segunda-feira, 16 de junho de 2014

Do silêncio.



Estar. Com as amigas, com os sorrisos, com tempo. Estar.
 Não andar a correr. Saborear cada pedacinho da vida, como se o tempo nos escorresse por entre os dedos - porque na verdade não saberemos, nunca, quanto mais tempo teremos. Ouvir, ver, cheirar, sentir. Fazer da vida uma graça, todos os dias, ao invés de uma correria infinda por entre coisas que tantas vezes nem nos fazem sentido.

Aprender a parar. A ouvir o nosso corpo, a nossa cabeça. Não ter medo do silêncio - é nele que descobrimos as coisas mais importantes. Sobre nós. Sobre o mundo. Chegar a casa, sentar no sofá, desligar o telefone, ouvir o silêncio. Ouvir música clássica ou nada. Saborear um copo de vinho, um refresco, ou nada. Estar, somente. "Deixámos de conjugar o verbo estar", dizia alguém no outro dia. Verdade. Agora os verbos são "ir, fazer, ter". Deixámos de saber estar, em silêncio até, uns com os outros. Deixamos, aos poucos de ouvir os outros, de ouvir o mundo, porque fazemos demasiado barulho. Deixamos de nos ouvir porque morremos de medo do que posamos vir a saber de nós nesse silêncio que tanta falta nos faz.

Saber dizer não. Saber dizer sim. Reaprender a conjugar o verbo estar. Sentir com todos os sentidos. Chorar. Sentir. Ser. Estar.

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