sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Frente&Verso: No nosso Natal

O Natal da Lénia!


O meu Natal é alentejano desde sempre. No Alentejo há uma espécie de tradição matriarcal: o Natal é passado com o lado feminino da família. É por isso que sempre passei o Natal com o lado materno da minha família. A minha mãe tem duas irmãs e um irmão – as irmãs passam sempre o Natal juntas, o irmão passa sempre com a família da mulher. É mesmo assim, sempre foi assim e vai continuar a ser.
Enquanto o meu avô materno foi vivo, o Natal foi sempre na casa dos meus avós – uma casa antiga, onde estávamos todos à lareira até ser madrugada, onde comíamos bem, conversávamos muito e pregávamos partidas aos mais incautos.

Quando o meu avô faleceu e a minha avó foi viver com a minha tia mais velha, mudámos o acampamento de sítio e passámos a fazer o Natal em casa desta tia. Mantivémos as tradições, mantivémos a lareira, mantivémos tudo como sempre foi, mas agora numa casa diferente. Entretanto, a minha avó também morreu e o papel de matriarca da família passou para a minha tia. Mas as tradições mantêm-se. E evoluem: se antes eram as mulheres a amassar as filhós, agora essa tarefa cabe ao meu marido e ao meu primo mais velho.

De resto, a coisa anda sempre à volta do mesmo: da comida. Há couves e bacalhau, doces que dariam para alimentar um país pequenino, muitos chocolates e frutos secos – e assim se explica o facto de eu chegar sempre a Janeiro insuflada!

No dia 24, a partir do momento em que nos sentamos à mesa, só nos levantamos para ir para a cama ou, no meu caso, para me enfiar praticamente dentro da lareira. Jantamos, levantamos a mesa do jantar e pomos a mesa da ceia. E enquanto ceamos jogamos UNO até começarmos a adormecer em cima das cartas... (houve anos em que conseguimos pôr a minha avó, já com mais de 80 anos, a jogar também, imaginem!!).
No dia 25, rumamos à terra do meu marido para o almoço de Natal, que é quando se juntam os irmãos todos, e ficamos por lá o resto da semana, a dar conta do que sobrou da mesa de Natal.

O meu Natal é quentinho, muito doce, cheio de mimo e tem aquele fio condutor maravilhoso que se chama família. Os únicos anos em que não passei o Natal no Alentejo foram anos diferentes: num o meu avô paterno estava muito doente e ficámos por cá, com ele. No outro, a minha filha tinha acabado de nascer e não fomos para o frio alentejano. E no outro, eu tinha uma barriga maior do que a de uns cinco Pais Natais juntos e apetecia-me tudo menos mexer uma palha que fosse (e a criança podia nascer a qualquer momento mas, vá-se lá perceber, ainda demorou quase um mês para vir ver a luz do dia).

Se há coisa de que não abdico é de estar em família, e adoro o facto de, apesar de a família crescer, as tradições de manterem e continuarem a fazer de nós a família que somos hoje.

A vocês, desse lado, Feliz Natal!!

[a minha versão da história está, como sempre, aqui]

1 comentário:

  1. De todos os teus textos, a descrição do teu Natal foi o que mais gostei. Pela forma simples e divertida, pelos sentimentos que se conseguem ler.

    Feliz Natal, e um beijinho para ti e para o João! Que 2014 seja um super-ano para vocês!

    Beijinhos

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