quinta-feira, 10 de abril de 2014

Frente e Verso | Reality Shows

Frente - A Lénia adora!
Imaginem o seguinte: vão a conduzir numa estrada. Ao vosso lado há um acidente, um aparato gigante, sirenes a tocar, muita polícia, muitos bombeiros. Vocês sabem que aquilo correu mal, que é feio de se ver. Mas não conseguem desviar o olhar. É exactamente isto que me faz ver reality shows. Não todos - que a minha paciência também não é infinita. A Casa dos Segredos em particular.
Olho para aquilo enquanto experiência sociológica. Sei que aquela gente não deve muito à esperteza, sei que não são as pessoas mais cultas do mundo e sei que vão para ali passar o tempo, não fazer nada, enrolar-se uns com os outros, berrar uns com os outros, arranjar chatices porque não têm muito que fazer. Sei isso tudo. Mas ainda assim adoro gastar com esta trash-TV os meus serões de domingo. Gosto de me rir das baboseiras, de me chocar com as revelações, de me entreter com aquilo. Sei que não se aprende nada. Mas serve o propósito: entreter.
Quando estreou o 1º Big Brother, ganhei o hábito de assistir às galas e às nomeações com a minha mãe, as duas sentadas na cama dela. Quando saí de casa (aí por volta do BB3 ou coisa que o valha) senti falta daqueles serões de mãe e filha. Já não tanto pelos BBs (que continuei a ver esporadicamente) mas por causa da companhia. Agora, mais de dez anos passados, continuamos a "estar" juntas nos serões de domingo, quando há Casa dos Segredos: ao telefone, vamos falando sobre aquilo, vamo-nos rindo, vamos comentando. E é bom!
Se calhar, quem vê aquilo que eu leio, quem sabe o tipo de filmes de que gosto e o tipo de séries que vejo está longe de imaginar que eu consiga ver a Casa dos Segredos. Não só consigo como gosto. Já me ri muito a acompanhar os comentários que vão surgindo pelo Facebook, em noites de expulsão. Já me comovi, já me deu vontade de ir lá dentro aviar pares de estalos em gente parva. Tal como a Margarida, acho que este tipo de programas serve para descansar a cabeça. Ninguém é erudito o tempo todo, ninguém vê cinema coreano sempre, ninguém aguenta coisas profundas o tempo todo. O ser humano precisa de se distrair, precisa de coisas que lhe permitam descansar o cérebro enquanto passa o tempo. Para mim, isto é um guilty pleasure. Assumidíssimo!

[E eu odeio...]

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