quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Escape from Alcatraz



Foi uma das melhores experiências da minha vida. Visitar Alcatraz foi ainda mais pesado do que visitar a casa de Anne Frank, e eu não sabia que isso era possível. Chorei praticamente durante todo o tempo. Assustei-me. Arrepiei-me e dei saltos vários a cada som, a cada escuridão que se instalava numa visita que é áudio-guiada por antigos prisioneiros e antigos guardas da ilha – que, diga-se, tem uma vista fabulosa sobre São Francisco.


April 2013

Window - April 2013

San Fran Bay - April 2013

Os jardins continuam a ser lindamente tratados – como fizeram os presos que lá habitaram por uns anos – e muitas celas foram deixadas mobiladas e ‘decoradas’ tal qual como quando Alcatraz era um presídio. As solitárias – seis, se não estou em erro – eram de cortar a respiração. O guia manda-nos entrar numa e ouve-se a porta a fechar. Sente-se o vazio, o escuro, a sensação de claustrofobia e de que o tempo pode parar sem que nos lembremos de que alguém ali está dentro.

Cela 'standard'




Cutoff

Solitária

Refeitório


Depois os corredores, carregados de histórias de fugas mal sucedidas – apenas uma teve sucesso – , de agressões, de mortes. As paredes marcadas pelas rixas, e as barras de ferro pelo tempo e os crimes de quem por ali passou. Alcatraz é brutal no verdadeiro sentido do termo. A visita dura cerca de duas horas – obviamente dependendo de cada pessoa, que aquilo é experiência que se faz individualmente – e a mim deixou-me quase sem respirar. O recreio dos prisioneiros tem uma das vistas mais impressionantes que já vi em toda a minha vida. E eu, que logo a seguir ia sair dali de barco, não consegui sequer imaginar o que sentiria alguém que tinha toda aquela vista pela frente e estava confinado àqueles muros e grades absolutamente gigantes.

Saying goodbye

 E os sons que entravam pelas janelas abertas? As frinchas que deixavam passar o som das festas na baía de São Francisco em noites de Natal ou Ano Novo e que entravam cela adentro por quem nem sequer podia passear no corredor?
Eu sou uma lamechas, é um facto. Mas Alcatraz é duro. E lindo, ao mesmo tempo. Era uma daquelas visitas que, se pudesse, repetia uma vez por ano. E que recomendo a todas as pessoas que lá estejam por perto.

1 comentário:

  1. Eu queria muito fazer essa visita : se a distância fosse menor!

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