quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Mi sonrisa...

"És uma pessoa de convicções fortes?", perguntaram-me.
"Sou". Quer dizer, pelo menos sou uma pessoa decidida. Na medida do possível. Sei que o mundo já não é a preto e branco, mas ainda sei para que lado pendem as minhas certezas.

Tornei-me, com os anos, inevitavelmente, uma pessoa mais racional. Que pensa mais nas consequências de um ato, de uma decisão. Cresci na certeza de que, apesar de tudo, não quero deixar de ter convicções fortes nem de ser decidida.

No ano passado, no final do ano, voltei a ir-me abaixo. Não dormia, não comia, não queria sair de casa, não queria rir-me. Não conseguia pensar, não conseguia reagir e a única coisa que me era realmente fácil era chorar. Chorar, chorar, chorar. - e se soubessem como é difícil para alguém como eu admitir isto. Viver isto.

Voltaram os remédios. Valeram-me os [poucos] amigos [que souberam o que se passava na altura]. Valeu-me o João. Valeu-me a minha família. Valeu-me já ter passado por isto e saber o que fazer. Ou pelo menos, saber que precisava de pedir ajuda. Pedir essa ajuda a quem estava mais próximo.

Esconder de quem estava menos próximo, porque tento - mesmo - levar a minha vida através de um lema que aprendi há uns anos com alguém que me foi muito querido: "Mi sonrisa es más fuerte que mi dolor". Sempre. Mesmo que a dor seja muita, o sorriso consegue ser sempre maior. Porque nunca sabemos quão maior é a dor de quem está ao nosso lado, e não temos o direito de os sobrecarregar com as nossas dores - eu sei, pode ser parvo, mas é assim que eu penso. Fazer o quê?

Na minha cabeça eu sabia o que fazer: tinha identificado o problema e sabia bem qual era a solução. O meu coração gritava-a alto e bom som todos os dias. A minha cabeça evitava que tomasse decisões a correr porque..bom. Porque a vida de uma pessoa adulta é feita de decisões que têm que ser pensadas e que provocam consequências que precisam de ser medidas.

A decisão foi tomada cinco meses depois de o meu coração a gritar porque a idade me trouxe uma coisa chamada maturidade. Calma. Consciência. Serenidade para pensar nas coisas. Mas não me retirou - felizmente - a coragem e a determinação. Sem dúvida que o mais difícil é conseguir equilibrar ambas as coisas de forma a que 1) não deixemos de tomar decisões que precisam de ser tomadas e 2) não tomemos decisões inconscientes.

Hoje, agora, sou uma pessoa com menos coisas - materiais - do que as que tinha há um mês. Mas digo-vos: a quantidade de vida que ganhei pela decisão que tomei foi de tal forma, que desde que decidi nunca mas nunca me arrependi. E Deus sabe como foi uma decisão complicada.

Isto tudo para dizer que não ter medo, não deixar que ele nos consuma e nos trave é das lições mais importantes que vamos retirando da vida. Não me acho, não sou melhor do que outra pessoa que viva a vida de outra forma. Tenho medo. Assusto-me. Penso. Mas recuso-me a deixar que isso me defina. Que me limite.

E vos garanto que por isso, também, sou mais livre. E isso vale por qualquer [sensação de] segurança que outra decisão, que outra atitude perante a vida me possa vir a dar.



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