quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Na alegria e na tristeza...

Para mim,miúda da província, o casamento com comunhão de bens adquiridos sempre foi algo óbvio. Ou seja, achava que toda a agente escolhia este regime - o 'normal' - e que só os milionários se prepocupavam com acordos pré-nupciais.

Entretanto cresci, os amigos começaram a casar e ontem voltou a acontecer: numa mesa com cinco pessoas, eu era a única que tinha casado com comunhão de bens adquiridos. Todos os outros tinham optado pela separação total de bens.

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Ora, sabendo que é um pro-forma, a mim custa-me um pouco pensar em casar neste regime. Lembro-me de o dizer antes do casamento e repito: a sensação de que já me estou a precaver para um eventual divórcio não me parece um sentimento muito bom para ir par ao dia do casamento. Eu cá estou com o 'dia de los muertos - es para toda la eternidad'.

Eu sei que não é nisto que a maior parte das pessoas está a pensar. Eu sei que os meus amigos que optaram por casar com separação de bens estavam a pensar em proteger as coisas da família em alguma eventualidade - as pessoas modificam-se quando tratam de dinheiro. É um perigo. Eu sei.

Mas eu tenho outra vantagem: a de não ter património. Portanto, sinceramente, para mim é-me indiferente se o João tem ou não metade do pouco dinheiro que tenho no banco, confesso :) Além disso, casamento para mim é com todos os riscos inerentes: na alegria, na tristeza, na pobreza, na riqueza...Se alguma coisa correr mal!, well, estamos juntos.

Possivelmente isto é ser, claramente, naïve. Mas quanto mais penso nisso, mai acredito que só poderia ter tomado esta decisão.

[e é nestas alturas que penso em como é bom não ter dinheiro ou património com que me preocupar  <3]

8 comentários:

  1. Nem nunca sequer pensei nisso... Também sou da província. Será que conheço alguém que tenha casado nesse outro regime? Nem sei...

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  2. Eu também não tenho património e casei com comunhão de adquiridos. Todo o nosso império será sempre dos dois. Para o bem e para o mal. :)

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  3. Olá, eu casei no regime de comunhão geral de bens, em caso de divorcio seria tudo dividido por 2. Não tínhamos património mas como compramos casa antes de casar só no nome do meu marido foi uma maneira de me salvaguardar e n ão ficar na rua caso lhe acontecesse alguma fatalidade, até porque eu pagava metade da casa com ele.Cada caso é um caso.
    Bjos

    Maggie

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  4. Mas vamos supôr que algo de errado acontece (uma 3ªpessoa, dívidas contraídas...etc.) uma pessoa já não pode ver a outra à frente, dá-se o divórcio e um dos intervenientes até é filho único, os pais faleceram pouco tempo antes do divórcio e e este interveniente ter que dividir com a outra alma o que os seus queridos pais juntaram uma vida com todo o amor e carinho...é obra! Deve dar uma raiva!

    Nestas alturas é que se vê como uma casamente não passa de um papel assinado, dito de forma mais correcta, um CONTRATO! Que se tudo correr bem, óptimo, todos felizes. Se der para o torto...my God, o que poderá vir daí!

    Outro exemplo um pai com dívidas, penhoras ao filho pois o pai já não tem nada para ser penhorado (ou coisa do género), o filho vê-se enrascado e é "obrigado" a separar-se da mulher para poderem contrair um empréstimo para salvar a vida. Pois ela sozinha pode fazê-lo, casada não consegue...

    Enfim , há tantas histórias que espremendo o sumo à laranja digo que só me casaria POR AMOR, em regime de separação de bens! Apenas o amor nos une, hoje e sempre! :) Algo corre mal, a outra pessoa "revela-se", etc etc...cada um segue a sua vida com o que tem. Casamento é amor, não são bens! ;) Contratos?? Não encaixa! ;)

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  5. Caro anónimo,creio que a nossa diferença de opiniões está ai: no contrato. Para mim um casamento não é um contato. É uma entrega de vida. Com todos os bens que isso possa ou não implicar.
    Todos os cenários que me apresenta são válidos, passíveis de acontecer e claro, metem medo. Mas lá está, o anónimo é uma pessoa que não pensa como eu: eu nunca casaria com alguém a pensar que um dia me vou divorciar. Porque para mim isso não faz sentido - tal como não viveria com alguém, mesmo sem casar, se não achasse que ia ficar com a pessoa para sempre.

    Chame-lhe ingenuidade. Falta de sensatez. Mas é como sinto :) Mas lá está: por isso é que há regimes para todos os gostos, não é? :)

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  6. Meg, eu nunca tinha pensado nisso até ao dia em que me perguntaram, não tive dúvidas, comunhão de adquiridos, para mim só assim faz sentido,

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  7. Nós casamos com separação de bens para proteger o nosso património a dois e a acreditar que ficamos para sempre juntos.
    Ou seja, ele empresário, vamos precaver-nos caso aconteça alguma eventualidade à empresa. E porque não queria ter que estar a imiscuir-me no dia a dia da empresa e a assinar papéis que só à empresa dizem respeito (como vi a minha mãe fazer toda a via por ter outro regime de casamento).
    E a conunhão de adquiridos não engloba heranças em caso de divórcio mas sim em caso de morte. Ou seja, em caso de divórcio a herança é do herdeiro e não é considerado bem adquirido no casamento. Ou seja, eu casada com comunhão de adquiridos recebo uma herança e depois divorcio-me. A herança é minha, não entra para partilhas. Eu morro, o meu viúvo é herdeiro. E isto também é válido no caso da separação de bens.

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  8. Conheço uma amiga cujo marido trabalha no estrangeiro, nada declara em Portugal. O Santo virou Diabo, o divórcio aconteceu. A pobre tem o ordenado penhorado há mais 5 anos por dívidas contraídas por cartão de crédito, entre muuuuitas outras...
    E digo-vos o sr em questão realmente parecia um Santo aos olhos de todos! Inclusivé da própria mulher...

    A verdade é só uma: ninguém pode dizer que conhece o outro a 100%.
    São riscos que se correm..

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