quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vida oca

Não, a vida nem sempre é cor-de-rosa. Ou branca-cor-de-paz-e-de-serenidade. A minha casa podia ser toda ela branca e cor-de-rosa cueca, mas nós somos pessoas de cor. Na vida.

Este blogue podia ser um blogue de branco-cor-de-paz-e-de-serenidade. Podia ser um blogue cheio de frases inspiracionais que as pessoas adoram, mas não vivem, porque nem toda a gente vive assim a vida toda. Porque não é possível. As minhas frases saem quando são precisas, e oiço-as de quem preciso, quando se tornam necessárias. As frases que nos inspiram chegam-nos quando é preciso, pelas pessoas que nos conhecem. Não pelo ar. E só assim fazem sentido. Porque as frases lindas, bonitas, cheias de boas energias e de bons sentimentos sem nada que os fundamente - o exemplo dado por nós próprios - são só mesmo isso: frases que tantas vezes não fazem sentido porque a vida, por mais que queiramos, não é levada com toda a leveza, a calma e a tranquilidade que às vezes queremos fingir.

Não é. A vida é feita de embates. De desamores, de traições, de descontentamentos, de desilusões, de roubos, de irritações, de partidas, de dor, de lágrimas. Claro que também é feita de coisas maravilhosas, e é por isso que eu acho sinceramente que a vida é espetacular. Porque a vida é feita de um equilíbrio magnífico entre coisas boas e coisas menos boas. Entre dias de branco-cor-de-paz-e-de-serenidade e dias negros, roxos, rosa choque, laranja fluorescente e amarelo canário.

A vida é feita de vida, muito mais do que de frases. Ocas e vazias de sentido porque gostamos de fingir que a nossa vida é melhor que a dos outros. Não é. Pode ser diferente. Mas não é sempre boa. Não é tudo lindo. E nós não somos sempre bons.

E é isso que faz de nós pessoas mais completas. Melhores: a capacidade de ser melhor a cada dia que passa. Melhores que nós. Não melhores que alguém.

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