quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Amamentação à vista do mundo


Frente & Verso

"Facto: amamentar é tão natural quanto assoar o nariz, coçar as costas ou bocejar. Faz parte das “funcionalidades” com que vimos equipadas de série. A dada altura das nossas vidas é, pois, natural que aqueles dois altos que nos adornam o tronco sirvam para alimentar as crianças que parimos (mas não é obrigatório que sejam utilizados com este propósito - não sou fundamentalista da amamentação nem esse é o tema desta crónica).
Posto isto, não percebo todo o alarido em torno do assunto. Pessoalmente, não me incomoda nada ver alguém a amamentar. É uma coisa natural, ok? Não tem que ser exibida, não tem que ser escondida. Da mesma forma que não acho necessário que alguém se recolha a um aposento qualquer para se assoar, também não vejo grande necessidade em encobrir o momento da amamentação.
Se eu estiver numa sala com uma amiga que amamente e a criança dela desatar a berrar com fome, pois que amamente à vontade! Se ela não se sentir constrangida, por mim, “é na boa”, alimente-se a criança e siga a banda.
Já passei por isto. Amamentei duas vezes (ou melhor, várias - muitas! - vezes, duas crianças, em épocas distintas). E amamentei onde calhou, quando tiveram fome. Em casa, no café, no shopping, na sala de espera do médico. Com gente a ver, sem gente a ver. Lamento, mas não me incomodava minimamente que houvesse mais pessoas na mesma assoalhada onde eu estava a amamentar. E, estando em casa, nunca me ocorreu ir trancar-me no quarto para amamentar “às escondidas”.
Só houve uma situação em que me senti constrangida. Estava num shopping, nuns sofás daqueles que há a meio dos corredores, com a minha mãe e com a minha filha mais velha (a amamentar o mais novo). À minha frente, um senhor com idade para ser meu avô olhava fixamente para o meu peito. Incomodou-me não a presença de outras pessoas (quer dizer, nem podia… eu estava no meio do shopping, não é?), mas a forma “babada” com que ele olhou para mim. Resolvi o problema sem alaridos: puxei uma fralda para cima do acontecimento e continuei o que estava a fazer. Foi a única vez. De resto, sem dramas. Porque, para mim, no que toca à amamentação, o peito é só um recipiente, completamente desprovido de qualquer conotação sexual. Serve apenas e só para alimentar uma criança com fome. Quem não gosta de ver tem bom remédio: não olhe…"

[A Frente desta crónica está aqui.]

Frente e Verso - o Regresso

[Texto roubado descaradamente à Lénia. Não mudei praticamente nada porque a história é basicamente a mesma, mas em sentido oposto]

Conheci a Papel graças à Margarida e Conheci a Lénia graças à Papel. Confuso, eu sei. Mas foi mesmo assim: foi através do blog da Meg que fui ter à Papel e foi através da Papel que me tornei amiga da Margarida. Escrevemos o Frente & Verso durante uns meses, a meias. Para quem nunca leu, a ideia é a seguinte: escolhemos um tema acerca do qual temos opiniões contrárias (e só isto já merecia um Nobel... é difícil "pa caraças"!) e escrevemos.

Com o fim da Papel, chegou o fim do Frente & Verso. Só que tivemos pena de não continuar a escrever as nossas crónicas-a-quatro-mãos e resolvemos recuperar o conceito para os nossos blogs. Por isso, daqui em diante, à quinta-feira, temos Frente & Verso aqui e no Not so Fast .A mecânica é esta: eu publico o texto que a Lénia escrever, ela publica o que eu escrever. O primeiro, já a seguir. E o tema é polémico...

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Na alegria e na tristeza...

Para mim,miúda da província, o casamento com comunhão de bens adquiridos sempre foi algo óbvio. Ou seja, achava que toda a agente escolhia este regime - o 'normal' - e que só os milionários se prepocupavam com acordos pré-nupciais.

Entretanto cresci, os amigos começaram a casar e ontem voltou a acontecer: numa mesa com cinco pessoas, eu era a única que tinha casado com comunhão de bens adquiridos. Todos os outros tinham optado pela separação total de bens.

