domingo, 14 de dezembro de 2014

É isto o Natal?

Portanto, as horas continuam a passar velozes, neste pequeno quadrado de mundo - o meu - e o trabalho vai-se empilhando e empilhando enquanto eu loucamente lhe tento dar vazão. A semana começou hoje depois de a semana passada ter tido mais horas do que alguma vez julguei ser possível. Tenho mais quatro dias pela frente, e todos eles se adivinham infinitamente grandes.

O Natal - de que eu tanto gosto - está a chegar, e eu tenho menos espírito natalício que a rena Rodolfo em Agosto. Não tenho tempo para pensar no Natal. Na verdade, nem quase para pensar. Ah!

Mas entretanto, ontem, por vicissitudes várias - que nada têm a ver comigo, que eu tinha os mimo de Natal tratados no final de Novembro, como já referi.. - precisei de enfrentar o Colombo. Isso. O Centro Comercial Colombo a duas semanas do Natal. E a loja da Disney. E outras que tais. Não sei qual o sentimento que me consumiu mais rápido: o que me fazia querer fugir dali para fora ou a profunda tristeza de assimilar aquilo em que se transformou o Natal.

Eu venho de uma família simples, cresci numa vila ainda mais simples e os meus Natais sempre foram incríveis. Era o tempo de estar com as pessoas, de trocar bolinhos, bolachinhas, de ter roupa nova ou os livros que não podiam ser comprados ao longo do ano. Trocávamos velas, postais de Natal. Coisas simples. E tentávamos dar algo a quem tinha menos.

Na Disney [uma loja odiosa, para dizer a verdade], apetecia-me chorar. Verdadeiramente. Certo, eu ando um pouco cansada e com isso mais sensível, mas realmente apetecia-me. À minha frente desfilavam sacos com vestidos de princesa, de homem aranha, sabrinas de plástico rosa, tiaras e demais bonecas absolutamente inúteis com preços a roçar o ridículo. As pessoas largavam, naqueles balcões, dezenas, centenas de euros. Em coisas inúteis. Havia quem saísse de lá com quatro bonecas de 30 euros cada. E eu confesso que olhava, aparvalhada, para tudo o que acontecia e pensava que o problema era meu. Tinha que ser meu. Tem que ser meu.

Eu sei que no Natal as crianças pedem brinquedos. Eu também pedia. Os meus sobrinhos também pedem - e well, eu estava na Disney, right? Eu não sou a tia que dá brinquedos. Eu sou a tia que dá livros, que dá jogos didáticos, que dá roupa quando é preciso. Sou a tia chata que se recusa a dar 30 euros por uma boneca inútil ou por um fato de homem aranha. Porque não cresci assim. Cresci com os meus pais a mostrar-nos que no Natal é também tempo de dar coisas úteis. Aquelas coisas que até podem ser um bocadinho dispensáveis, ou mais caras, mas que de alguma forma são úteis no resto do ano.

E eu tento levar isso para o meu Natal - quando posso. Este ano todas as minhas amigas vão receber lembrancinhas de nada. Porque não podia não lhes dar algo, mas também não podia dar mais. São coisas para elas usarem, que de alguma forma me fazem estar perto. É assim o meu Natal. Usámos mais um bocadinho de dinheiro que o habitual para comprar comida para o Banco Alimentar e tentámos participar em acções de solidariedade para que o Natal pudesse chegar a todos.

E eu não gosto do Natal em que só se compram brinquedos, inutilidades e se gasta muito dinheiro. Incomoda-me. De verdade. E nestes dez minutos do meu dia, achei que o devia partilhar convosco. Para o facto de haver alguém aí que sinta o mesmo que eu. 



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