quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Até já.

Obrigada pelo colo, pelas bonecas, pelos mimos e pela alegria inesgotável. Por partilhar comigo os momentos mais importantes da vida. Obrigada pelo sorriso e pela vida cheia e longa. Pelas memórias já repetidas dos beijinhos que me dava quando eu. pequenina, ficava consigo dias e noites seguidos. Obrigada por me ter abençoado tantas vezes e conseguido afastar de mim tanto menos bem que por aí anda. Obrigada por ter sido a avó mais presente mesmo sendo só avó de coração. Até já. É um até já!

[Afinal viu-me casar. E eu sei o quanto isso foi importante. Para as duas.]

Sou

A adrenalina. A tensão a disparar é o cansaço a diminuir na proporção exacta do tempo a correr. Falar com pessoas. Falar com pessoas. Falar com pessoas. Contar-lhes a minha história e querer completá-la com a deles. Escrever. Escrever. Escrever.

E no final, não sentir que a adrenalina passou. No final, saber que o cérebro continuará a tentar encontrar uma forma de descobrir aquela ultima peça que tema em não aparecer. Para que a adrenalina não morra e a história não acabe.

É isto. Não o que eu faço. Mas o que eu sou. Que as vezes - obrigada país-amor - é também o que faço.

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Que bom!!

Sabemos que algo de estranho - e bom!, tão bom - se passa quando voltamos da natação e temos o jantar na mesa. E depois ele sai e eu fico a ver séries policiais.

O_o

:)

Morrer um bocadinho

Uma das coisas que me fazia mais feliz, quando vivia no Brasil, eram os sorrisos estampados no rosto. Saia de casa as 7h30, mais coisa menos coisa, e encontrava no meu Ônibus Pinheiros-Barra Funda, pessoas que já estavam ha duas horas em viagem. Não lhes faltava o sorriso.

Encontrava, a vender pão de queijo ou cocada no meio da rua, pessoas que viviam mal. Que passavam dificuldades. E cujo sorriso era aberto mesmo quando ninguém estava a olhar. A alegria de viver e a capacidade de dar bênçãos pelo que se tem sempre me fizeram sentir lá mais em casa do que aqui. A alegria e os sorrisos tornam mais leve o fardo da vida. É isso que se aprende todos os dias com aquele povo.

Em Portugal, é a ausência de sorrisos aquilo que mais me custa e que mais me mói. Todos os dias fico um bocadinho mais pesada, mais morta por dentro, com a ausência de sorrisos e as expressões pesadas das pessoas na rua. No metro. Nos autocarros. Todos os dias morro de medo de perder a capacidade de me alegrar com o tanto de bom que a vida me dá, razões mais do que suficientes para sorrir e ser feliz. De me tornar numa pessoa igual a estas, que as 8h já parecem ter em ai o peso de horas de sofrimento e da ausência de coisas boas.

Como estas pessoas que todos os dias passam por mim e que não percebem quão afortunadas são.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Drunfos

Eu também já fui do género de "ai que dor de cabeça que eu tenho, mas detesto tomar remédios". A sério. Não tomava quando tinha cólicas menstruais - e olhem que sofri -, quando tinha dores de cabeça a achava que curava todas as gripes com leite quente com limão.

Depois deixei-me de paranóias: se os remédios existem são para tomar. E se eu me sinto mal não vou deixar de os tomar porque 'fazem mal à saúde'. Ora..não era suposto fazerem bem? Bom, adiante. A verdade é que me irrita um bocado a teoria do "vou sofrer mais um bocado para ver se não tenho que tomar nada". Se me sinto mal, quero resolver o mal estar: se me dói a cabeça tomo um comprimido, se tenho alergias tomo um anti-histamínico, se me doem os tendões tomo um analgésico e um anti-inflamatório, se estou constipada tomo tudo o que a minha amiga enfermeira me permitir para curar. Boa?

Quando uma pessoa parte um pé também vai ao médico, correcto? Ignorar os sinais do corpo e forçá-lo a 'curar-se' sem ajuda é uma coisa um bocadinho parva. A minha mãe ainda hoje, ao almoço, confessou que estranhou eu ter ido à cama com uma violenta gripe na altura do Natal. Foi a primeira vez que faltei ao trabalho por causa de uma gripe. Porquê? Porque quando me sinto a ficar péssima encharco-me em remédios. Fungo, fico com sono, mas dou cabo dela antes que ela me meta na cama.

