quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Obrigada!


Há praticamente quatro anos, quando comecei a trabalhar no Económico, o Filipe olhou-me com má cara, quando, durante as suas férias, escrevi pela primeira vez um artigo a sério na edição de fim-de-semana.
Quando ele voltou queria saber quem eu era - naturalmente - e por que raio andava a escrever sobre uma área que não era a minha [porque, sejamos francos, na altura nem sequer tinha uma área].

Com o tempo, o Filipe percebeu que eu nunca lhe poderia tirar o lugar - há apenas mais duas pessoas cujo trabalho admiro tanto quanto o dele - e que, pelo contrário, queria muito aprender para, como fartei de lhe dizer, "quando crescer ser como" ele.

O Filipe apadrinhou-me nos primeiros (e em todos, na verdade) meses de jornal. Ensinou-me, espicaçou-me, tentou que eu fosse melhor.E a verdade é que ele não precisava de mim para nada. Nunca precisou. O Filipe é um ótimo jornalista e precisava tanto de mim como eu de pulgas. Mas dedicou-me o seu tempo. E os seus conhecimentos.

Ensinou-me a ler relatórios e contas e a proteger-me em cada texto mais delicado. Ensinou-me a confirmar não duas nem três vezes, mas mil, se fosse preciso. Ensinou-me a pensar e a acreditar que podia, afinal, descobrir coisas e levar histórias às pessoas.

Foi com ele que escrevi a minha primeira manchete. E ele ligou-me no dia seguinte a dizer que tínhamos sido desmentidos só para me ver entrar em pânico. Foi com ele que aprendi que tudo é possível. E apesar de correrem os rumores de que teríamos um caso - claro! - a única coisa que nos ocorreu quando um dia vimos este fantástico coração em redor dos nossos nomes, foi desatar a rir e guardar o papelinho na caixa das recordações.

Hoje encontrei-o por acaso. E achei que era hora de finalmente escrever o texto de obrigada que há tanto tempo ele me merece.

Obrigada!

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