terça-feira, 13 de agosto de 2013

Síndrome de Peter Pan

Não é por acaso que o rapaz que não queria crescer só existe em desenho animado, e não é por acaso, também, que a história de Peter Pan é criada num cenário de tristeza profunda: porque não crescer não só não é possível como não é sinal coisa nenhuma que seja boa, em si.

Crescer é uma maçada. Eu sei.  Por norma só queremos crescer enquanto não chegamos aos 18. A partir daí, começasm os problemas: primeiro a faculdade, os amores e desamores, o drama das cadeiras que não conseguimos fazer, o dinheiro da mesada que não chega ao final do mês...Depois o trabalho, em que temos horários e responsabilidades acrescidas, porque afinal estamos a ganhar pelo que estamos a fazer. Temos chefes, rotinas, exigências. O nosso coração, amadurecido pelos desgostos de amor, começa a endurecer-se.

Já não perdemos peso tão facilmente, as rugas acumulam-se, precisamos de cada vez mais tempo para cuidar de nós e de quem nos é querido, mas ele é cada vez mais escasso. Crescer implica, no campo dos relacionamentos, aguentar o tranco mais vezes do que queríamos. O drama de um namoro deixou de ser ter lugar para namorar ou o facto de a nossa cara-metade ter mais acne que o namorado da nossa amiga, e passa a ser a eterna e sempre pertinente questão: é mesmo isto que eu quero para mim?

Quando conseguimos essa coisa fantástica que é parar de crescer, vêm os amores de Verão - chamemos-lhe assim. Agarramos num tipo mais novo (três, cinco, dez anos) e fingimos que é normal. Passamos as noites nas discotecas, os dias na praia, andamos com roupas demasiado curtas e decotadas, espetamos a nossa vida toda no Facebook. O nosso namorado fica louco, porque apresenta a miúda mais velha aos amigos, e nós fingimos que o nosso ego se alimenta de uma paixão que sabmos tão fugaz quanto a nossa capacidade para aturar homens imaturos com dramas existenciais porque afinal temos que trabalhar também ao fim-de-semana - lá está, a parvalhona da responsabilidade a estragar tudo.

Ou pior ainda: aquela paixão imatura deixa de nos achar graça, porque uma pessoa com trinta anos, mesmo que queira, não tem 22 e nunca vai ter. E há, portanto, certas coisas que deixam de fazer sentido - sim, eu sou uma conservadora que acredita mesmo que há idades para tudo! E aí, quando o nosso mundo desaba e percebemos que afinal o puto de 22 anos nos pôs a andar , era a altura ideal para perceber que, de facto, não querer crescer não é bom.

Mas não. Como qualquer adolescente, mantemos o sonho: vestimos o top mais justo e a saia mais curta, deixamos de comer o Verão inteiro, temos a pele curtida em vez de bronzeada e vamos para as baladas da moda com as amigas que também não quiseram crescer. Enchemos as redes sociais de fotos, mostramos ao mundo - e ao ex-namorado, que no fundo é só isso que interessa - que estamos felizes, e fingimos acreditar nisso.

Não sei quando é que os amores passaram a ditar o nível de auto-estima de uma mulher. Mas digo-vos que me assusta consideravelmente ver que há tanto Peter Pan que vai chegar aos 50 a achar que tem 20, pura e simplesmente porque não soube gostar do que vê no espelho. Do que é. E se acham que é cliché, olhem à volta e comprovem a veracidade do ditado mais sábio de sempre: se não gosta de si, quem gostará?

Grow up!




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