quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Childhood

Eu tive uma infância verdadeiramente feliz. Incluiu férias em casa da prima-irmã Filipa. Brincadeiras todas as tardes com a amiga-irmã Vanessa. Passeios no Rossio, idas para a escola a pé, cartas trocadas entre aulas, clubes do barro onde se conheceram as primeiras paixonetas e livros. Montes de livros.


A minha infância verdadeiramente feliz não tinha muito dinheiro. Roupa nova só era comprada duas vezes por ano - com sorte três: Natal, Páscoa e aniversário -, não se compravam brinquedos novos todas as semanas, não se almoçava nem jantava fora, não havia computadores e telemóveis para cada pessoa na casa, não havia revistas semanais e tão pouco uma televisão por divisão. Também não havia roupa de marca, ou um casaco para cada cor de roupa.

Na minha infância verdadeiramente feliz eu era feliz com um livro. Com a televisão. Com as brincadeiras que eu e a Vanessa inventávamos todos os dias para fazer passar o tempo. Sem gastar dinheiro - tirando num ou outro livro de papel de lustro.

A minha infância verdadeiramente feliz teve a minha mãe em casa - well, a da Vanessa trabalhava mas também era presente. Teve responsabilidade, escuteiros, ginástica, catequese, clubes disto e daquilo, teatro, aulas de viola...deu-me tempo para brincar, para criar, para acampar, para me aborrecer com os amigos. A minha infância verdadeiramente feliz teve trabalhos de grupo com scones e bolos da mãe. Com reuniões de escuteiros e chá. Com corridas ao final da tarde, capuccinos à lareira em casa da Francisca e Malhação na idade tola.

A minha infância verdadeiramente feliz não precisou de metade das coisas de que hoje estamos dependentes para ser o que foi: feliz. E isto tem-me feito pensar todos os dias sobre como era bom voltar àquele tempo em que uma fatia de pão com Nutella e uma casa de bonecas debaixo da cama, montada a meias com a minha prima, me fazia feliz.

É preciso muito menos

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