terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ninguém disse que era fácil.

Ninguém te disse, jamais, que era fácil. As pessoas gostam muito de fazer parecer que são só facilidades, mas não são. Nós sabemos que não só. Por exemplo, os meus pais levam quarenta anos disto e garantem: não é fácil. Como tudo o que vale a pena, nunca o pode ser.

26.04.2013
O problema - ou a grande vantagem - é o facto de serem duas pessoas. E isso muda tudo. De repente a vida passa de um para dois que têm que ser apenas um, e isso exige um esforço do caraças. Porque de repente a toalha da mesa está posta ao contrário, os sapatos andam aos trambolhões e as contas que afinal iam ser divididas por dois estão a pender mais para um lado do que para o outro.

De repente as lágrimas passam a ser partilhadas e os abraços e as alegrias também, só que nem sempre se vê a vantagem disso. Porque inevitavelmente o egoísmo fala mais alto em 20 das 24 horas do nosso dia, e preferimos ver tudo aquilo que fazemos sem nos lembrarmos do que o outro também dá de si. Parece sempre menos. Sempre menor.

"Os problemas não diminuem com o casamento. Todos eles aumentam". A frase é da minha mãe e eu repito-a incessantemente sempre que se fala de casamento. Nem têm que ser os problemas a sério. Mas as coisas que nos aborrecem. A desarrumação. A falta de cuidado de entrar com os pés sujos e espezinhar a casa inteira depois de a senhora ter limpado tudo. A roupa mal dobrada. A cama por fazer. As chaves na mesa da sala. Quem é que faz o jantar hoje? E quem leva o lixo?

Mas também é disto que é feito um casamento. Não é? - pergunto eu, que me iniciei nisto há demasiado pouco tempo para poder ter uma opinião válida sobre o assunto. O dia é muito bonito. A escolha do vestido, do espaço, da decoração da Igreja, da Quinta, do fotógrafo...mas é isso mesmo. Um dia. E esse dia não é o resto das nossas vidas que, acreditem, exige muito mais de nós que um dia que já exige tanto.

Ninguém disse que era fácil. E não é. Mas é por isso que é importante. Muito mais importante que nós, sozinhos. Por isso, também, não se desiste à primeira contrariedade. Nem à segunda. Nem à terceira. Porque se é isto que nos dá sentido, se é isto que nos faz ser melhores, amar mais, ser pessoas mais realizadas, merece o nosso esforço. Todo e mais algum. Merece que aumentemos o grau de tolerância, esqueçamos o cansaço, peçamos desculpa e ouçamos a outra parte.

Merece respeito, por cada um e pelo que se construiu. Isso é o mínimo que se pode exigir a alguém que decidiu entregar a sua vida a outra pessoa. Porque desse mínimo poderá nascer algo absolutamente fabuloso. Para a vida toda.

[Chill out. O nosso casamento está fabuloso ;)]



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