domingo, 2 de fevereiro de 2014

Até já #2

Não é a morte. Sabemos que ela acontece assim estejamos vivos, sabemos que será o fim em si mesmo de uma vida cheia. Da nossa. Daqueles que nos rodeiam.

Não é a morte nem o processo que ela implica que mais dói. Na verdade, também não é a ausência. Porque a ausência é, ela mesma, ausente, pelo que nos não pode fazer sentir coisas. O que mais dói são as memórias. E as saudades. As memórias que cresceram connosco, que nos fizeram assim, como somos, e que sabemos que nunca mais se poderão repetir. Nem poderão ser partilhadas a duas.

As memórias, essas sim, doem e fazem chorar e deixam-nos o peito contrito e os olhos marejados porque foram tão boas que tememos esquecermo-nos delas. Porque agora já não há quem no-las recorde. Agora já não há com quem partilhar - e toda a gente sabe que memórias partilhadas são memórias aumentadas.

Não, não é a morte que dói. Nem a ausência. São as memórias que nos amarram e nos toldam e nos deixam assim, tristes sem saber porquê. As memórias são o que de melhor ficam de uma vida tão boa porque partilhada desde sempre.

Até já, 'avó'. Obrigada pela vida cheia.

[ontem, enquanto pintava as unhas, ria-me ao recordar da única pessoa que me podia ter incutido este vício...nunca mais lhe pintarei as unhas de roxo ou de rosa chock. mas nunca mais esquecerei que era a sua melhor seguidora no que a vernizes diz respeito. Obrigada*]

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