Todos os direitos reservados

Ora, sabendo que é um pro-forma, a mim custa-me um pouco pensar em casar neste regime. Lembro-me de o dizer antes do casamento e repito: a sensação de que já me estou a precaver para um eventual divórcio não me parece um sentimento muito bom para ir par ao dia do casamento. Eu cá estou com o 'dia de los muertos - es para toda la eternidad'.

Eu sei que não é nisto que a maior parte das pessoas está a pensar. Eu sei que os meus amigos que optaram por casar com separação de bens estavam a pensar em proteger as coisas da família em alguma eventualidade - as pessoas modificam-se quando tratam de dinheiro. É um perigo. Eu sei.

Mas eu tenho outra vantagem: a de não ter património. Portanto, sinceramente, para mim é-me indiferente se o João tem ou não metade do pouco dinheiro que tenho no banco, confesso :) Além disso, casamento para mim é com todos os riscos inerentes: na alegria, na tristeza, na pobreza, na riqueza...Se alguma coisa correr mal!, well, estamos juntos.

Possivelmente isto é ser, claramente, naïve. Mas quanto mais penso nisso, mai acredito que só poderia ter tomado esta decisão.

[e é nestas alturas que penso em como é bom não ter dinheiro ou património com que me preocupar  <3]

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Shoes #10000

Hoje, à hora do almoço, estava a partilhar com uma amiga a minha mais recente descoberta para arrumar os meus sapatos. Comecei por guardá-los todos nas caixas originiais, e até os fotografei, de forma a poder colar as fotos nas caixas e não perder, todos os dias, 15min à procura da caixa certa.
Dois problemas:

1. O tempo que perdia - lá está;
2. O espaço que as caixas me ocupavam.

No outro dia, enquanto esperava que a fila interminável da Primark me deixasse chegar aos provadores, bati com os olhos nuns organizadores de sapatos que eram exatamente aquilo que eu queria - também gostava de uns do Ikea, mas 7 ou 8euros para 2 pares de sapatos...No, thanks! Por 2,5 euros - isso, DOIS EUROS E CINQUENTA - comprei um organizador de sapatos (na verdade fotram dois, vá) que dá para doze pares.

Portanto, basicamente o que ficou de fora foram as botas - que continuam nas caixas, para se manterem direitas - e alguns pares de sapatos mais delicados. Agarrei nos dois organizadores, enfiei-os debaixo da cama e de repente ganhei mais três prateleiras no armário e mais 13min de tempo todos os dias!

PS: Portanto, meu amorzinho, não ralhes comigo se por acaso aparecerem mais sapatos por aí! Agora já tenho onde os guardar :p

Grow: Connecting the Dots

Descobrir o que nos faz feliz é um caminho que, raramente, se faz em pouco tempo. Lembro-me que, por exemplo, as minhas irmãs souberam desde miúdas o que queriam ser: uma cientista, outra ginasta. A primeira é uma feliz cientista. A segunda é uma feliz engenheira de produção florestal ou animal (ou tudo numa só que nunca sei).

Porque a vida às vezes troca-nos as voltas e nós afinal descobrimos que sabemos ser felizes a ser outras coisas que não as que inicialmente pensávamos que seriam as melhores para nós. Esse caminho dá trabalho, lágrimas, sorrisos, esforços e frustrações. Eu própria me esforço para o fazer, todos os dias. Nessa caminhada, conheci a Sofia. Que faz da vida, precisamente, esse caminho: ajudar as pessoas a descobrir o que as faz feliz.

E vale a pena conhecerem-na. Porque se precisarem de descobrir o vosso caminho, ela está lá par  ajudar. A mim ajudou-me a descobrir que se calhar preciso que me ajudem a descobrir o meu :)

Ora vejam: http://www.papelonline.pt/revista/connecting-the-dots/


segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Boobs #2

Eu sei que não sou mãe. E que não conheço as maravilhas da maternidade, da amamentação, de ter alguém que amamos acima de tudo, bla bla bla. Sei disso tudo e também me assumo uma céptica em relação a essa lamechice, toda, aviso já.