Tal como faço com dormir: não durmo há uma semana. Preciso de trabalhar. Mas não consigo dormir? Drunfos. Certinho. Fracos, indutores de sono apenas, às vezes, mas que me façam  dormir. Não vou 'não tomar porque não se deve'. Ora se eu não durmo vou enlouquecer de privação de sono e tentar ir trabalhar e depois de uns tempos ter um 'Horta-Osório'? [ah,  meus queridos colegas do economês, há quanto tempo não dizia isto! :)] E sim. Na minha carteira há, por norma, anti-histamínicos (por acaso tenho que ir ali comprar mais), ben-u-ron e brufen. Sempre.

Lamento. Em minha casa tomam-se remédios. Não são muitos. Não somos viciados. Mas tomam-se os necessários para que não nos sintamos mal. Para que sejamos saudáveis. Portanto, quem acha que eu sou uma fanática por medicação...tem razão. Sou! Tudo por uma vida mais confortável e sem dores. Vão por mim!




...and counting! :)

Na continuação do mood de 2013, e continuando sem férias, apostámos em mais um final de semana a dois...daqueles bons bons em que os telemóveis estiveram praticamente desligados, em que houve tempo para ler o jornal, para dormir, para conversar. Sobretudo para conversar conversas longas e para silêncios daqueles bons para o qual nunca constumamos ter tempo.


Dez anos depois voltei à Curia e mostrei o meu hotel favorito ao meu querido-companheiro-de-resto-de-vida. Tal como esperava, na celebração de mais um mês de casados, trocámos um daqueles olhares que adivinha que o meu-hotal-mais-querido nos vai receber mais umas quantas vezes.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Das coisas boas

Os amigos têm esta capacidade fantástica de nós fazerem sentir bem, bem, bem em qualquer altura. Uma das mega madrinhas foi comigo a um presente de outra das mega madrinhas e foi uma mega noite. Por isso é que os sorrisos se abrem e o tempo não passa: porque as coisas boas da vida ficam melhores quanto partilhadas com alguém de quem gostamos.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Frente e Verso | Happy Birthday



Frente | O aniversário da Lénia
Nasci num domingo de temporal. A maternidade esteve horas sem água e sem luz. Não me parece que seja grande motivo de comemoração. Fiz 18 anos numa terça-feira de carnaval e isto, parecendo que não, tira credibilidade a uma pessoa. Com um bocado de sorte, hei-de chegar aos 40 novamente numa terça de carnaval e, oh well, se uma pessoa chega à meia-idade nestas condições não se pode esperar muito, pois não?
Bom, eu adoro festas. Dos outros. Adoro pensar em festas, adoro tomar conta da cozinha para as festas dos meus miúdos. E, em tempos, gostei de celebrar o meu aniversário. Mas deixei-me disso. Não é por não aceitar a idade - os 35 estão a 20 dias de cá chegar e não me chateia nada. É mesmo por achar que não há nada a celebrar no que toca ao meu aniversário. Sim, faço anos, e depois? No big deal.
O meu dia de aniversário ideal inclui um almoço em casa dos meus pais, uma tarde de cinema sozinha (adoro ir ao cinema sozinha, sabiam?), um jantar normal em casa. Fim de história. Dispenso bem os telefonemas de aniversário e não levo a mal quem não me liga (aliás, cá bem no fundo até agradeço!) - normalmente a coisa concentra-se à hora de jantar e se há uns anos me era indiferente, agora não é bem assim porque tenho crianças pequenas para alimentar e não consigo estar com atenção aos telefonemas se os estou a mandar engolir a sopa.
Dos meus aniversários todos que celebrei "condignamente" (i.e., com um jantar de amigos), o único que me ficou na memória foi o dos 27 anos. Tinha acabado de fazer a minha tatuagem, estava super-feliz, juntei os amigos todos num restaurante japonês e foi fabuloso. Agora não faria sentido reunir amigos, obrigar toda a gente a gastar dinheiro só para comemorar o meu aniversário. Acho mesmo que estas coisas têm prazo de validade e o meu expirou no meu 27º aniversário (curiosamente ou não, foi o meu último jantar de aniversário assim, com uma data de amigos. Depois voltei a fazer um micro-jantar quando fiz 30 anos, mas este juntei com o aniversário do marido - fazemos anos com 11 dias de diferença - e fomos jantar só com os nossos melhores amigos mesmo, coisa pequena e muito familiar).
Não tenho saudades de festas de anos minhas. Tenho é saudades de ir ao cinema à tarde, sozinha. E isso é o que vai servir de comemoração dos meus 35, que estão já ali ao virar da esquina.

