segunda-feira, 21 de abril de 2014

Frente e Verso | Mágoas



Frente | A Lénia não gosta de falar 

Não há muito tempo, uma amiga teve comigo uma atitude que me magoou. Provavelmente ela nem se apercebeu do que aquilo fez em mim. Preferi não falar, não pedir explicações. Acredito piamente que amizade não se cobra e não me apeteceu ir pedir contas de uma coisa que tinha importância para mim mas que, para ela, provavelmente nem por isso.

Eu não encho sacos. Não fico ali a acumular até ao dia em que explodo. Eu sou uma espécie de saco com furinhos no fundo: vou pondo as coisas cá para dentro e elas vão saindo de fininho, sem eu dar por isso. Talvez seja capacidade de perdoar e esquecer, não sei. Sei que agora - e não passou muito tempo desde que a tal amiga me magoou - já passou. Não fiquei com recalcamentos, não fiquei com isto atravessado, nada. Passou. Esqueci. 

É por isso que há alturas em que prefiro não falar. A não ser que seja assim uma coisa super importante, prefiro não dizer nada e deixar seguir. Claro que já houve situações em que a coisa se deu. Lembro-me, por exemplo, de, na altura em que a minha filha nasceu, uma amiga ter feito uma coisa que não só me magoou como podia ter-me prejudicado muito. Nessa altura, assim que a coisa aconteceu, agarrei no telefone e disse tudo o que tinha a dizer. Aquilo foi de tal maneira grave que nunca mais soube nada dessa pessoa e espero que ela também não tenha sabido mais nada de mim. Mas ali, perante o que ela fez, eu não poderia mesmo ter-me calado e esperado que passasse. Não mesmo! Porque foi uma atitude que podia ter interferido não só com a minha vida (e se fosse só isso era deixar andar), mas com a vida da minha filha (e isso eu não posso mesmo permitir!).

Eu não sou de cobrar. Não sou mesmo. E odeio que me cobrem. Claro que já houve pequenas situações em que, a posteriori, disse que tinha havido ali qualquer coisa de que eu não tinha gostado - mas só o disse depois de a mágoa passar. Porque acredito que, em coisas menos graves, a mágoa desaparece sozinha e não vale a pena fazer tempestades em copos de água. Até agora não me tenho enganado. E espero não me enganar nunca...

[Eu sou mais de falar. Às vezes demais. A minha visão sobre isto está aqui]

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