quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Letras & Magnólias | Natal



Natal é tempo de dar. Para o último Letras & Magnólias do ano, decidimos que poderíamos dar-vos mais um pouco de nós. Combinámos que enviaríamos uma à outra, sem combinar coisa alguma, cerca de dez perguntas. O envio teria que ser feito ao mesmo tempo para não nos influenciarmos. O resultado são perguntas muitos diferentes e respostas à medida. Aqui podem conhecer melhor a Lénia. As minhas Letras estão no blogue do costume.


1. Qual a coisa que mais te angustia?
A morte. A ideia de que tenho um tempo finito por aqui e saber que não poderei fazer tudo o que quero fazer. Não é a morte em si que me assusta. É pensar em tudo o que deixarei para trás. Curiosamente, antes de ter filhos não tinha nada esta preocupação. Depois, com a chegada deles, veio o medo e a angústia perante a morte.
2. Qual é a tua relação com o poder? Incomoda-te?
Tenho uma relação estranha com o poder. Não nasci para mandar - não naquele sentido institucional, de ser chefe de pessoas e assim. Tenho muito respeito por hierarquias e tendo a ser um bocado subserviente, o que é horrível. Incomoda-me o despotismo. Já tive disto num dos meus ex-empregos e, obviamente, não aguentei a coisa muito tempo. Não percebo aquelas pessoas que vivem para trepar, para chegar a lugares de topo. Nunca fui assim. Sou muito pouco ambiciosa (e isto tem tanto de bom como de mau, aviso já!).
3. Tinhas sonhos, quando eras criança. Quais deles se concretizaram?
Lembro-me de ser muito miúda (uns 12 anos, talvez) e de ter tido a ideia claríssima de que um dia haveria de viver sozinha. Na altura, dizia que era quando fizesse 18 anos. Concretizou-se aos 24, quando comprei a minha casa. Também sempre quis muito ser mãe e sempre achei que seria mãe aos 28. Bingo.
Sonhava viajar muito, mas viajei muito menos do que sonhei, até agora.
4. Que sonhos tens agora?
Há muito tempo, apenas um: fazer-me escritora. Não tenho pressa nenhuma com isto, não escrevo a metro nem com a pressão de editar a primeira porcaria que termine. Tenho tempo (ou não tanto - ver resposta à pergunta 1). Acredito mesmo que um dia acontecerá. Sei que esse é o meu caminho. Nunca quis fazer nada tanto como quero escrever.
5. O que gostavas de deixar ao mundo?
Livros, lá está. Assusta-me a ideia de não perdurar para lá da minha morte, mas não é isso que me faz escrever. A verdade é que tenho muitas, muitas histórias por aqui, a pedir para serem contadas.
6. Qual a coisa mais importante que gostavas de ensinar aos teus filhos?
Quero que percebam que podem ser quem são sem passar por cima de ninguém. Quero que sejam generosos, equilibrados, curiosos, trabalhadores, empenhados. Quero que sonhem e que lutem pelos sonhos que tiverem. Quero que sejam felizes e que saibam que, para isso, só precisam de acreditar neles mesmos. Quero ensiná-los a levantarem-se depois de caírem e que percebam que isto é muito mais importante do que saber evitar as quedas.
7. O que procuras nas pessoas?
Defeito de fabrico (sou uma psicóloga frustrada - tive, durante muito tempo, o sonho de ser psicóloga forense, ideia rapidamente "descartada" pelo meu pai, que não me queria a trabalhar com criminosos), procuro ler sempre para lá do que me mostram. As pessoas são muito mais o que escondem do que o que exibem e é isso que me fascina.
Nas minhas relações sociais, procuro essencialmente gente descomplicada. Não tenho muita paciência para salamaleques nem para espalhafatos. Gosto de gente que se ri de si própria, que não se leva muito a sério e que não tem problema em assumir as suas fragilidades.
8. Se te dissessem que tinhas três desejos que podias ver concretizados, como o Aladino, quais seriam?
Hummmm... difícil, esta!
Então: Pedia para ter os meus filhos, os meus pais e o meu marido para sempre comigo - que nenhum adoecesse nem morresse, isto é. Depois pedia tempo: que o Génio me arranjasse mais uns 200 anos para viver (podia ser à conta de plásticas tipo Duquesa de Alba, sem problema!). E depois pedia fundos ilimitados, monetariamente falando - o tipo de fundos que me permitisse fazer tudo o que me falta fazer: viagens, viver uma temporada em Nova Iorque, conhecer países esquisitos como o Irão e o Bangladesh, por exemplo. Ah, e com os tais fundos ilimitados punha sorrisos na cara de muita gente: ajudava os amigos e a família para que também eles pudesse concretizar os seus sonhos.
9. O que te faz levantar todos os dias?
Os meus filhos, na verdade. Sei que, até eles estarem encaminhados na vida, a minha missão e cuidar deles e guiá-los. Nos entretantos, vou fazendo pelo meu próprio sonho - o tal da escrita. Mas, para já, o que quero é vê-los crescer felizes e é por isso que me mexo todos os dias.
10. Quem é que te inspira?
Ui... confesso que não te sei responder a isto. Já me senti inspirada por pessoas que se revelaram verdadeiras vendedoras de banha da cobra, portanto acho que já evito um bocadinho ir por aí.
11. Como é que se chega à "verdadeira" Lénia? What does it take?
Eu sou muito complicadinha: sou super extrovertida mas sou ainda mais reservada. Contra-senso? Não. Uma é a face pública, visível: sou muito dada, faço amigos (conhecidos, vá) com muita facilidade, sou comunicadora. A outra é a face privada: muito pouca gente me conhece a fundo. Não se trata de esconder o que sou. Trata-se de reservar o que é só meu para um círculo muito restrito de pessoas. No fundo, acho que tenho alguma dificuldade em confiar nas pessoas a 100%, porque já me desiludi muito. É uma defesa, se quiseres. Aquilo que eu mostro ao mundo é aí 5% do que eu sou. E não é por mal...

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