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Só temos uma vida.

Um sucesso pode trazer dinheiro, reconhecimento e aplauso. Depois, logo logo a seguir, vemos que afinal não era isso. O vazio que temos não desapareceu.
A seguir ao espectáculo vou para casa, sento-me na cozinha a beber um leite e o vazio está cá dentro. 


Afinal aquilo que falta para sermos felizes não tem a ver com reconhecimento, nem auto-estima, nem dinheiro. Trata-se doutra coisa. Isto, juntamente com os altos e baixos da minha vida encurtou-me o caminho para chegar ao tal tesouro que todos temos dentro de nós, mas que apesar de o apregoar, continuo a achar que não o tenho, que não o mereço ou que sou uma fraude.
 

Eu, Marta, sem maquilhagem, estou a precisar de falar nisto à margem do mediatismo e do mundo do espectáculo. Aqui, pouco importa se vão três pessoas ou 300. E é só para estranhos, que é com quem consigo certa espécie de intimidade.
 

Conversas que podem eventualmente motivar quem quer ser melhor pessoa e para quem quer ser feliz. Só temos uma vida. Uma.

[Aqui]

Sim. Estamos em modo Marta Gautier. Porque estamos em modo-a-meio-desta-caminhada. Dia 12 há mais. <3

Vazio

"Normalmente o homem sente-se vazio, oco. Essa é sua amargura.
Ele quer se encher, por isso vive se entupindo de comida, sexto. álcool, dinheiro, coisas, todos os tipos de tranqueiras que a tecnologia lhe oferece.
Mas permanece o vazio interior, e ele continua vazio como sempre.
Na verdade, você começa a se sentir assim quando está cercado de toda espécie de coisas.
Em contraste , seu interior parece muito pobre,
A busca por dinheiro, poder e prestígio tem o objetivo básico de criar um plenitude de ser, mas é uma direção errada.
Não é assim que alguém se torna pleno.
O caminho para se tornar pleno é por meio do amor, da oração, da graça.
Só há um jeito de você se tornar pleno: impregnar-se de Deus, estar disponível a Deus e a toda a sua glória e esplendor...
Ame a existência e você ficará pleno.
Ame incondicionalmente e você transbordará.
E o momento em que uma pessoa transborda é o momento de ela ir para casa. Ela chegou.
A satisfação é tremenda".

[Osho] 


A T. ofereceu-me o bilhete de presente de Natal e ontem lá fui, à espera do que seria este "O que farias se não tivesses medo?". Ao contrário da peça "Vamos lá entender as mulheres...mas só um bocadinho", isto não é uma comédia. É uma viagem interior que acontece entre a Marta Gautier e o público que a ouve. Descrição de uma viagem que ela já iniciou e que convida todos a fazerem: a da descoberta de quem somos, de como podemos enfrentar o mundo nessa sinceridade, de como a vida melhora se formos quem queremos ser ao invés de quem o mundo espera que sejamos.

São duas horas de duras revelações e de sorrisos semi-abertos quando nos identificamos com algum dos episódios descritos. "Todos temos traumas".E quando havia pessoas a abandonar a sala, o remate era simplesmete: "Não faz mal. Há pessoas que não estão prepradas para ouvir isto. Há quem só comece a questionar-se aos 70 anos".

A viagem continua no dia 12, num Teatro que deve estar a 24 horas de esgotar, novamente. E eu conto fazer mais um bocadinho do caminho. Que pode ser duro, mas saímos de lá tão mas tão mais leves e mais certos do que caminho que escolhemos... :)



 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Wish of the day #2

Imagem retirada da Internet

Estes sapatos Sophia Webster. Que ficavam lindamente no meu armário. Lin-da-mente. E ainda melhor nos meus pés :)

Daqui

Esmalteeeees!!


