quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Frente e Verso | Acampar



Frente | A Lénia não gosta de acampar
Quando eu era pequena, os meus tios tinham uma tenda no Parque de Campismo da Praia Grande. De vez em quando levavam-me com eles para passar o fim-de-semana e era a loucura. Estava quase sempre mau tempo (chuva e frio, tudo o que é preciso para grandes dias de praia... not!), mas nós (eu e os meus primos) arranjávamos o que fazer. Éramos todos pequenos e a independência era nula pelo que os programas se circunscreviam aos arredores da tenda e, na loucura, a idas ao mini-mercado que ficava dentro do parque. Ainda assim, tínhamos sempre com o que nos entreter e era bom.
Para aí no meu terceiro ano de Faculdade, fazia eu parte da Associação de Estudantes, resolvemos organizar um fim-de-semana radical. Aquilo incluiu provas de orientação, slide, rapel, escalada, canoagem e tendas montadas em cima de raízes - condições dignas de uma selva qualquer. Naquela altura queria eu lá bem saber do conforto!! Queria era ir passar o fim-de-semana fora, arejar e passar tempo de qualidade com o namorado, que também era da Associação.
Depois disto, já adulta, acampei uma vez no Sudoeste, por altura do Festival. A tenda, mínima, dividida com uma amiga, servia para guardar tralha e para dormir umas três horas, entre o fim dos concertos e a hora a que já era impossível estar dentro da tenda, tal era o calor.
E se no Parque da Praia Grande as condições eram boas (no que toca a balneários e afins), no Sudoeste estavam nos antípodas disto. Duches a metro, com umas 50 pessoas de cada vez a tomar banho, sanitários intransitáveis, filas enormes para tudo. Um horror. Mas não me preocupei muito com isso: estava lá para ver os concertos e o resto era secundário.
Hoje não me apanham num parque de campismo a não ser de visita. Quer dizer, enquanto os meus filhos não implorarem e me obrigarem a levá-los a acampar, a coisa está calma. Mas há-de haver um dia em que vou bater com os costados num alvéolo qualquer. E hei-de gostar - ou, vá, tolerar o acontecimento, em nome da alegria dos miúdos. Mas se eles não insistirem eu também não lhes vou dar a ideia, percebem?
O que é que não me agrada no campismo? A bicharada. O calor abrasador dentro da tenda, a partir do nascer do sol (ou as chuvadas torrenciais, se for caso disso). As deslocações infinitas para lavar loiça. E para fazer xixi. E para tomar banho. Sim, eu sei: a minha experiência tem décadas e agora já há coisas diferentes, que melhoram muito a coisa. Mas quando falo de campismo falo de tendas montadas no chão, não falo de roulotes, nem de atrelados, nem de bungalows, que são as versões chiques do campismo. Estou velha, preciso de dormir no conforto de uma cama. Pronto, disse.

[Eu cá acampei durante anos. A história toda aqui, como sempre]

Sem comentários:

Enviar um comentário

Ocorreu um erro neste dispositivo