quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Respira. Fundo.

Respirar fundo. Não te irritares com o que não controlas. A vida é assim mesma, feita de pessoas diferentes, de ritmos diferentes. Eu sou uma apressada. Para mim é sempre tudo para ontem, para anteontem. Ainda estou a pensar no assunto e já estou a fazer coisas sobre elas.

Eu sei que nem toda a gente é assim. Sei que toda a gente tem o seu tempo, e que não vale a pena eu achar que as pessoas estão a ser lentas, porque isso não resolve. E este tem sido o meu exercício de vida. Diário. Quase de hora a hora. "As pessoas não têm que responder à velocidade que responderias. Não têm que fazer as coisas ao teu ritmo. Não têm que ter essa energia toda todos os dias, todo o dia. As pessoas não fazem quinhentas coisas ao mesmo tempo".

Repetir isto várias vezes enquanto tento acalmar o coração - que explode de irritação às vezes. E não é com as pessoas. É comigo. Por não conseguir assimilar que por muito que eu queria o mundo não se move à mesma velocidade que eu.

Aprender a respirar. A parar - e eu já paro. Mesmo! Aprender a ouvir, a esperar.

Este é o meu objectivo de médio prazo. Aprender a respirar. E a não me aborrecer por tudo à minha volta não andar ao meu ritmo.

Respirar. Fundo.

Já nem nos sem-abrigo se pode confiar

Eu não dou dinheiro a pedintes. A sem-abrigo. Dou comida, dou roupa, compro algo que estejam a pedir. É uma questão de princípio. Por isso, ontem, enquanto corria para dentro do supermercado e um senhor me pediu à entrada, se lhe comprava o iogurte, respondi "claro que sim". Entrei para comprar uma coisa de que precisava, e para além do iogurte comprei também uma sanduiche daquelas que já estão feitas e são enormes.

Apetecia-me dar-lhe uma refeição quente, mas aquele supermercado em si não tinha e agarrei no que fosse mais fácil de comer e que alimentasse qualquer coisa. Paguei, toda contente, as minhas compras e quando chego cá fora: onde está o senhor?

Ainda dei uma volta ao bairro para ver se o encontrava. Quase deixei o iogurte e a sandes à porta do supermercado para o caso de ele voltar, mas a verdade é que fiquei furiosa. Eu sou boa pessoa. A sério. E o senhor pediu-me o iogurte. E eu comprei. E disse-lhe que ia comprar! Para ele esperar, que eu ia comprar. E ele foi-se embora...

Como um mantra


Por entre noites e dias, falas-me no silêncio do coração. 

Pedes mais um pouco de vida, a certeza gravada no olhar. 

E quando no imenso caos outras vozes chamam por mim, 

eu recordo, claramente, e volto a conseguir erguer-me. 


E é no fundo do meu ser, 

no mais profundo da alma, 

que sei que és o único caminho 

e me entrego à Tua certeza.


[2011]

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Can we have it all?

A questão é recorrente à mesa com amigas, e nunca chegamos a uma conclusão clara sobre o assunto: podemos ter uma carreira espetacular e uma vida familiar estável? Ou estamos condenados a ter apenas uma das coisas?

Há  umas que acreditam que claramente não é possível ter uma vida familiar sã e uma carreira de sucesso. Que inevitavelmente deixamos para trás o trabalho e as inúmeras possibilidades quando optamos pela família.

Eu não acredito muito nisto. Repugnou-me, aliás, a história de que a Apple e o Facebook querem pagar às mulheres para elas congelarem os óvulos de forma a "não terem que escolher entre a carreira e a família". Gente, o problema não está nas mulheres, claramente.

O que torna uma mulher tão especial, tão diferente, tão boa no que faz, é precisamente o facto de ser mulher. De poder ter filhos. De ter uma infinitude de características que a dissociam dos homens e de as poderem colocar ao serviço de uma carreira. Não concordo mesmo com quem diz que não é possível ter as duas coisas. Porque à minha volta vejo exemplos de pessoas que não são disso reflexo. Excelentes profissionais que têm as suas famílias, as suas casas, as suas vidas e ainda uma carreira bastante apelativa.

"Ah, mas perdes a disponibilidade para viajar". Não. Perco a disponibilidade a 100%. Mas a menos que estejam com alguém que vos guie por cabresto, não me parece que perca. "Ah, e quando tiveres filhos?" Bom, quando tiver filhos, felizmente eles têm um pai. E tias, em caso extremo. E os avós, de quando em vez. Mas têm pai. Já viram a sorte?

"E depois, como podes trabalhar doze horas por dia?" Well, aí está um grande objetivo: ser uma ótima profissional que consegue fazer o que tem a fazer sem precisar de doze horas por dia. Uma vez por outra, no entanto, não mata ninguém. Aliás, não me parece que haja um botão que faça explodir a mãe após oito horas de trabalho. "Mas a tua profissão é muito corrida. E instável". É. A dos médicos também. E a dos advogados. E a dos jogadores da bola...

