terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Silêncio



Estar em silêncio é uma necessidade. Que muitos ainda descuram, que têm dificuldade em enfrentar, mas uma necessidade básica humana. Estar em silêncio connosco é indispensável a uma vivência serena e completa de nós próprios; é como que um exercício de auto-conhecimento que deve ser praticado diariamente e que nos permite pensar e viver, serenamente, os tormentos e as alegrias do dia a dia.

O silêncio tem apenas uma característica que geralmente assusta e que é a grande responsável por muita gente ainda o não conseguir praticar: é um monstro. O silêncio exacerba as alegrias mas também as tristezas. Faz mais negro o sofrimento, mais dolorosa a tristeza e mais profunda a dor. 
Mas é nesse silêncio, nessa escuridão, nessa ausência de ‘inputs’ que conseguimos ouvir-nos sem interrupções. É nele que os nossos pensamentos, juízos e decisões tomam forma e legitimidade enquanto nossos.

Por isso é tão importante e necessário.

Às vezes, no meio da azáfama da semana, o silêncio é das únicas coisas que me permite manter a sanidade mental. Nesses dias, peço ao João para não jantar em casa. Para ma deixar vazia, em silêncio, nem que seja por duas horas. Pode parecer cruel para ele – que, sei-o, não o sente assim – mas na verdade não tem nada de crueldade. Tem muito de amor. Por mim. Por nós. Muitas vezes estamos somente em silêncio em pontas opostas da casa. E é tão maravilhoso.

Porque nesse silêncio eu aplacarei angústias, pensarei e arrumarei assuntos e ficarei melhor. Nesse silêncio, aquilo que sinto por ele aumenta, de tão bom. E quando ele regressar, eu serei melhor. Nós seremos melhores.

E também é de silêncio, da aceitação de silêncios, que se fazem as relações-de-uma-vida. Eu preciso de aceitar o dele como ele precisa de aceitar o meu [e quem diz silêncio diz roupa desarrumada, livros espalhados ou luzes acesas]

Porque se não podemos ser quem queremos e quem somos todos os dias, na casa que é suposto ser-nos abrigo e porto seguro, então o que somos e o que queremos ser? Que vida queremos para nós?

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