Nestas alturas a internet torna-se um problema para a minha carteira. As cores são mega. Me-ga!!E a culpa, para variar, é do Nuno que não pára me espicaçar!!


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ninguém disse que era fácil.

Ninguém te disse, jamais, que era fácil. As pessoas gostam muito de fazer parecer que são só facilidades, mas não são. Nós sabemos que não só. Por exemplo, os meus pais levam quarenta anos disto e garantem: não é fácil. Como tudo o que vale a pena, nunca o pode ser.

26.04.2013
O problema - ou a grande vantagem - é o facto de serem duas pessoas. E isso muda tudo. De repente a vida passa de um para dois que têm que ser apenas um, e isso exige um esforço do caraças. Porque de repente a toalha da mesa está posta ao contrário, os sapatos andam aos trambolhões e as contas que afinal iam ser divididas por dois estão a pender mais para um lado do que para o outro.

De repente as lágrimas passam a ser partilhadas e os abraços e as alegrias também, só que nem sempre se vê a vantagem disso. Porque inevitavelmente o egoísmo fala mais alto em 20 das 24 horas do nosso dia, e preferimos ver tudo aquilo que fazemos sem nos lembrarmos do que o outro também dá de si. Parece sempre menos. Sempre menor.

"Os problemas não diminuem com o casamento. Todos eles aumentam". A frase é da minha mãe e eu repito-a incessantemente sempre que se fala de casamento. Nem têm que ser os problemas a sério. Mas as coisas que nos aborrecem. A desarrumação. A falta de cuidado de entrar com os pés sujos e espezinhar a casa inteira depois de a senhora ter limpado tudo. A roupa mal dobrada. A cama por fazer. As chaves na mesa da sala. Quem é que faz o jantar hoje? E quem leva o lixo?

Mas também é disto que é feito um casamento. Não é? - pergunto eu, que me iniciei nisto há demasiado pouco tempo para poder ter uma opinião válida sobre o assunto. O dia é muito bonito. A escolha do vestido, do espaço, da decoração da Igreja, da Quinta, do fotógrafo...mas é isso mesmo. Um dia. E esse dia não é o resto das nossas vidas que, acreditem, exige muito mais de nós que um dia que já exige tanto.

Ninguém disse que era fácil. E não é. Mas é por isso que é importante. Muito mais importante que nós, sozinhos. Por isso, também, não se desiste à primeira contrariedade. Nem à segunda. Nem à terceira. Porque se é isto que nos dá sentido, se é isto que nos faz ser melhores, amar mais, ser pessoas mais realizadas, merece o nosso esforço. Todo e mais algum. Merece que aumentemos o grau de tolerância, esqueçamos o cansaço, peçamos desculpa e ouçamos a outra parte.

Merece respeito, por cada um e pelo que se construiu. Isso é o mínimo que se pode exigir a alguém que decidiu entregar a sua vida a outra pessoa. Porque desse mínimo poderá nascer algo absolutamente fabuloso. Para a vida toda.

[Chill out. O nosso casamento está fabuloso ;)]



Da vida

É agora ou nunca :)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

[Os nossos] Amigos

Nós não temos muitos amigos. Muitos, tipo dezenas. Não temos. Também não temos um grupo de amigos, como muita gente. Daquele género de sermos 30 e estarmos sempre juntos. Às vezes tenho pena. Mas temos vários amigos, muito diferentes, que fazem um grupo fantástico. Que nem sempre se junta porque a vida é mesmo assim, e as pessoas são tão diferentes que eventualmente nos encontramos nos aniversários e pouco mais que nem toda a gente tem conversa para toda a gente :)

Os nossos amigos vêm dos mais variados lugares, vidas, hábitos e culturas. E é isso que os torna tão especiais na nossa vida. Alguns tiveram uma infância parecida com as nossas. Outros são tão diferentes que às vezes pensamos em como a vida nos juntou de forma tão curiosa.

