sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Náuseas.

Eu não vi notícias ontem à noite. Eu, que gosto de notícias, que vivo de notícias, não vi notícias. Aliás, tenho evitado ver. Porque as notícias de ontem deram-me náuseas, a começar na manifestação das forças de segurança e a acabar no discurso sem nexo de Mário Soares.

Ontem, onde as pessoas viram esperança para o País porque as forças de segurança quebraram 'ordeiramente' a barricada , eu vi um problema sério: com que moral e com que autoridade a polícia impede a partir de agora que manifestantes subam até às galerias da AR?

Ontem, onde as pessoas ouviram um discurso "contra Cavaco e a Ditadura" (?) eu ouvi supostos líderes intelectuais e políticos a incitarem à revolução. À violência. A algo que ninguém sabe bem no que poderá acabar, na verdade.

E mais uma vez decidi alienar-me. Porque nesta alturas eu tenho vergonha (muita vergonha) de ser portuguesa. De viver num país onde as pessoas não sabem arregaçar as mangas e construir o que é preciso em vez de criticarem o que está mal feito. Onde os discursos demagógicos se repetem há décadas por pessoas que já provaram ser iguais aos que hoje condenam, e que o povo aplaude, de pé.

Tinha tido o mesmo sentimento nauseante aquando da apresentação do livro do Sócrates onde tive que estar por motivos profissionais. Ontem senti o mesmo. Com a diferença de que pude 'abandonar' a sala e fingir que vivo num País que me faz feliz.


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