quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A verdade. Sempre.

No dia 4 de Julho - foi por acaso, mas calhou bem - saí do lugar onde estava a trabalhar, por decisão minha. Ao fim de um ano não estava apaixonada. Não me entusiasmava todos os dias. Houve várias coisas que se alteraram entre o período em que lá entrei - precisamente um ano antes - e os tempos em que de lá saí. Coisas que moeram, que pesaram, que me foram cutucando, que me incomodaram.

Ao fim de menos de um ano - com muitas conversas e conselhos de família e amigos pelo meio - decidi entregar a minha carta de demissão. Foi uma decisão pensada, segura, certa. Fiz as malas, zarpei para o meu país de coração e durante vinte dias pensei em pouco mais para além de sol, sal, caipirinhas, rever amigos, dormir, descansar, namorar. Tive duas reuniões e voltei ao modo férias.

Quando voltei passei um mês ao sol, a ver os sobrinhos crescer, a sentir a pele ressequida da quantidade de sol que não apanhava há anos. A matar saudades, a ler, a ler, a ler, a conversar, a fazer planos para a minha agenda preenchida somente pelas pessoas importantes.

De repente tinha tempo. E disposição. Para fazer, para viver, para observar, para pensar, para ser. Fiquei bronzeada como não acontecia há uns oito anos e diverti-me tanto, tanto. Escrevi, li, escrevi mais, assisti a documentários bizarros, voltei a escrever.

Três exatos meses depois voltava a ter uma secretária, um computador, um armário, uma cadeira. Três exatos meses depois do Dia da Independência, voltei a ter uma rotina, um lugar para onde ir trabalhar - e claro!, um salário :)

Três meses ficou bastante abaixo da expectativa que eu tinha em relação a voltar a trabalhar. A minha área não é fácil - nunca foi - e portanto estava a preprar-me psicologicamente para lidar com o facto de poder não arranjar trabalho.

Não foi preciso. E nesse momento percebi - mais ainda - que efetivamente tinha feito a escolha certa. E apercebi-me - mais uma vez - de que efetivamente é recompensado aquele que é fiel a si mesmo. Que se ouve. Que se aceita.Que entrega nas mãos de Quem tudo controla e que sabe esperar, de coração cheio e alma tranquila.

Portanto, na dúvida, o truque é sempre o mesmo: a verdade. Convosco.

[o regresso foi intenso, ótimo, espetacular, mas absurdamente cheio de trabalho. Hoje, ao nono dia, consegui finalmente escrever com jeito. E com tempo. Depois de não ter tido tempo para almoçar. E as saudades que eu tinha disto? :)]



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