Os nossos amigos são, obviamente, os melhores, porque são nossos. Mesmo que uns saiam das nossa vida, outros entrem em alturas em que nunc imaginaríamos ser possível, outros regressem depois de uns anos longe, outros nunca voltem e outros fiquem. Os nossos amigos - que nos enchem de boas energias, cujos olhos brilham a cada sucesso nosso como se fosse deles, os que sentem connosco as perdas e as vitórias - são ótimos amigos. Mesmo quando estão algum tempo longe, mesmo quando não têm tempo, mesmo quando vivem fora do país.

Os nossos amigos são os melhores porque aprendemos a rodearmo-nos de quem nos quer bem. Somente. E isso é o que faz toda a diferença numa vida.


domingo, 19 de janeiro de 2014

Note to self #2

Não gosto do pessimismo. Do 'vai-se andando' constante. Não gosto da 'chico-espertice' nem do egoísmo que toda a gente teima em sentir. Não gosto da tacanhez que faz com que 10 milhões de pessoas não entendam que 'roubar ao Estado' ["porque são todos uns ladrões"] é roubar a cada um de nós um pedaço cada vez maior de salário, de poder de compra, de descanso, de vida.

Não gosto de que precisemos de oferecer carros em trocas de faturas, porque isso foi o que foi feito em países de terceiro mundo há 6 ou 7 anos. E isso coloca-nos no mesmo patamar que eles. No patamar dos ignorantes. Que não o fazem se não for pelo puro egoísmo de receber algo palpável em troca. Porque não percebemos que pedir fatura pode ser baixar os impostos.

Não gosto da dramatização de tudo - eu, a drama queen. "Este país mandou o meu filho para fora". "Este país não cumpre os seus deveres". "Vamos sair do euro" - como se pudéssemos. "Vamos expulsar a troika". "Vamos sair da UE"...enfim. É um vamos fazer tudo mas não fazemos coisa alguma porque é de pessoas assim que o país é feito: o metro faz uma greve por semana sem perceber que com isso só está a diminuir os custos do Estado (good for us) porque as despesas de manutenção e salários baixa mas o dinheiro dos passes mensais já entrou. Fazemos pausas de doze minutos nas escolas porque o ministro "falou mal das escolas durante 12 minutos" - seriously??

Não gosto deste país que cada vez sinto menos como meu. E já nem me preocupo com o facto de alguém que não português diga mal de Portugal. Porque os portugueses não gostam deste país. Gostam de dar cabo da vida uns dos outros, gostam de roubar o Estado (portanto, o vizinho do lado), gostam de ficar com o maior pedaço do que quer que seja porque não fomos feitos para trabalhar e ser melhores. Fomos feitos para ter mais. Não importa como. Isto é ser português: desdenhar de quem tem sucesso, acusar essa mesma pessoa de 'sorte' ou 'cunhas' e nem nos passar pela cabeça que pode ser só trabalho.

E isso entristece-me. Verdadeiramente. Entristece-me e faz-me ter vontade nenhuma de viver aqui.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mensagem

Um dos meus poemas favoritos continua a ser 'O Mostrengo', de Fernando Pessoa. Presumo que toda a gente conheça.Começa assim:
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar...
 
O poema faz parte do livro 'A Mensagem', que é também um dos meus favoritos do Sr. Pessoa - eu sou muito mais ortónimo que os heterónimos são demasiados estranhos para mim. Seja como for. No outro dia fui até ao Restaurante Mensagem, no Altis de Belém. E foi bom. A sério que foi bom.  Mas não foi bom o suficiente para o que se paga.

O menu executivo custa 35 euros, ao almoço. A comida estava bem confeccionada - sobretudo o lombo de porco com puré de maçã e batatas gratinadas. A salada também era boa e o vinho da casa muito agradável - tanto o branco como o tinto. O probleam foi quando chegou a sobremesa. Uma tarte de maçã com creme que podia estar ótima mas estava só muito enjoativa. O que é uma pena. O lugar é lindo, a vista também - mesmo em dias maus - e o serviço impecável.
Mas 35 euros por uma refeição -pre-definida -com entrada, prato principal e sobremesa é caro se tudo isto não estiver impecável.

Já aqui disse várias vezes que é uma pena em Lisboa ser tão caro comer boa comida. O Altis de Belém é uma boa aposta, mas parece-me que demasiado pretensioso. Da última vez que lá tinha ido, as sobremesas eram ótimas. Uma pena. Porque certamente preferirei outro lugar, numa próxima.