"Mas depois vai ser uma má mãe". Sou? Não sei. Sou absolutamente da opinião que os filhos são tão mais felizes quanto felizes são os pais. Se um carreira sólida me faz feliz, acredito que os meus filhos vão ver isso. Dentro dos limites do aceitável, obviamente!, que os filhos precisam de pais presentes. Mas os pais não se fazem mais presentes pela fisicalidade da presença. O meu pai passou a vida fora, eu só o via aos finais de semana e ele não foi um mau pai.  E esteve sempre presente.


 Não consigo, juro que não, entender esta coisa de só podermos ser bons à vez. De não nos poder ser dada a oportunidade porque, à partida, vai correr mal. De nos limitarem as escolhas sem nos permitirem tentar, pelo menos: posso experimentar ser uma boa mulher, mãe e ainda ter uma carreira profissional sólida? Tenho que optar entre uma coisa e outra?

Por que é que essa possibilidade de escolha nos é vetada, inclusivamente pelos nossos pares? De onde vêm as certezas? De onde vem o preconceito? E não me digam que está provado, porque não está. Porque se todos nós - homens, mulheres - respeitássemos esta individualidade, percebíamos que não é por uma mulher ter família ou filhos que se torna pior profissional. São, sim, aqueles que à sua volta duvidam, que a castram.

E isso, infelizmente, é um problema de primeiro mundo que tem mentalidade de terceiros.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A verdade. Sempre.

No dia 4 de Julho - foi por acaso, mas calhou bem - saí do lugar onde estava a trabalhar, por decisão minha. Ao fim de um ano não estava apaixonada. Não me entusiasmava todos os dias. Houve várias coisas que se alteraram entre o período em que lá entrei - precisamente um ano antes - e os tempos em que de lá saí. Coisas que moeram, que pesaram, que me foram cutucando, que me incomodaram.

Ao fim de menos de um ano - com muitas conversas e conselhos de família e amigos pelo meio - decidi entregar a minha carta de demissão. Foi uma decisão pensada, segura, certa. Fiz as malas, zarpei para o meu país de coração e durante vinte dias pensei em pouco mais para além de sol, sal, caipirinhas, rever amigos, dormir, descansar, namorar. Tive duas reuniões e voltei ao modo férias.

Quando voltei passei um mês ao sol, a ver os sobrinhos crescer, a sentir a pele ressequida da quantidade de sol que não apanhava há anos. A matar saudades, a ler, a ler, a ler, a conversar, a fazer planos para a minha agenda preenchida somente pelas pessoas importantes.

De repente tinha tempo. E disposição. Para fazer, para viver, para observar, para pensar, para ser. Fiquei bronzeada como não acontecia há uns oito anos e diverti-me tanto, tanto. Escrevi, li, escrevi mais, assisti a documentários bizarros, voltei a escrever.

Três exatos meses depois voltava a ter uma secretária, um computador, um armário, uma cadeira. Três exatos meses depois do Dia da Independência, voltei a ter uma rotina, um lugar para onde ir trabalhar - e claro!, um salário :)

Três meses ficou bastante abaixo da expectativa que eu tinha em relação a voltar a trabalhar. A minha área não é fácil - nunca foi - e portanto estava a preprar-me psicologicamente para lidar com o facto de poder não arranjar trabalho.

Não foi preciso. E nesse momento percebi - mais ainda - que efetivamente tinha feito a escolha certa. E apercebi-me - mais uma vez - de que efetivamente é recompensado aquele que é fiel a si mesmo. Que se ouve. Que se aceita.Que entrega nas mãos de Quem tudo controla e que sabe esperar, de coração cheio e alma tranquila.

Portanto, na dúvida, o truque é sempre o mesmo: a verdade. Convosco.

[o regresso foi intenso, ótimo, espetacular, mas absurdamente cheio de trabalho. Hoje, ao nono dia, consegui finalmente escrever com jeito. E com tempo. Depois de não ter tido tempo para almoçar. E as saudades que eu tinha disto? :)]



wish list #5

Eu nunca gostei muito deste tipo de sapatos. Mas a verdade é que quando vi estas botas - e depois de as rever na Sarah Jessica Parker, quando ela as usou, foi amor à primeira vista. São lindas, lindas. Caras. Muito caras. Mas tão lindas. São as Alyssa, da SJP Collection. Lindas, já disse? Estão à venda aqui.

Imagem retirada da Internet

Imagem retirada da Internet



segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Espetacular

A SIC consegue aglutinar em dois dias - com uma edição sinistra - os seis primeiros episódios de uma das melhores novelas que eu já vi [ou que comecei a ver].

Que triste.

Já não temos doze anos.