De qualquer forma, há crianças lá em casa - sou tia de duas - mudo-lhes fraldas, adoro-os, sou uma tia cool, que fica com eles, dá-lhas banhos, muda fraldas e tudo e tudo e tudo. Agora, deixem-me que manifeste a minha clara repulsa por essa moda que agora parece que anda por aí de que amamentar tem que ser anunciado ao mundo.

Sim, senhora, que amamentar é uma coisa natural. Claro. A pessoa tem um filho, estiver na rua põe uma fraldinha por cima e amamenta-o, se estiver em casa, sozinha, está mais à vontade e toca de tirar a maminha para fora e servir a criança; se estiver com amigos retira-se para o quarto ou coloca uma fralda por cima... normal. E bonito. Mas é só isso. Normal.

Não tem que ser anunciado ao mundo. Não tem que ser fotografado tipo bandeira. Não quero ver uma mãe de mamas de fora a amamentar uma criança sem uma fralda por cima. Não quero!

E tenho esse direito. Amamentar é bonito? É. É um acto único, bla bla bla? É! Mas também é particular, é intimo, é pessoal. Não deve ser exposto como forma de 'convencer' mães a amamentar. Esse é o trabalho das amigas. Dos médicos. Das mães e das irmãs. Vos garanto que ninguém me convence ou não a amamentar ao obrigar-me a ver mamas cheias de leite, que eu não conheço de lado nenhum, a alimentar bebes que eu também não conheço.

Se os conhecer é igual. Dispenso. Se for uma irmã, uma amiga com quem tenho muita confiança? Well, então rapidamente digo "não queres por uma fraldinha por cima?" A sério. Dispenso e acho uma invasão de privacidade ver.

Mas isso sou eu. Que não me comovo com amamentações alheias :)

Uff. Obrigada. Precisava de desabafar.

Christmas Time

Ainda acho um bocado ridículo já haver enfeites de Natal por tudo quanto é lugar, mas a dura verdade é esta:

Já tenho oito presentes de Natal comprados. Just thirteen to go. U go, girl!!

Sweet Lou

Há muitos muitos anos - mesmo muitos, creio que quase há uns 20 - esta música tocava sempre que o nosso computador era ligado, lá em casa.

Perdeu-se um músico. Perdeu-se um poeta. Perdeu-se uma das maiores contribuições de sempre para a música. E portanto, hoje vai ouvir-se Velvet Underground ou Lou Reed o dia todo. O-dia-todo. Bom dia!


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Perdoar.



"Tão facilmente ficamos atolados em becos cegos, em círculos sem saída, reféns de uma amargura que cada vez mais vai sendo mais pesada e contamina inexoravelmente a vida. O ato de perdão é uma declaração unilateral de esperança. O perdão não é um acordo. (...) Perdoar é crer na possibilidade de transformação, a começar pela minha."

Pe. Tolentino

Time to...

Como achava que já tinha pouco que fazer, meti-me num curso de curta duração duas vezes por semana. No início até eu pensei que era loucura. Ontem, depois da primeira aula, descobri que eventualmente é que o me manterá com alguma sanidade mental.

<3

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

This is it

Don't ask, don't tell.
Don't ask, don't bother.
Don't see, don't care.
Don't talk, don't know.
Don't call, don't hear.

And this is it.

Bráásiu!

Ontem foi  dia de matar saudades. E matei dois coelhos de uma cajadada só!

E o bom que foi, minha gente??

É ler tudo aqui!

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Boobs #2

Hoje à hora de almoço passámos por uma loja de roupa interior que estava em liquidação total. Soutiens que geralmente custam 40€ a 5,90€ ou 2,90€? Tive que entrar com aquela secreta esperança de que "é desta".

Obviamente que saí de mãos vazias. Como já aqui escrevi uma vez, não percebo quem é que desenha soutiens, mas claramente deve ser alguém que não tem maminhas. Ou melhor, pode ter maminhas, mas não tem mamas.

Senhores-que-desenham-soutiens, vou explicar mais uma vez:

Alguém que usa uma copa 'C' NÃO PRECISA DE ALMOFADINHAS!, sim? Muito grata.

PS: A propósito, a loja é a Hope, nas Amoreiras, e está com umas promoções que vale a pena aproveitar, se tiverem maminhas, somente.