O melhor do meu dia | Nadar

Já foi o melhor do meu dia há duas semanas. Voltou a ser o melhor do meu dia ontem. Fiz mais duzentos metros que nas primeiras vezes, senti-me ainda melhor e não me dói um músculo. Lavei a alma e entreguei-me à leveza que só a água permite. Hoje, depois de acordar com o mundo a querer cair em cima das nossas cabeças, senti-me abençoada por ter uma relação tão boa com a água. Sem tanto medo. Com mais entrega. Que o melhor do meu dia duas ou três vezes por semana continue a ser o cumprimento da minha resolução de ano novo!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Frente e Verso | Tatuagens



FRENTE | A tatuagem da Lénia

Era uma vez uma miúda que queria muito ter uma tatuagem. Não, não é a minha história. Eu nunca quis muito ter uma tatuagem mas cheguei a uma altura da minha vida em que achei que fazia todo o sentido. Decisão tomada: vou fazer uma tatuagem. Só que entre decidir fazer e efectivamente fazer passaram-se anos. Foi o tempo que demorei a descobrir o que queria tatuar e onde.
Tramp-stamps estavam fora de questão, apesar de serem a grande moda na altura em que fiz a minha. 

Mas, quer dizer, ter uma tatuagem que é meio caminho andado para me fazer ficar parecida com uma máquina de flippers não é para mim.
(Uma vez vi uma rapariga que tinha o seu próprio nome tatuado ao fundo das costas... pois, não ajudou a que eu passasse a achar graça ao sítio!)

A minha tatuagem teria que obedecer a vários critérios que não eram negociáveis (embora o “negócio” fosse só comigo): tinha que ser uma coisa que me dissesse algo muito profundo, tinha que ser uma coisa da qual eu não viesse a fartar-me e tinha que estar num sítio que eu não fosse obrigada a ver constantemente. Portanto dei-me tempo para descobrir o que queria tatuar e, quando soube, pus pés ao caminho e fui ao único sítio que me inspirou confiança. Tatuei numa tarde de chuva. Levava os kanji (google it) que queria tatuar e uma ideia do que queria à volta. Falei com o tatuador que me atendeu e ele percebeu na hora o que eu queria. Desenhou directamente na minha pele e eu soube que era mesmo aquilo. Saí de lá com um ombro enfaixado mas feliz da vida. Tinha a certeza de que aquela relação era para sempre.

Passaram 8 anos. Nunca, em momento algum, me arrependi da minha tatuagem. O que ela quer dizer continua a fazer todo o sentido para mim. O sítio onde ela está continua a ser o meu preferido. Acontece que, entretanto, resolvi que quero fazer outra tatuagem – coisa que só ainda não fiz porque as tatuagens não são propriamente baratas. Mais uma vez, tenho a certeza absoluta de que nunca vou mudar de ideias em relação a esta futura tatuagem. E gosto da ideia.

Claro que há por aí muitas tatuagens de bradar aos céus. Nisto, como em muitas outras coisas, acho que a maturidade é essencial. Não me passaria pela cabeça fazer uma tatuagem aos 15 anos (como muitas miúdas fazem... aquelas que tatuam o nome do Justin Bieber, por exemplo. Se eu tivesse feito uma tatuagem aos 15 anos era provável que hoje em dia tivesse que viver com um New Kids On The Block algures na minha pele e... no way!!). Não me passaria pela cabeça tatuar o nome de um namorado, por muito que, na altura, gostasse dele e achasse que era para sempre (tanto não era que só conheci o meu marido aos 19 anos). Não acho graça a tatuagens com coisas óbvias: os nomes dos filhos, por exemplo. Assim, no geral, gosto de tatuagens bem feitas, elegantes, que não estejam todas borradas e que não incluam coisas como golfinhos.

Uma tatuagem serve para acrescentar beleza e nunca para retirar... mas há muitas que funcionam ao contrário e destroem completamente o que poderia ser bonito. Portanto, o meu conselho é: se têm dúvidas, não façam nada! O mais certo é arrependerem-se e depois é um carnaval para eliminar o desastre!

