quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Infinitamente feliz

Cinco dias. 49 horas. Três dias. 24 horas. Milhares - literalmente, milhares e milhares e milhares - de caracteres escritos. Uma tendinite que não passa.  Esta semana não será, nem de longe, parecida com a semana passada, mas o esforço redobra-se por acumulação do cansaço. Pede-se à cabeça que pare, mas o trabalho acumula-no fatídico caderno onde vamos escrevendo as ideias que quase queremos não ter. Estás bem? Estou espetacular. Mais ou menos. Quase espetacular. Um sorriso e um suspiro. A semana começou, também, com uma quase paragem de digestão - sabem?Quando a digestão não pára mas demora mais de 12 horas a ficar concluída?

Espetacular. Porque alguém tem que mostrar que há motivos para sorrir. Aconteceu isto, ouve-se no primeiro telefonema do dia. E mais isto, no quarto. Sucedem-se os acontecimentos, os problemas para resolver, as coisas para fazer enquanto se escoa por entre os dedos o tempo que teima em não aumentar. Não temos já cabeça ou memória para assimilar o que nos dizem. Não é por mal. É por incapacidade. É por falta de sinapses que o permitam. Ah, e não vais fazer A e B e C? Não. Quando a semana acabar - e hoje acordei com a profunda convicção de que era quinta-feira - só quero dormir. E não o vou poder fazer. Pelo menos não poderei fazer SOMENTE isso. Portanto, sofro por antecipação. E sofrer por antecipação cansa.

Estou feliz. Infinitamente feliz. Mas se pudesse encostar-me só um bocadinho e dormir por mais de sete horas seguidas, duas noites, seria muito feliz. Enquanto não o faço, desligo o telefono, esqueço-me de mensagens, de emails, e tento esquecer-me também de que o mundo continua a rodar. Infinitamente feliz implica sacrifícios. Esquecer o mundo, às vezes, é um deles.


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