PS 2: Por estupido que pareça a Primark tem, até agora, os melhores soutiens para mim. Em preço e em qualidade. E eu que nunca pensei dizer isto da roupa interior da loja.


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Dizem MEG!


All over the place. Se não fossem unhas e um verniz, claramente estes sapatos tinham a minha cara lá estampada. A-d-o-r-o!

Da Chiara Ferragni --> The Blonde Salad

Please, please, please

someone just give me a one round trip to Rio, this Christmas. Prometo que não peço mais presentes!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Diretamente do lixo

O TLC realmente é um canal que nos dá ânimo. Então quando passamos um fim de semana inteirinho em casa a fazer coisa nenhuma e sem poder ir à rua, é ainda melhor. Nos intervalos da minha constante sonolência dos últimos dois dias, o TLC podia ter sido o meu 24/7 channel. A sério!

No outro dia dei de caras com um fantástico programa chamado 'Extreme Cheapskates', qualquer coisa como "Mega avarentos". A senhora em questão começava por dizer que cortava o cabelo a ela própria porque não ia dar 100 dólares para o cabelo ir para o lixo. Fair enough. Mas a seguir, continuou:

- Não comprava roupa há doze anos: recolhia do lixo;
- Não usava o forno, porque gastava imensa energia: usava-o para arrumar coisas diversas;
- Não usava o fogão a gás porque pagava 15 dólares por mês só para ter o gás ligado: usava um fogãozinho tipo campismo;
- Não usava PAPEL HIGIÉNICO: tinha sempre à mão uma garrafa com água e um pano (não perguntem o que fazem as visitas...)
- Não compra mobília: tudo o que tem vem do lixo (aquele sofá tinha um ar. Nossa...
- Não compra produtos de higiene: procura na internet as lojas que estão a dar amostras e lá vai ela recolher. Tinha um saco do lixo cheiinho de tampões, champôs, gel duche...
- Não despeja o autoclismo: usa somente a água que sobra do banho para o fazer. Portanto, quando não há balde de água...
- E por fim, não compra comida: recolhe os alimentos do lixo dos restaurantes da cidade. Para não a aborrecerem veste-se como uma sem-abrigo e lá vai ela.

Juro que quando a vi receber dois convidados e servir-lhes vitela vinda do lixo pensei: ok!, temos que ser menos consumistas, mas há limites, não?!

Ah!, e sim, ela tem um emprego. E pode pagar pelas coisas. E não passa dificuldades.

Uff. Precisava de desabafar.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Adeus!

A Papel vai dizer até já. A Papel, que faz um jornalismo que me fez querer jornalista, vai parar. Porque não há dinheiro e porque apesar de haver muito amor e dedicação por parte de quem a faz, também é preciso comer. E viver. A Papel vai dizer um até já com uma edição absolutamente brilhante.



Não deixem de ler. A Papel é para vós apesar de ter sido, de ser, tanto, para nós! Eu vou sentir-lhe, e muito, a falta. Espero que vós também. Leiam, partilhem, mostrem aos vossos amigos, conhecidos. Não deixem a Papel morrer :)

Aqui.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Anel de Noivado

No outro dia voltei a ter esta discussão e entretanto precisava de desabafar aqui por estes lados que isto é coisa que me 'encanita' - não adoram esta expressão.

Minhas queridas e pequenas microalgas, por favor, vamos entender isto de uma vez por todas:

O anel de noivado, em Portugal, usa-se na mão esquerda! Eu sei, é uma maçada, não vos apetece nada, o dedo da mão esquerda - nas pessoas dextras, que são a maioria - é muito mais fininho que na mão direita, blá blá, blá...

Agosto 2012

Mas é o que é. Obviamento que vos digo isto depois de uma exaustiva investigação, que começou na minha mãe e avó e terminou em alguns livros de etiqueta escritos já no século XXI. O anel de noivado, que é usado somente pela mulher, na nossa cultura, usa-se na mão esquerda, tal como a aliança. A mão esquerda que os antigos acreditavam ter a ligação mais directa ao coração, daí a tradição - sweet!

[No Brasil, por exemplo, os anéis de noivado (em ouro amarelo) são usados pelos dois, na mão direita. Ocupam os lugares dos anéis de compromisso, geralmente em prata.]

