quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Riscar da lista

Uma das coisas que me faz comichão - mesmo a sério - é a falta de esforço das pessoas. Nos últimos anos, por exemplo, tenho vindo a aperceber-me de uma coisa interessante [que só deu para perceber agora, uma vez que tem a ver com casamentos e ninguém meu amigo se casava há 15 anos]: as ausências!

O nosso DJ...que fezz um entorse três dias antes!

As ausências, num casamento, têm muito que se lhe diga. Eu não entendo muito bem as pessoas que não vão a um casamento por que "não lhes apetece" ou porque "não podem dar um presente aos noivos". Porque, sinceramente, isso interessa tão pouco! E só quem não entende que o que os noivos mais querem é a presença de cada convidado é que pode dar desculpas destas.

[que há razões, obviamente, altamente válidas para se faltar a um casamento. Mas já lá vamos!]

Nos últimos casamentos - e mesmo no nosso - tem acontecido. Pessoas que não vão porque estão a trabalhar. Porque "já tinham coisas combinadas" (oi?). Porque morreu o gato. Porque não acordaram (oiiii?)...uma panóplia de desculpas mais ou menos esfarrapadas que me transcendem e me fazem ficar com urticária.

O casamento de alguém que nos é querido é razão suficiente para movermos montanhas por esse dia. Nós temos noção, por exemplo, de que obrigámos os nossos convidados a um esforço adicional quando decidimos casar a uma sexta-feira à tarde. Os amigos médicos e enfermeiros tiveram que trocar turnos; os amigos jornalistas tiveram que usar folgas; os amigos bancários, gestores ou whatever tiveram que usar um dia de férias; os amigos professores estiveram a trabalhar o dia todo e saíram a correr para a Igreja.

Tivemos também os amigos - e os pais! - emigrantes que alteraram as vidas para virem cá. E tivemos quem nos dissesse que não ia "porque não podia". Assim. Sem mais nem menos.

Claro que tivemos ausências. Mas justificadas a sério: houve quem fosse mandado para outro continente na antevéspera; houve quem não conseguisse alterar a rotação das viagens para estar cá, houve quem tivesse viagem marcada para uma semana depois e não tivesse possibilidades para pagar a diferença da alteração; houve quem não tivesse visto para vir...mas estas razões não são 'não-razões'.

Porque quem quer fazer-se presente, faz! Um dos  melhores presentes de casamento - o único que me fez chorar direto - veio do outro lado do Atlântico. E esteve comigo o dia todo, como ela estaria se tivesse estado e tivesse podido ser minha madrinha - que é! Houve telefonemas, mensagens, vídeos...houve tanta coisa vinda de quem queria estar connosco e não pôde por razões realmente válidas.

É que quando queremos, tudo conseguimos. E digo-vos, com a maior das sinceridades: as [felizmente] poucas pessoas que nos responderam que não iam "porque não vai dar" saíram para sempre da minha lista de interesses. Quando nem se dão ao trabalho de inventar uma desculpa que me pareça válida para não estarem no dia mais importante da minha vida...bom. Não merecem, realmente, o meu interesse.


1 comentário:

  1. O meu melhor amigo casa sábado do outro lado do Atlântico e eu tenho o coração apertado por não poder ir... Mas casar em NY a poucos dias do Ano Novo é financeiramente impossível. Como melhor amigo que é compreendeu perfeitamente (até porque em Agosto uma das nossas melhores amigas casou e ele também não pôde estar presente)... Odeio a distância que nos separa e nestes momentos ainda mais...
    Feliz Natal!

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