sexta-feira, 23 de maio de 2014

Saber. Assumir. Ser.

Ter consciêcia de si. Saber. Aquilo de que se é e de que não se é capaz. Não usar falsas modéstias mas também não ser gabarolas. Ter confiança. Saber quando não se sabe. Os conselhos da minha mãe ecoam-me na cabeça todos os dias, e mais regularmente quanto mais cresço.

No início - da vida, das carreiras - precisamos de perceber o que sabemos fazer. Por uma questão de auto-estima, até. Saber que sou boa a escrever e péssima a fazer ginástica. Saber que não tenho o mínimo jeito para a jardinagem mas que posso ser uma pessoa muito organizada. Saber que reajo bem sob pressão e que odeio trabalhos sossegados e metódicos.

Depois, começar a perceber o que não sabemos, quando achamos que sabemos tudo. Saber que não atinjo um estado de concentração que me permita trabalhos de muito rigor. Saber que não sou capaz de fazer tarefas que exijam atenção constante durante um grande período de tempo. Saber que não sei falar francês para uma conversa superior a um pedido de café. Saber que não sei criar coisas. Saber que não sei fazer bolos. Ou decorar uma casa. Saber que não sei tecer só elogios e ser polida o suficiente para  isso.

Saber sempre aquilo que somos capazes de fazer e o que não somos. Não querer mais do que aquilo que podemos fazer - querer ser mais, querer saber mais, mas assumir que há coisas para as quais não temos capacidade. Assumir é também ter coragem. Saber dizer não é uma virtude.  E demonstra mais inteligência do que o querer fazer e ser e ter tudo. Por alguma razão nasceu o provérbio "quem tudo quer, tudo perde". E eu acredito nele. Mesmo.





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