No dia do casamento, o anel de noivado passa para a mão direita, porque no anelar esquerdo vai ser colocada a aliança - que nunca,  jamais em tempo algum, deve ser retirada (excluem-se ressonãncias magnéticas e TAC por razões que me parecem demadsiado óbvias para ter que explicar :). No dia seguinte ao casamento, o anel de noivado passa então, novamente, para a mão esquerda, e faz companhia à aliança.

Eu acho muito bonito ver uma mão com um anel de noivado e uma aliança. Acho que tem uma elegância imensa. Nunca dei muita atenção a isso, confesso, até eu própria ter um anel de noivado. Mas no outro dia, quando me perguntaram "tu não usas o teu anel, pois não?", pensei que realmente faz diferença.

Tenho imensa pena de não usar o meu anel de noivado todos os dias (usei durante todo o noivado), mas:

1. Não é um anel prático. Como tem uma pérola e um brilhante, o risco de bater em coisas e de se estragar é enorme;

2. A pérola estraga-se quando demasiado tempo em contacto com água. E apesar de eu usar luvas para tudo, a água do banho, de lavar as mãos e afins não é recomendada;

Setembro 2013
O meu anel fica, portanto, guardado para dias de festa - o que é uma pena, mas sempre é mais um acessório. De qualquer forma, não o trocaria por um anel mais prático para poder usar todos os dias. Garantidamente - os anéis 'modernos', só com brilhantes encastrados em filinha, não têm, para mim, a mínima graça. Sorry.

Mas pronto. Noivas que me lêm: ponham esse anel na mão certa, sff!

Obrigada! :)




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Mega saudades



Dia 28 de Abril de 2013. Eu tinha cumprido um sonho há dois dias e embarquei pela manhã. Tu fizeste a mala na véspera do meu sonho e embarcaste nessa tarde. Fomos as duas até às Américas: eu para norte, duas semanas. Tu para Sul, doze meses.



 No coração ficou a saudade do teu pragmatismo e do teu sorriso. Da tua generosidade e da tua criatividade. Nem me lembro se te dei o abraço devido tão embrulhadas e aprumadas estávamos nos nossos vestidos-de-festa. Nem me lembro se te agradeci devidamente o bouquet-mais-lindo-do-mundo e o testemunhar do meu sonho. Eu gostava de poder testemunhar o teu. E faço-o, mesmo que pareça que há um oceano que nos separa – ok, let’s face it. Há um oceano que nos separa!

Adiante. Eu sei que tu não és dada a lamechices. Mas eu sou. E ontem, quando recebi aquela vossa foto no meu país-de-coração, desatei a chorar feita tonta, porque eu sou assim. Lamechas. E ter duas das minhas melhores amigas juntas, amigas, no meu país-de-coração, foi demasiado para aguentar no meu pequeno ‘drama palace’. Seja como for, depois de umas lágrimas, não pude deixar de sorrir. 

Porque tu, cheia de medos, decidiste dar aquele mega passo em frente. O passo que tanto assustava mas que sabias ter que ser dado. Não sei o que sentiste quando deixaste toda a gente no aeroporto. Mas se bem te conheço, ias de coração apertado mas de sorriso nos lábios. E aposto que atiraste um “está tuuuudo beeeeem”, enquanto puxavas a tua mala de mão.

E isso faz com que o meu coração ande aqui num movimento estranho: entre o muito apertado pelas saudades [que se adensam e se adensam a cada dia] e o muito inchado do orgulho que tenho pela coragem que tiveste. Que tens. Todos os dias.

Porque ir de malas e bagagens para um país que não é o nosso, numa cultura que não é a nossa, num clima (caramba!) que não é o nosso, é coisa que poucos aguentam. E tu não só aguentas como passas no teste com distinção.

Daqui a uns meses, desconfio que a pergunta que se vai impor é: continuamos a ser amigas deste ou desse lado do Atlântico? Porque a vida, essa, tenho a certeza de que nos vai voltar a juntar. E tu vais dar-me aquele abraço de que falavas. E eu vou chorar. Que as lamechices são para mim ("Que saudadeeeees") E o pragmatismo para ti ("Meg, está tudo bem, ok?").

Saudades.

Muitas saudades.


