quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Um tratado sociológico

Eu ando, todos os dias, de transportes públicos, e juro que o material reunido daria para um tratado sociológico. Com o agravar da crise, uma das coisas que se sentiu foi o aumento do número de pessoas que usa transportes em Lisboa. Lembro-me de, no ano passado, encontrar quase todos os dias pessoas que claramente nunca tinham feito uma viagem de metro ou de autocarro.

Ao contrário da maior parte dos países do centro e do norte da Europa, em Portugal continuamos a ter esta ideia pre-concebida de que por andarmos de transportes nos caem os parentes na lama. Na verdade, eu demoro exatamente o mesmo tempo - às vezes menos - se for para o trabalho de transportes ou de carro. Com a vantagem de que no metro consigo ler - algo que tinha saído dos meus hábitos diários. Para além disso gasto menos dinheiro [e cérebro] e ainda evito acidentes na estrada. Só vantagens :)

Mas adiante: as pessoas, estranhamente, parecem perder a educação quando andam de transportes. Não pedem desculpa, não pedem licença, empurram-se como se não houvesse amanhã, mesmo quando o metro ou o autocarro estão vazios e fixam o olhar num ponto tão estranho que claramente só querem não olhar para lugar nenhum.

Irritam-me sobretudo, duas situações: uma é quando as pessoas começam a empurrar-nos contra a porta de saída, sabendo que vamos sair. "Eu também vou sair", replico, de vez em quando, perguntando-me porque não perguntam "vai sair?" ou pedem licença. E obviamente, também não pedem desculpa. Limitam-se ao silêncio e a tentar empurrar menos, como se a vida dependesse daqueles 2 segundos em que estou à sua frente.

A outra são aquelas pessoas - geralmente senhoras de meia idade - que passam à frente na fila para entrar num transporte. Fingem não estar a olhar e pumba!, já nos passaram à frente, e entraram. Ora, se é uma fila, e se o metro ou autocarro não parte antes de as pessoas que estão à porta entrarem...what's the point?

Podia também ainda passar pelas velhotas que gritam com todos os que não se levantam à sua entrada - mesmo que sejam senhores cegos, pessoas de muletas ou grávidas; pelos miúdos que ouvem música tão alto que se estivessem sem headphones ouviríamos exatamente da mesma forma; pelas pessoas que tem conversas íntimas em decibeis muito acima do recomendável...a sério!, há mesmo todo um mundo fantástico nos tranportes públicos.

Quem nunca experimentou devia fazê-lo. Em Portugal. Que nos outros países há mais gente civilizada a andar nos transportes.


1 comentário:

  1. eu ando sempre de transportes publicos, não conduzo. não me caiem os parentes na lama nem sou menos pessoa por isso.
    bjos

    maggie

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