quarta-feira, 2 de julho de 2014

It's the end of the world [as we know it]


O Filipe escreveu um livro. Na verdade, não foi bem assim. Foi mais: o Filipe escreveu uma tese de mestrado, que estava tão bem feita que lhe sugeriram a publicação em livro. Um livro sem uma capa colorida e sem assuntos light. É sobre o futuro do jornalismo, e a possibilidade de haver 'Fundações Jornalísticas'  que possam ser o novo modelo de negócio de uma indústria absolutamente estrangulada pela(s) crise(s) e pela evolução muito rápida de teconologias que acabaram por ditar muitas dificuldades aos media, em Portugal.

O livro, que foi uma tese de mestrado, é denso. Ele falou com várias pessoas, pegou em diversos números, olhou para os EUA, pensou no que poderia ser o papel do Estado nesta história toda. O livro está bem escrito. E é uma lufada de ar fresco no meio jornalístico português, em que tantas vezes se organizam debates para falar sobre o futuro do jornalismo, sem se perceber muito bem por onde é que ele passa.

A verdade é crua, actualmente: o jornalismo não é um negócio rentável [a bem dizer, nunca foi], continua a sofrer por falta de adequação aos novos tempos - e sobretudo ao aparecimento da Internet - e em Portugal anda pelas ruas da amargura: fecham jornais, despedem-se pessoas, faz-se menos boa informação.

E a questão está aqui: numa altura em que muita gente acha que o jornalismo não é preciso - a internet fornece um manancial de informação, blogues, páginas diversas que falam sobre tudo e pessoas que comentam tudo - a verdade é que o desaparecimento desta profissão tem vários problemas.

Antes de mais, apesar de todas as críticas, a verdade é que a maoria dos portugueses tem muita confiança nos orgãos de comunicação social. E porquê? Porque o jornalismo também são regras. Porque quem é jornalista obedece - ou deveria obedecer - a critérios mais exigentes de ética e de profissionalismo que o chamado jornalista-cidadão não segue. E não faz mal que não siga. Só não se pode achar que é a mesma coisa.

Bom, considerações à parte, facto é que este livro vale a pena.  E como foi escrito pelo Filipe, vale duplamente a pena :). Para quem se interessa por este tipo de coisas, obviamente. E para dar aqui uma lufada de ar fresco às cabeças dos nossos pensadores que, claramente, já estão a ficar sem ideias.




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