Extreme Makeover

O Sábado foi, literalmente, passado com o Nuno. Depois de alguma insistência uma das minhas irmãs lá se decidiu a entregar a cabeleira às mãos de quem sabe e passou mais de três horas de cabeça enrolada em toalhas, na água, com luvas ou tesouras por perto.



O resultado final ainda não sabemos bem bem qual será porque quando aquele cabelo vir água novamente tudo pode acontecer. Agora, que ela fez um sucesso com o novo corte e penteado assim que saiu lá de dentro, isso vos garanto.

[Nem vos digo quantos qiuilómetros ela fez para se por à mercê do Nuno. E no final, quando lhe perguntei, ela só disse: "Vale imenso a pena! Vou já marcar a próxima vinda" :) ]

domingo, 13 de outubro de 2013

Da vida #2

Quando temos uma semana difícil, a melhor forma de a resolver é passar umas horas sem telefone, sem tv, sem mundo e colocar o cabelo nas mãos do Nuno. A vida não se resolve mas melhora substancialmente.

Da vida

A amiga. A irmã. A conselheira. A tonta. A palhaça. Ou nada. Na verdade. Nada.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Nunca mais..

Ja passaram dois anos desde que mo disseste, na primeira vez que nos sentámos a tomar um café os dois, mesmo antes de começarmos a trabalhar juntos:

"Disseram-me que és ambiciosa. Preciso de perceber se isso vai ser bom ou mau para nós".

Nunca me assustaste tanto. Nunca uma frase fez tanto sentir. Não tenho outra frase de que me lembre tantas vezes.

Obrigada. Tem sido uma motivação e um travão todos os dias.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Obrigada!


Há praticamente quatro anos, quando comecei a trabalhar no Económico, o Filipe olhou-me com má cara, quando, durante as suas férias, escrevi pela primeira vez um artigo a sério na edição de fim-de-semana.
Quando ele voltou queria saber quem eu era - naturalmente - e por que raio andava a escrever sobre uma área que não era a minha [porque, sejamos francos, na altura nem sequer tinha uma área].

Com o tempo, o Filipe percebeu que eu nunca lhe poderia tirar o lugar - há apenas mais duas pessoas cujo trabalho admiro tanto quanto o dele - e que, pelo contrário, queria muito aprender para, como fartei de lhe dizer, "quando crescer ser como" ele.

O Filipe apadrinhou-me nos primeiros (e em todos, na verdade) meses de jornal. Ensinou-me, espicaçou-me, tentou que eu fosse melhor.E a verdade é que ele não precisava de mim para nada. Nunca precisou. O Filipe é um ótimo jornalista e precisava tanto de mim como eu de pulgas. Mas dedicou-me o seu tempo. E os seus conhecimentos.

Ensinou-me a ler relatórios e contas e a proteger-me em cada texto mais delicado. Ensinou-me a confirmar não duas nem três vezes, mas mil, se fosse preciso. Ensinou-me a pensar e a acreditar que podia, afinal, descobrir coisas e levar histórias às pessoas.

Foi com ele que escrevi a minha primeira manchete. E ele ligou-me no dia seguinte a dizer que tínhamos sido desmentidos só para me ver entrar em pânico. Foi com ele que aprendi que tudo é possível. E apesar de correrem os rumores de que teríamos um caso - claro! - a única coisa que nos ocorreu quando um dia vimos este fantástico coração em redor dos nossos nomes, foi desatar a rir e guardar o papelinho na caixa das recordações.

Hoje encontrei-o por acaso. E achei que era hora de finalmente escrever o texto de obrigada que há tanto tempo ele me merece.

Obrigada!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Perú! Eu sou um perú!!

Caraças! Sou amiga do melhor copywriter do mundo. Aquele que há uns anos me deixou a chave do Paraíso debaixo do tapete e que me levou a conhecer a cidade que podia ser minha. 




O Hugo - o melhor publicitário do mundo, portanto - é meu amigo. Estou inchada que nem um perú! Daqueles que alguém engordou para o Natal! É o que tenho a dizer!! ♥

A lista oficial de Cannes

"Um dia isto tinha que acontecer"

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram
ensinados a lidar com frustrações.

