quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Frente e Verso | Tatuagens



FRENTE | A tatuagem da Lénia

Era uma vez uma miúda que queria muito ter uma tatuagem. Não, não é a minha história. Eu nunca quis muito ter uma tatuagem mas cheguei a uma altura da minha vida em que achei que fazia todo o sentido. Decisão tomada: vou fazer uma tatuagem. Só que entre decidir fazer e efectivamente fazer passaram-se anos. Foi o tempo que demorei a descobrir o que queria tatuar e onde.
Tramp-stamps estavam fora de questão, apesar de serem a grande moda na altura em que fiz a minha. 

Mas, quer dizer, ter uma tatuagem que é meio caminho andado para me fazer ficar parecida com uma máquina de flippers não é para mim.
(Uma vez vi uma rapariga que tinha o seu próprio nome tatuado ao fundo das costas... pois, não ajudou a que eu passasse a achar graça ao sítio!)

A minha tatuagem teria que obedecer a vários critérios que não eram negociáveis (embora o “negócio” fosse só comigo): tinha que ser uma coisa que me dissesse algo muito profundo, tinha que ser uma coisa da qual eu não viesse a fartar-me e tinha que estar num sítio que eu não fosse obrigada a ver constantemente. Portanto dei-me tempo para descobrir o que queria tatuar e, quando soube, pus pés ao caminho e fui ao único sítio que me inspirou confiança. Tatuei numa tarde de chuva. Levava os kanji (google it) que queria tatuar e uma ideia do que queria à volta. Falei com o tatuador que me atendeu e ele percebeu na hora o que eu queria. Desenhou directamente na minha pele e eu soube que era mesmo aquilo. Saí de lá com um ombro enfaixado mas feliz da vida. Tinha a certeza de que aquela relação era para sempre.

Passaram 8 anos. Nunca, em momento algum, me arrependi da minha tatuagem. O que ela quer dizer continua a fazer todo o sentido para mim. O sítio onde ela está continua a ser o meu preferido. Acontece que, entretanto, resolvi que quero fazer outra tatuagem – coisa que só ainda não fiz porque as tatuagens não são propriamente baratas. Mais uma vez, tenho a certeza absoluta de que nunca vou mudar de ideias em relação a esta futura tatuagem. E gosto da ideia.

Claro que há por aí muitas tatuagens de bradar aos céus. Nisto, como em muitas outras coisas, acho que a maturidade é essencial. Não me passaria pela cabeça fazer uma tatuagem aos 15 anos (como muitas miúdas fazem... aquelas que tatuam o nome do Justin Bieber, por exemplo. Se eu tivesse feito uma tatuagem aos 15 anos era provável que hoje em dia tivesse que viver com um New Kids On The Block algures na minha pele e... no way!!). Não me passaria pela cabeça tatuar o nome de um namorado, por muito que, na altura, gostasse dele e achasse que era para sempre (tanto não era que só conheci o meu marido aos 19 anos). Não acho graça a tatuagens com coisas óbvias: os nomes dos filhos, por exemplo. Assim, no geral, gosto de tatuagens bem feitas, elegantes, que não estejam todas borradas e que não incluam coisas como golfinhos.

Uma tatuagem serve para acrescentar beleza e nunca para retirar... mas há muitas que funcionam ao contrário e destroem completamente o que poderia ser bonito. Portanto, o meu conselho é: se têm dúvidas, não façam nada! O mais certo é arrependerem-se e depois é um carnaval para eliminar o desastre!

[Eu não tenho tatuagens. E duvido de que algum dia vá ter. Explico tudo aqui, no blogue do lado :)]

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