quinta-feira, 3 de abril de 2014

Frente e Verso: entrada proibida a...



Frente | Lénia
Quando eu e a Margarida conferenciámos acerca do tema desta semana, percebemos que tínhamos opiniões divergentes acerca da permissão ou não de entrada de crianças em determinados restaurantes, hotéis, etc. Tema escolhido, portanto.
A Margarida deu o pontapé de saída, escreveu o texto, mandou-mo, eu li e... mudei de opinião. Ou melhor: tudo o que a Margarida disse está de tal forma estruturado e faz de tal forma sentido que dei por mim a concordar com o ponto de vista dela. Holly, crap! E agora?
Portanto, deixámos de ter tema, o que é uma chatice! Partilhei a minha inquietação com a minha "sócia" e resolvemos avançar... falando exactamente desta mudança de opinião. Portanto, caros leitores, é caso para dizer que "shit happens". Mudanças de opinião acontecem. São válidas e normais em gente pensante. Não, não sofri nenhuma espécie de lavagem cerebral. Só que a dona Margarida deitou por terra todos os meus argumentos contra a possibilidade de se impedir a entrada de crianças em determinados estabelecimentos.
Bom, na verdade, isso já acontece: discotecas, bares e afins não permitem a entrada de crianças. Hotéis e restaurantes são coisa bem diferente, é certo. Mas se houver meia dúzia de sítios que não permitam a entrada de menores de 13 ou 14 anos, há ainda assim milhões de sítios que permitem. Cabe aos pais gerir o programa das festas de acordo com isto. Claro que podemos dizer que é uma questão de bom senso: não se levam crianças para determinados sítios (mais chiques, mais elitistas, mais reles, não importa). Só que, como a Margarida diz e muito bem, há pais que não são dotados de bom senso. São aqueles pais que permitem que os filhos se comportem como selvagens (o que é bem diferente de comportarem-se como crianças que são) em qualquer lado, independentemente de quem possam eventualmente incomodar. Portanto, até acredito que o problema esteja deste lado, do lado dos pais que não preparam as crianças para uma convivência social como deve ser, mas os outros, os que querem estar sossegados, não têm que levar com selvajaria. Claro que, quando falamos de crianças sossegadas, isto não se aplica. Mas como é que um restaurante faz esta triagem? Só permite a entrada a miúdos sedados e/ou que falem num tom de voz abaixo de X decibéis? Não pode ser. Portanto, sim, por mim pode haver sítios onde não seja permitido levar crianças. Acontece que dificilmente os frequentarei - não porque não concorde com o conceito, mas porque é raro sair, com ou sem crianças. E, caso queira sair com crianças, pois irei para um dos outros sítios, os tais onde eles são bem-vindos. Mas o que é facto é que tenho a sorte de ter dois miúdos que, ainda que se comportem como crianças, estão longe de apresentar comportamentos dignos de habitantes das cavernas da pré-história... (quer dizer, têm dias, mas nesses, nos dias maus, nada como ficar em casa e fazer barulho só para os vizinhos do lado, não é?)

* Para conhecerem o texto que fez a Lénia mudar de opinião, terão que ir ao blog do costume.

3 comentários:

  1. Ou seja, vamos banir as crianças dos restaurantes para ter um jantar sossegado mas mantemos as despedidas de solteiro e tantos outros adultos ruidosos!
    Lamento, não concordo com o princípio! E muito menos com a defesa do "quero sossego". Sim, acho que cada um tem direito a usufruir de hóteis, restaurantes, museus e tantos outros espaços em sossego.
    Também gosto muito de ir ao cinema sossegada. E se os cinemas proibissem a entrada de quem come pipocas de boca aberta, de quem faz comentários e ri disparatadamente? É que o princípio é o mesmo!!!!

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    1. Olá anónimo!,
      o princípio não é o mesmo por uma questão muito simples: sim eu posso pedir a pessoas que não façam barulho. A adultos. Posso responsabilizá-los por me estarem a incomodar, porque a regra do bom comportamento social implica que não nos incomodemos mutuamente. Mas não me parece que possa pedir a uma criança com cólicas que não chore. Ou que não brinque. Ou que fique sossegada duas horas. Porque é uma criança. E eu gosto que as crianças sejam crianças. E gosto de estar sossegada. Blame me fot that :)

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    2. Não é o facto de querer sossego e sítios child free que questiono.
      Todos queremos o nosso sossego e todos temos o direito ao sossego.
      Mas continuo a achar o princípio da proibição de crianças em hóteis e outros semelhantes errado. Não acho errado querer o seu sossego nem escolher os seus destinos de lazer (férias, museus, o que for) em função de estarem ou não crianças. Acho é errado certos espaços proibirem crianças (ou outro tipo de segregação).
      E sim, há uma série de hóteis e uma série de escolhas mas continuo a achar o princípio errado.
      Não pode responsabilizar a criança pelo seu comportamento mas pode responsabilizar o adulto que a acompanha.
      Quando o meu filho me acompanha eu sou responsável pelos seus comportamentos. É minha responsabilidade se ele na praia anda em cima das toalhas dos outros, se desata aos berros num restaurante ou se está a fazer bombas numa piscina de um hotel. Se o posso impedir de ser criança? Não, não posso mas posso (e devo) ensiná-lo a comportar-se e a não incomodar terceiros.
      Respeito a sua opinião e o seu direito ao sossego mas continuo sem concordar com a proibição de crianças em hóteis, restaurantes e semelhantes.

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