A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo. Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1.º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.


Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja! que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Mia Couto

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Let's talk about sex!

Isto tem sido parco em caracteres por aqui que eu ando a descobrir que o meu descanso é mais precioso do que pensava. Anyway, hoje vesti a bata e fingi que sei imenso falar sobre sexo - e amor, vá. Portanto, é só ir ler a minha pequena verborreia no blogue do costume:

A Farmácia de Serviço! :)

Ide, ide! Até lá!

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

"o caos é logo depois da curva..."

Ela é ótim.  A noite não podia ter sido melhor. O concerto também não. E por ter sido surpresa, ainda melhor.


E foi assim que numa noite, a meio da semana, tivemos o nosso momento de pausa antes do caos, mesmo logo a seguir à curva :)


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Das 'cartas' a quem emigra

Li, nas páginas de Facebook de vários conhecidos, a partilha de uma 'carta' que Nicolau Santos escreve aos seus 'filhos que emigram'. Li a carta porque parto do princípio que só posso formar opiniões se conhecer os factos. Mas não me enganei na sensação inicial.

Aquela não é uma carta aos filhos que emigram. É uma carta de revolta para com os governantes. É uma carta que mostra o que de mais pequenino há em cada português, porque não sabemos, tantas vezes encarar as dificuldades e transformá-las em vitórias.

Brasil 2011


Portugal não nos 'obriga' a emigrar. Lamento. Não o faz. Tenho amigos a voltar para cá com empregos garantidos e a serem felizes. Mas Portugal pode fazer querer emigrar. E isso não é uma consequência da crise. É uma consequência da mentalidade portuguesa. Esta é a primeira crise que me lembro de viver. Lá em casa, os meus pais sempre disseram que emigrar era bom. Nem que fosse por uns anos. Porque emigrar dá mundo. Faz-nos conhecer e ser num outro País que não é o nosso e ver tudo o que de bom e mau há aqui.

As pessoas emigram porque querem e não porque são obrigadas. Porque querem mais e diferente. Porque não estão dispostas a aceitar o que lhes oferecem cá. Tudo bem. Isso não é um problema. Os portugueses sempre emigraram - e a tendência da emigração está a crescer em todos os países, let's face it. Os portugueses emigram porque se sentem apertados em Portugal. Porque o país é pequenino para quem tem uma mente mais aberta. Não conheço uma pessoa que não tenha emigrado porque queria, efectivamente.

E isso não é um problema. Não temos que arranjar desculpas para querer sair do nosso País - a globalização não funciona só para importar coisas. Podemos simplesmente querer sair. Eu cá gosto de sair. Adoraria voltar a viver fora. Sem saudades do miserabilismo português e desta coisa de ter que se arranjar uma desculpa para justificar opções que às vezes são só nossas - mas ter uma desculpa ajmuda a não ter que assumir a responsabilidade da decisão. É compreensível.

E depois, a alegada carta termina com uma frase que me causou arrepios. De verdade:
"Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti."

A sério que estamos a comparar a emigração ao exílio? A sério? 

PS: Mas cada pessoa tem uma opinião. E a minha é só minha. Formem a vossa depois de ler. O texto a que se refere o meu está publicado aqui.
 
Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti. Mas queria que fosses tu a escolhê-lo e não que te obrigassem a emigrar. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=11587#sthash.RePmTMwu.dpuf
Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti. Mas queria que fosses tu a escolhê-lo e não que te obrigassem a emigrar. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=11587#sthash.RePmTMwu.dpuf
Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti. Mas queria que fosses tu a escolhê-lo e não que te obrigassem a emigrar. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=11587#sthash.RePmTMwu.dpuf
Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti. Mas queria que fosses tu a escolhê-lo e não que te obrigassem a emigrar. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=11587#sthash.RePmTMwu.dpuf
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Parafraseando Jorge de Sena, que foi obrigado a exilar-se e sempre sentiu enorme raiva por isso, não sei que mundo será o teu, mas é possível, porque tudo é possível, que seja aquele que desejo para ti. Mas queria que fosses tu a escolhê-lo e não que te obrigassem a emigrar. - See more at: http://www.leituras.eu/?p=11587#sthash.RePmTMwu.dpuf
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