segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Snobeira

Vivemos no país da snobeira. Eu sei. Toda a gente sabe. Importa mais que a pessoa namore com alguém da família X, mesmo que não goste dele, do que estar com alguém de quem gosta mas cuja linhagem não vem com brasão. Todos sabemos disto, e por isso, também, todos reagimos de forma dura com a questão dos nomes.

Se a pessoa tem um nome composto somos os primeiros a retirar-lhe logo um, ao melhor modo "quem é que ela pensa que é, vir para aqui com dois nomes armada em finória". Criou-se este estereótipo de que a pessoa, quando usa dois nomes, é porque quer se chique. Não se percebe que às vezes é só porque sim. Ou até mesmo porque aqueles 'dois nomes' afinal são um. Composto.

Se não, veja-se. Eu sempre usei dois nomes, é verdade. Desde que comecei a trabalhar que uso os meus dois últimos nomes (o da minha mãe e o do meu pai) por uma questão altamente snob: o nome do meu pai é tão normal e português, que decidi usar também o da minha mãe. Não só porque ela também me é importante e portanto era parvo não usar o nome dela, mas também porque o apelido da minha mãe é que fica no ouvido.

Se as pessoas me reconhecessem quando digo o primeiro e o último nome ainda dava o benefício da dúvida. Mas não reconhecem. Só sabem que eu sou eu quando digo os dois apelidos. Uma snobeira, portanto. O problema é que já fiquei pendurada à porta de muito lugar porque lá para cima dizem apenas que a ML está à espera e a outra pessoa não sabe quem é...sweet!

Agora, desde que pus o nome do João, a coisa está a tornar-se ainda mais divertida. O último nome do rapaz é um nome composto (por dois nomes, portanto!). Eu não tenho culpa disso. Portanto, quando me perguntam o primeiro e o último nome o que acontece, SEMPRE, é que me cortam o nome ao meio. O que é um bocado chato. Porque eu não faço parte da família que tem aquele apelido. A sério. E depois, o que acontece? Tenho que ficar a olhar para as pessoas e explicar: "Isso não é o meu último nome". E as pessoas ficam a olhar para mim com um ar tipo "hum hum..olha'm'esta a q'rer ser chique". E eu tenho que usar a técnica do silêncio que a Mariana me ensiou e tentar que percebam pelo meu olhar que estou a falar a sério...

É uma maçada, sabem?

Porque isto podia acontecer só comigo, cujo nome não é separado por hífenes. Mas tenho uma amiga a quem também separam sempre o nome. Que tem hífen. Como é que alguém separa um nome com hífen? Então agora em vez de dizermos couve-flor vamos dizer só couve? Ou só flor? E Pai-Natal? É pai? Ou é Natal? E saco-cama? É saco ou é cama?

A sério, pessoas. Parem lá com a mania de que as pessoas são snobes e façam só o que é normal: quando alguém vos diz que aquele é o nome da pessoa, é porque aquele é o nome da pessoa. Grata!





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