quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Letras & Magnólias | Casa



Largámos o 'Frente&Verso' porque percebemos, ao fim de quase dois anos, que temos muito menos coisas sobre as quais discordamos do que coisas sobre as quais pensamos da mesma forma. Mas adoramos escrever juntas. Desafiamo-nos. Melhoramos. Crescemos, quando o fazemos E por isso, decidimos trocar o 'Frente&Verso', onde tudo começou, pelo 'Letras& Magnólias'. Um espaço nosso, a quatro mãos, que vai versar sobre o que quisermos. Quando quisermos. As letras são minhas. As magnólias são dela. Ambas adoramos as duas coisas.


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"Em Janeiro de 2011 fui mãe pela segunda vez. Nessa altura, já andava a viver no limbo. Trabalhava a tempo inteiro, mas recebia quando calhava. Às vezes meio ordenado no fim do mês e o restante quando houvesse dinheiro. Às vezes, o fim do mês acontecia quase a meio do mês seguinte. Fiquei cinco meses de licença de maternidade, mas sempre a pensar nisto de estar numa situação incerta. Quando regressei ao trabalho, em pleno Verão, as coisas continuavam na mesma - para não dizer que estavam piores. Comecei a procurar outro trabalho porque não dava para continuar assim, sem saber quando recebia, quanto recebia, e a ter as mesmas despesas que tinha quando tudo era certo e não havia improvisos. Nessa altura, ir trabalhar era uma despesa que o meu trabalho não conseguia suportar - havia alturas que não sabia como ia conseguir comprar o passe para ir para o trabalho, o que é, no mínimo, ridículo.

Encontrei trabalho com relativa rapidez. Mudei. Foi a pior coisa que fiz na vida. Fui para uma empresa onde se praticava uma espécie de bullying laboral. Fui maltratada e desrespeitada. Passei duas semanas a chorar - começava assim que acordava, durava o caminho todo para o trabalho; no escritório, obviamente, controlava-me, mas as lágrimas regressavam assim que punha o pé no elevador, à noite, à hora de regressar a casa. Não aguentei. Ao fim de quinze dias demiti-me. Renegociei a minha situação na empresa anterior e passei a trabalhar a partir de casa, num regime de avença, a receber muito menos do que recebia a tempo inteiro. Continuo assim. Passaram três anos.
Isto de estar em casa tem vantagens óbvias: tenho tempo. Levo os meus filhos à escola às nove, não preciso de os deixar num ATL às sete da manhã ou coisa que o valha. Vou buscá-los às 17h30. Levo a miúda à natação quando ainda é de dia. Por norma, antes das 19h já estou de volta a casa. 

Mas eu não sou pessoa para estar em casa a vida toda. Preciso de mais. Preciso de produzir, de ser necessária, de fazer coisas acontecer. E, verdade seja dita, preciso de dinheiro, preciso de voltar a ter um ordenado normal e não um ordenado de micro-part-time. Tenho quase 36 anos. Não me arrependo destes três anos passados aqui, em casa, a trabalhar para a empresa, a trabalhar para mim, a trabalhar para nós. Mas é tempo de largar o ninho e de ir à procura do meu lugar. O ideal? Um trabalho que envolva escrever. A procura já começou... agora é aguardar. E rezar para que coisas boas aconteçam!"

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Esta magnólia foi escrita pela Lénia. As usual! E que saudades eu tinha. As minhas letras estão no blogue dela. Como também já era hábito.



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