segunda-feira, 23 de junho de 2014

No final, o que fica?

Arrumar tudo. Em gavetas maiores ou mais pequeninas, saber o lugar certo de cada coisa. Ter guardada a 'gaveta das trapalhadas' para tudo aquilo que ainda não classificámos devidamente, mas que sabemos que tem um lugar na nossa vida.

Praticar o desprendimento, levando connosco apenas as coisas que são realmente importantes. Que fazem bem. Que nos fazem sorrir. Saber levantar sempre a cabeça mesmo quando a vida teima em querer-nos mostrar que o caminho é mais sinuoso do que aquilo para o que estávamos preparados. Pegar nas rédeas da nossa vida - nunca, nunca, nunca deixar que outros o façam por nós - e ainda que tenhamos dúvidas, seguir em frente.

Ontem, ainda sobre este tema, li este texto, onde reli esta frase vezes e vezes sem conta, conseguindo colocar esta oração na boca e na cabeça de um monte de pessoas que estão à minha volta.

Trabalhava para ganhar dinheiro, acumulava dinheiro no banco porque não tinha tempo para o gastar, trabalhava em média 14 horas por dia. [...] Devolvia as chamadas dos amigos ao final do dia, quando não me esquecia, porque não misturava vida pessoal com trabalho nem atendia chamadas pessoais durante o horário de expediente.O casamento chegara ao fim, não tinha tempo para nada, nem para mim. O meu avô morreu e eu não tinha razões para ter vida própria, acabara de morrer também. (Sobre)vivia para a empresa.

Em que tipo de pessoas nos transformamos quando deixamos que outros decidam por nós? Que tipo de mundo é este em que vivemos que achamos que o normal é mesmo entregar a vida a outros, sem lembrar de que o que vivemos é nosso, só nosso. Que o que fica não é o dinheiro, não são as horas infindáveis de trabalho - necessário mas não podendo ser o elemento primordial da nossa vida - mas sim o que fazemos, quem amamos, de quem cuidamos, o que vivemos. Viver. Respirar. Ter a coragem de o perceber, de o assumir e, acima de tudo, ter a coragem de viver.


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