terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Morrer um bocadinho

Uma das coisas que me fazia mais feliz, quando vivia no Brasil, eram os sorrisos estampados no rosto. Saia de casa as 7h30, mais coisa menos coisa, e encontrava no meu Ônibus Pinheiros-Barra Funda, pessoas que já estavam ha duas horas em viagem. Não lhes faltava o sorriso.

Encontrava, a vender pão de queijo ou cocada no meio da rua, pessoas que viviam mal. Que passavam dificuldades. E cujo sorriso era aberto mesmo quando ninguém estava a olhar. A alegria de viver e a capacidade de dar bênçãos pelo que se tem sempre me fizeram sentir lá mais em casa do que aqui. A alegria e os sorrisos tornam mais leve o fardo da vida. É isso que se aprende todos os dias com aquele povo.

Em Portugal, é a ausência de sorrisos aquilo que mais me custa e que mais me mói. Todos os dias fico um bocadinho mais pesada, mais morta por dentro, com a ausência de sorrisos e as expressões pesadas das pessoas na rua. No metro. Nos autocarros. Todos os dias morro de medo de perder a capacidade de me alegrar com o tanto de bom que a vida me dá, razões mais do que suficientes para sorrir e ser feliz. De me tornar numa pessoa igual a estas, que as 8h já parecem ter em ai o peso de horas de sofrimento e da ausência de coisas boas.

Como estas pessoas que todos os dias passam por mim e que não percebem quão afortunadas são.

1 comentário:

  1. Hoje vinha a pensar que ia chegar e encontrar a alegria dos cemitérios. É uma pena...

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