[Eu não tenho tatuagens. E duvido de que algum dia vá ter. Explico tudo aqui, no blogue do lado :)]

Primeira vez

 "Nos tempos que se seguiram – foram anos, na verdade – parecia que nunca mais coisa alguma voltaria a ser como antes. Que ninguém se comparava, que nada trazia tanta alegria. Que o mundo já não tinha tanta graça e que o coração nunca voltaria a sarar do sofrimento da perda."

Todo o texto aqui, no regresso à Farmácia de Serviço :)


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Obrigada!

É uma chatice. Um manancial de burocracias que nunca mais acaba: primeiro, confirmar que não enlouquecemos e refazer os passos anteriores. Perguntar se têm mesmo mesmo a certeza de que não está lá. Depois é ir ao banco e gastar um balúrdio e várias assinaturas para garantir que ninguém nos vai desfalcar.

Neste momento temos lágrimas nos olhos e as mãos a tremer de nervos mas não desmontamos, que uma pessoa nunca sai do salto mesmo que o mundo queira cair. Mais três assinaturas e agora vá ja ali abaixo e depois não se esqueça de cá voltar. E nós vamos. A pé para libertar energias e para nos prepararmos para a hora que passamos sentados num lugar onde só se ouve Ronaldoooooo  e a seguir as novelas portuguesas-de-meter-nojo.

Começamos a descontrair quando percebemos que não somos os únicos e que realmente há coisas muito piores na vida. Afinal, eu até precisava de trocar algumas coisas e renovar outras, não era? E não apregoei no Facebook que tinha que me controlar nos saldos?

Papel na mão e saímos para regressar ao banco, fotocópia tirada e uma tarde de trabalho passada entre os nervos que afinal ainda persistem, quarenta emails e mais trinta e cinco telefonemas que isto é uma confusão que ninguém entende. E é urgente ainda por cima - valha-me uma família desenrascada que me faz sentir que tenho oito braços e que resolvem coisas por mim. Obrigada :)

Depois vamos para casa e não conseguimos falar que a garganta aperta-se quando se pensa na chatice e no dinheiro que é isto tudo. Passa-se uma noite cansada, exausta, até perceber que realmente não vale a pena. O que não tem remédio, remediado está!, já dizia a Caroline Ingalls. Além disso, como diz o Giz, é mega estrear coisas novas. Dá-nos uma sensação de renovação maravilhosa e até parece que o mal está bem e pronto que já passou!

E portanto, só tenho a dizer ao senhor que me furtou a carteira que espero que se divirta a fazer palhetas com os meus cartões, uma vez que já estão todos cancelados. Também espero que seja muito feliz com o Santo Expedito que levou e com os dólares que lá estavam dentro. Gostaria ainda de acrescentar que foi uma grande ajuda, uma vez que realmente eu preciso de resistir à nova colecção [linda!] de sapatos da SJP e efetivamente já andava para trocar a Carta de Condução há um tempo.

Só lhe pedia se me devolvia os dois cartões azuis que estavam lá dentro: é que realmente ainda tinha umas compras para fazer no Continente com esse saldo acumulado. Se puder ser...agradecida :) Pode entregar na morada que está nos cartões profissionais.

Muito grata.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Frente e Verso: Saldos



