quinta-feira, 13 de março de 2014

Just be...

"Ser eu. Sem estar a tentar ser outra pessoa. Ser eu". Ontem, em mais uma sessão de 'Conversas sérias com Marta Gautier', esta foi a frase que me ficou a martelar na cabeça. Parece fácil, não é? Aliás, começamos bem cedo - como ela dizia - quando achamos que. ao desafiar os pais, e ao deixar
o quarto desarrumado estamos a ser nós.

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A maior parte das vezes não estamos. Estamos apenas a ser aquilo que eles não querem que sejamos, numa espécie de afirmação. E nem sabemos se afinal somos arrumados ou desarrumados, porque se os pais se borrifarem para a nossa desarrumação, de repente, apetece-nos arrumar tudo.

E quando crescemos continua a ser assim, a vida. Continuamos a querer ser como alguém, ou para que nos aceitem, ou para que nos não critiquem, ou porque acreditamos que ao ser algo de que as pessoas gostam estamos no caminho certo. Esta é uma descoberta difícil de fazer e de manter. Esta coisa de ser quem somos. Há já uns tempos que dou por mim, nas coisas mais disparatadas e básicas, a repetir interiormente: és tu. És tu quem decide. És tu quem tem que gostar.

Acontece-me às vezes estar a comprar roupa e pensar "Ah, a 'x' [uma amiga qualquer de cujo estilo eu gosto] nunca compraria isto". Ou então a escolher o restaurante e pensar "Não sei se a 'Y' alguma vez entraria aqui". E depois, quando tenho um acesso de inteligência, penso: who cares? Se quero comprar aquela blusa, compro. Se quero ir àquele lugar, vou.


Uma das coisas mais bonitas da minha relação com o João - algo a que durante tanto tempo não dei valor porque simplesmente não existia com as outras pessoas com quem estive - é o facto de eu poder ser quem sou. Efectivamente. Quando estou com o João posso estar a ser idiota (a maior parte do tempo), a rir à gargalhada, posso adormecer a meio de uma conversa, posso chorar sem razão, posso vestir a roupa que me apetece, posso dizer o que me vai na alma, sejam coisas sérias ou a brincar.

Esse 'relaxamento', essa vida a sério tem que ser, todos os dias, transportada para o que vivemos. Sob risco de estarmos sempre em tensão, a pensar no que as pessoas querem ouvir, no que queremos dizer, no que não podemos dizer porque 'vai parecer mal'. Sob risco de estarmos a ser pessoas que não somos para agradar, para ter uma espécie de reconhecimento que afinal, não é reconhecimento de coisa alguma porque isso que estamos a ser não somos nós.

Este é um exercício difícil. Muito difícil. Mas muito recompensador quando feito. Porque as pessoas que realmente importam são as que vão ficar connosco quando nós somos o que somos. Com as nossas fraquezas, o nosso mau-feitio, as nossas atitudes parvas, a nossa disponibilidade, o nosso coração. O nosso. A nossa. Nós. Na verdadeira essência do que somos.Sem máscaras. Sem tensões. Sem angústias.

2 comentários:

  1. Alguns passam uma vida sem se conhecer a si mesmos. Não é fácil de todo

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  2. Tenho muito orgulho em ti,não por seres boa ou má,mas por te esforçares por seres tu mesma sem máscaras,como eu acho que devemos ser todos.Não é fácil como dizes;mas é muito compensador.

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