sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Can we have it all?

A questão é recorrente à mesa com amigas, e nunca chegamos a uma conclusão clara sobre o assunto: podemos ter uma carreira espetacular e uma vida familiar estável? Ou estamos condenados a ter apenas uma das coisas?

Há  umas que acreditam que claramente não é possível ter uma vida familiar sã e uma carreira de sucesso. Que inevitavelmente deixamos para trás o trabalho e as inúmeras possibilidades quando optamos pela família.

Eu não acredito muito nisto. Repugnou-me, aliás, a história de que a Apple e o Facebook querem pagar às mulheres para elas congelarem os óvulos de forma a "não terem que escolher entre a carreira e a família". Gente, o problema não está nas mulheres, claramente.

O que torna uma mulher tão especial, tão diferente, tão boa no que faz, é precisamente o facto de ser mulher. De poder ter filhos. De ter uma infinitude de características que a dissociam dos homens e de as poderem colocar ao serviço de uma carreira. Não concordo mesmo com quem diz que não é possível ter as duas coisas. Porque à minha volta vejo exemplos de pessoas que não são disso reflexo. Excelentes profissionais que têm as suas famílias, as suas casas, as suas vidas e ainda uma carreira bastante apelativa.

"Ah, mas perdes a disponibilidade para viajar". Não. Perco a disponibilidade a 100%. Mas a menos que estejam com alguém que vos guie por cabresto, não me parece que perca. "Ah, e quando tiveres filhos?" Bom, quando tiver filhos, felizmente eles têm um pai. E tias, em caso extremo. E os avós, de quando em vez. Mas têm pai. Já viram a sorte?

"E depois, como podes trabalhar doze horas por dia?" Well, aí está um grande objetivo: ser uma ótima profissional que consegue fazer o que tem a fazer sem precisar de doze horas por dia. Uma vez por outra, no entanto, não mata ninguém. Aliás, não me parece que haja um botão que faça explodir a mãe após oito horas de trabalho. "Mas a tua profissão é muito corrida. E instável". É. A dos médicos também. E a dos advogados. E a dos jogadores da bola...

"Mas depois vai ser uma má mãe". Sou? Não sei. Sou absolutamente da opinião que os filhos são tão mais felizes quanto felizes são os pais. Se um carreira sólida me faz feliz, acredito que os meus filhos vão ver isso. Dentro dos limites do aceitável, obviamente!, que os filhos precisam de pais presentes. Mas os pais não se fazem mais presentes pela fisicalidade da presença. O meu pai passou a vida fora, eu só o via aos finais de semana e ele não foi um mau pai.  E esteve sempre presente.


 Não consigo, juro que não, entender esta coisa de só podermos ser bons à vez. De não nos poder ser dada a oportunidade porque, à partida, vai correr mal. De nos limitarem as escolhas sem nos permitirem tentar, pelo menos: posso experimentar ser uma boa mulher, mãe e ainda ter uma carreira profissional sólida? Tenho que optar entre uma coisa e outra?

Por que é que essa possibilidade de escolha nos é vetada, inclusivamente pelos nossos pares? De onde vêm as certezas? De onde vem o preconceito? E não me digam que está provado, porque não está. Porque se todos nós - homens, mulheres - respeitássemos esta individualidade, percebíamos que não é por uma mulher ter família ou filhos que se torna pior profissional. São, sim, aqueles que à sua volta duvidam, que a castram.

E isso, infelizmente, é um problema de primeiro mundo que tem mentalidade de terceiros.

1 comentário:

  1. http://www.dailyworth.com/posts/3105-don-t-call-me-a-working-mom

    Suiting.

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