Já não temos doze anos. Temos trinta. E isso - a idade adulta - obriga-nos a decisões ponderadas, a decisões sérias, a decisões aborrecidas. Já não termos doze anos significa que não nos podemos esconder debaixo das saias da nossa mãe, fazer queixinhas à irmã e esperar que alguém resolva. Já não temos doze anos. Quando alguém deixa de nos falar isso não significa apenas que deixamos de partilhar os nossos brinquedos e o lanche de meio da tarde. Quando alguém nos magoa não resolve ficar a chorar num canto enquanto os nossos colegas continuam a brincar ao macaquinho do chinês ou à recém-descoberta batalha naval.

Já não temos doze anos. Quando me desaparecem, quando as atitudes mudam, quando o mundo nos afasta, não chega já assobiar para o lado e esperar que no próximo ano a nova turma nos traga outros amigos. Não chega. Porque a amizade dá trabalho. As relações dão trabalho. Dão chatices. Dão tempos bons e maus. "A amizade é o maior dos compromissos". Isso implica que a amizade implica sempre, sempre a verdade. Mesmo quando ela dói, quando ela nos custa a partilhar, quando ela nos é violenta. É assim. A amizade tem que ser baseada no que somos. Sempre. Porque é ela que fica, mesmo que os anos passem por nós, nos maltratem ou nos elevem aos píncaros. É sempre nos braços dos nossos amigos, perdão, Amigos, que encontramos o conforto das horas más e a celebração das vitórias.

É com os nossos Amigos que bebemos bom vinho comprado no aeroporto em copos de plástico para celebrar o reencontro. São eles que nos dão colo quando a tristeza nos invade. Que nos perguntam se precisamos de ajuda para tomar banho, mesmo que a pergunta lhes seja tão incómoda quanto para nós a resposta. São eles que nos limpam as feridas do corpo e da alma e que se enchem de orgulho e nervosismo por tudo o que nos acontece. São eles que nos aplaudem na primeira fila. E nos criticam no camarim.

São eles que atendem o telefone a meio da noite, que largam o que seja que estão a fazer para nos acudir. Os Amigos não podem não saber o que fazer connosco porque eles são parte de nós. Têm que ser.

E nós, por não termos doze anos, precisamos de saber com o que contar. Precisamos de saber se podemos continuar a ser nós, de mão estendida e coração aberto, ou se está na hora de partir. Não o faremos enquanto não no-lo disserem. Mas vamos perguntar. E como não temos doze ano, não há espaço para "não sei". Quando queremos ter alguém na nossa vida isso é claro: ou queremos ou não queremos. E temos que fazer com que o outro o saiba. Para transformar isto em algo muito bom. Muito bonito. Muito duradouro.

Ou para deixar ir.
[já o fiz na vida. sei como fazer. não dói menos. nós é que estamos mais resistentes à dor.]

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vida oca

Não, a vida nem sempre é cor-de-rosa. Ou branca-cor-de-paz-e-de-serenidade. A minha casa podia ser toda ela branca e cor-de-rosa cueca, mas nós somos pessoas de cor. Na vida.

Este blogue podia ser um blogue de branco-cor-de-paz-e-de-serenidade. Podia ser um blogue cheio de frases inspiracionais que as pessoas adoram, mas não vivem, porque nem toda a gente vive assim a vida toda. Porque não é possível. As minhas frases saem quando são precisas, e oiço-as de quem preciso, quando se tornam necessárias. As frases que nos inspiram chegam-nos quando é preciso, pelas pessoas que nos conhecem. Não pelo ar. E só assim fazem sentido. Porque as frases lindas, bonitas, cheias de boas energias e de bons sentimentos sem nada que os fundamente - o exemplo dado por nós próprios - são só mesmo isso: frases que tantas vezes não fazem sentido porque a vida, por mais que queiramos, não é levada com toda a leveza, a calma e a tranquilidade que às vezes queremos fingir.

Não é. A vida é feita de embates. De desamores, de traições, de descontentamentos, de desilusões, de roubos, de irritações, de partidas, de dor, de lágrimas. Claro que também é feita de coisas maravilhosas, e é por isso que eu acho sinceramente que a vida é espetacular. Porque a vida é feita de um equilíbrio magnífico entre coisas boas e coisas menos boas. Entre dias de branco-cor-de-paz-e-de-serenidade e dias negros, roxos, rosa choque, laranja fluorescente e amarelo canário.

A vida é feita de vida, muito mais do que de frases. Ocas e vazias de sentido porque gostamos de fingir que a nossa vida é melhor que a dos outros. Não é. Pode ser diferente. Mas não é sempre boa. Não é tudo lindo. E nós não somos sempre bons.

E é isso que faz de nós pessoas mais completas. Melhores: a capacidade de ser melhor a cada dia que passa. Melhores que nós. Não melhores que alguém.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

D-Day #2

Ontem queria ter publicado esta música mas não tive tempo. Publico hoje. que mais do que um D-Day, esta vai ser uma D-Week. Que começou com um grande dia D.


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