não és assim.

E essa decisão vai ser dura. E vai levar tempo. Mas deixa o coração e a razão chegarem à conversa e verás que tudo correrá bem.

[And I'll always have your back, no matter what :)]


 

2 comentários:

  1. Querida amiga-que-sabe-quem-é por favor ouve o que esta tua sábia amiga te escreve.

    Concordo contigo Meg, já me anulei, outrora, também. Não é bom. Não somos nós. Não funciona. Custa largar, mas depois temos a certeza que foi o melhor.

    Boa sorte!

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