terça-feira, 11 de março de 2014

Silence.


A idade traz-nos imensas coisas maravilhosas. Duas delas - as minhas favoritas - são a a serenidade e o descaso. A serenidade para enfrentar os problemas do dia a dia, que vão crescendo na mesma proporção que nós: agora não basta ir a correr para o colo dos pais. Agora os problemas são resolvidos por mim, por nós. As decisões são tomadas por mim, por nós. E a serenidade é algo de que se precisa bastante para não entrar em pânico e começar a achar que vamos morrer de cada vez que acontece algo que sai dos nossos planos iniciais.



Para aceitar que há pessoas e projectos que vêm e vão. Para aceitar que a vida nem sempre corre como queremos, mas na maior parte das vezes corre como deve. Para ver em tudo o que nos rodeia, sempre, o lado bom das coisas.

E o descaso para as coisas que nos dizem. Para as milhentas opiniões que todos os dias nos invadem a vida, a caixa de email, o facebook, o que quiserem. Porque eu acredito, do fundo do coração, que toda a gente dá a opinião pelo bem da outra pessoa  - eu também o faço. Mas ouvir e calar, sem rebater, quando não concordamos, é aprender a viver, minhas queridas microalgas. E não quer dizer que não ouçamos o que as pessoas nos estão a dizer. Significa apenas, às vezes, que precisamos de tempo para as assimilar. E para decidir se queremos, ou não, tê-las em consideração.

A minha vida mudou radicalmente quando aprendi a relevar algumas coisas e a não sofrer com o facto de não concordar com toda a gente. Lesson of the year!

4 comentários:

  1. silencio faz-me pensar numa pergunta: qual a sua opinião em relação a relações que terminaram da pior forma, seguidas de confusões e etc...quero com isto perguntar o que acha, é possível restabelecer contacto com quem discutimos e houve acusações? será possível restabelecer contacto sem sermos mal entendidos/as ou é melhor remetermo-nos ao silêncio eterno?

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    1. Olá anónimo :)

      Precisaria de saber um bocadinho mais sobre essas 'cofusões' para poder fazer a melhor avaliação possível, mas vou tentar:

      Eu acho que devemos sempre manter uma boa relação com as pessoas com quem terminámos. É obvio que nem sempre isto é possível, mas, por princípio, acho que o devemos tentar: porque uma pessoa com quem tivemos algo tem que significar mais do que o final de uma relação.

      No entanto, se essas confusões e acusações ainda estão frescas, eu remeter-me-ia ao silêncio. Reatar a comunicação com alguém que nos foi importante, que nos magoou ou que magoámos, é algo que tem que ter o seu tempo. Na minha opinião, é preciso que o assunto esteja muito bem arrumado na nossa cabeça para que reatemos essa relação sem medo desses 'mal entendidos' de que fala. Ou seja, com a consciência de que estamos apenas a tentar retomar relações com alguém porque essa pessoa foi importante para nós.
      Isto não quer dizer que tenhamos que ficar amigos. Eu falo com todos os meus ex-namorados [que também não são assim tantos] ainda que não sejamos amigos chegados. Mesmo com aqueles com quem terminei menos bem tentei sempre mais tarde retomar a relação. Mas só mais tarde. Quando já não havia ressentimentos. Quando eu já não queria saber se ele ia entender mal ou nao, porque não havia, em mim, nada para ser mal interpretado.

      No fim disto tudo, e resumindo o meu pensamento eventualmente pouco claro (desculpe), acho que o silêncio é o melhor amigo da cura para os problemas da alma e do coração. Nele também encontramos a resposta para as nossas dúvidas. Silêncio, primeiro. Sempre. Se entretanto no silêncio achar que é hora de "restabelecer o contacto", go for it :) Geralmente é algo que consegue sentir, se escutar bem o seu coração.

      :)

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    2. Eu continuo a falar com as mães, com as irmãs, irmãos whatever... nunca com eles... apenas e só porque eles assim o quiseram. vejo aqui um padrão e algo que não consigo explicar!

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    3. Querida anónima, novamente sem saber nada sobre a sua história, nem mesmo sobre si, reitero: silêncio. Continuar a falar com a mãe, irmãs ou irmãos é razão para, muitas vezes, ser alvo de má interpretação por parte dos ex-namorados. De alguma forma sentem que não os está a deixar ir...Se pensar bem nisso, imagine que tem um namorado novo, cuja ex-namorada continua a falar lindamente com toda a família :) Não lhe faria impressão? A mim sim. Imensa. Seria o suficiente para não me sentir segura, porque todos sabemos como a família pode influenciar uma relação...silêncio. Afaste-se um pouco da família, também. Se achar, depois, que deve retomar o contacto, faça-o. Mas protega-se. Deles e de si. Porque esse silêncio que me pergunta se deve existir vai doer-lhe menos que essa angústia que agora sente por não perceber esse 'padrão' :)

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