Frente | Lénia
Saldos: aquelas épocas do ano em que aproveito para comprar roupa para os miúdos. Para o ano seguinte. A roupa de criança não é cara. Ou antes: a roupa de criança que eu compro não é cara - que eu não dou para o peditório da roupa de ir à missa, como tão bem sabe quem já me conhece. Mas, mesmo assim, prefiro comprar as coisas com um ano de antecedência, a metade do preço normal. Ah, a moda... What? Moda?? São miúdos! Jeans, camisolas de malha, longsleeves de algodão, t-shirts, leggings, calções - não tem nada que ver com moda! Os temas infantis são mais ou menos sempre os mesmos: bonecada, umas frases avulsas, manchas de cor. Os modelos são tão básicos que estão sempre na moda - e mesmo que não estejam, acreditem, não quero nem saber!
Não aproveito os saldos para comprar coisas melhores, como faz a Margarida. Aproveito mesmo para comprar o que vai fazer falta, dali a um ano. Por isso compro sempre tamanhos acima do que eles vestem agora - e mesmo que ainda vistam este ano as coisas novas, se tiver que dobrar mangas, dobro, se tiver que fazer dobras nas calças, faço. Eles não ligam nenhuma ao facto de usarem roupa que lhes comprei há um ano, na verdade. Já fiz compras maravilhosas em saldos, sempre nas lojas que frequento. As minhas melhores amigas são a Zippy, a C&A, a Primark e a Zara (sendo que a Zara só serve mesmo em época de saldos e só para as coisas que faço questão de serem melhores, nomeadamente calçado). Na Primark não aproveito grande coisa dos saldos porque, bom, aquilo já é sempre baratíssimo, não dá para "saldar" por aí além. Nas outras sim.
Então e para mim? Hummm... pois, não. É raríssimo comprar coisas nos saldos e quando compro é mesmo porque a coisa está muito barata. Felizmente, não preciso de comprar calças clássicas, nem camisas nem casacos. As malas são reles e vão aguentando enquanto não se desfazem - e quando se desfazem são substituídas por outras malas igualmente reles (e já lá vai o tempo em que eu trocava de mala para combinar com a roupa; agora ando sempre com a mesma: uma pequenina, de usar a tiracolo, onde só me cabem os documentos do carro, o porta-moedas, o telemóvel, as chaves de casa e do carro). As botas de pele foram compradas há 3 anos, por acaso fora dos saldos porque foram prenda de Natal - ainda há coisa de um mês se estragou um fecho e eu... mandei substituir.
Há uns anos - ou melhor, até há quatro anos -, eu era menina para alinhar a sério nisto dos saldos: aproveitava as horas de almoço para ir às minhas lojas e fazia compras conforme me apetecia. Não planeava grande coisa: comprava o que me fazia falta e que estava a bom preço. Sei que fiz bons investimentos porque ainda hoje uso essas peças (e as que não uso é porque deixaram de me servir!). Mas sou incapaz de dizer que, se pudesse, hoje em dia aproveitava os saldos para investir em mim. Por uma razão: porque não preciso. Tenho mais roupa do que a que consigo usar e, na verdade, o que me apetece mesmo é ver-me livre de uma data de peças. Se tudo correr bem, acontecerá em breve...

Está tudo bem!

Eu sei que Janeiro é um mês difícil. Sempre foi. Janeiro é o mês em que acontecem montes de coisas, como que a ver se nós estamos prontos para enfrentar o ano que agora começa. Mas não tem problema :) Estou pronta para si, querido 2014. Que pode ser difícil, mas aposto que vai ser maravilhoso. Portanto, venha a primeira contrariedade. Que eu trato dela com um sorriso nos lábios e a cantarolar Florence + the Machine.

"And the only solution was to stand and fight!" :)

Parabéns! :)

Eram nervos. Da última vez que estivemos juntas, toda tu eram nervos. Normais. Os nervos de quem sabe que está a tomar decisões para a vida. De quem sabe o que não quer, ainda que possa estar ainda à procura do que quer. Toda tu eram nervos e as tuas mãos e os teus olhos não mentiam, porque tu sabes que eu sei quando tu és toda nervos. Sobretudo porque quase não acontece.

Tu raramente te deixas toldar pelos nervos – para o bem e para o mal. Mas o ano que passou, os teus 28, foram mega. O ano que passou mostrou-te uma vida que ainda não tinhas vivido. Foste uma corajosa, deixaste para trás um monte de coisas seguras que foste conquistando ao longo dos anos, e atravessaste, de malas e bagagens, um oceano que pode assustar a quem não tem garra, como tu.
Foste conquistar o teu lugar ao sol fora da tua zona de conforto.Foste descobrir que continuas a ser mega e talvez ainda melhor se não tiveres toda uma envolvente que te suporta mas também te retrai.

Os teus 28 foram fantásticos. E eu tenho a certeza de que os teus 29 também vão ser. E tenho o maior orgulho em te acompanhar nesta viagem de vida, que para nós, juntas, começou no outro dia, mas que acredito que vai durar para sempre.

Parabéns, meu querido par de mãos. Parabéns e um mega beijo. Do tamanho deste Oceano que nos separa. E obrigada por me fazeres uma pessoa melhor :)*

[Post publicado originalmente aqui]
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