terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Adeus, 2015. Olá, querido 2016!

Que coisa esta, do tempo que não para de correr, mesmo quando nós achamos que ele agora passaria mais devagar. 2015 está a acabar e a mim pareceu-me que ainda ontem estava a passar em retrospectiva 2014 mas de repente já estamos é a olhar para 2016, caramba!

E que ano foi este, de 2015. Novamente. A nossa vida anda um turbilhão de coisas, acontecimentos, alegrias, tristezas, projectos, desafios, falhanços. Tanta coisa que faz o tempo correr tão acelerado e quando damos conta já passaram 12 meses e nós já nem sabemos bem o que fazer nos próximos, mas até sabemos porque eles vão chegar a correr. Uffa.

Este ano foi um mega ano, caraças – sim, sim, estou a tornar-me repetitiva. Os primeiros seis meses foram um cansaço. Os segundos seis meses também. Multiplicaram-se viagens de trabalho e de férias, conheceram-se lugares novos, voltámos aos lugares de que mais gostamos, visitámos amigos queridos, fizemos férias em família, com amigos e a dois, mudámos de casa, mudámos (mudei) de trabalho, nasceram crianças, houve anúncios de que vão nascer mais crianças, houve casamentos – MAIS CASAMENTOS!! –, houve estreias em televisão, houve amigos tão, tão bons a chegar e outros a partir; houve amigos de sempre a aconchegarem-se ainda mais, houve vindimas no Douro, vinhos do Dão, encomendas de longe, projetos novos…houve também coisas menos boas, como deve haver sempre para equilibrar a vida, que “tudo o que é demais, é moléstia”, até a alegria e a felicidade.

2015 foi um ano de crescimento imenso. Mudámos de década e de repente quase somos levados mais a sério só porque temos mais um ano na idade. Foi o ano em que consolidei as certezas de tudo o que não quero na vida; em que me afastei do que achei que tinha que afastar; em que me reaproximei do essencial; em que perdi o medo de ser eu, no matter what.


A selecção do Instagram para o meu 2015
Este ano foi um ano incrível e marcou momentos únicos da minha vida. Acredito piamente que o próximo poderá ser igualmente maravilhoso. Assim nós saibamos lutar por isso!, e fazer os bons momentos mitigar os menos bons. Todos os dias.

domingo, 20 de dezembro de 2015

I really, really, really love Christmas!

Quem acompanha este blogue sabe que eu adoro o Natal. Mas adoro, mesmo. Não consigo perceber as pessoas que dizem "ah, Natal é giro é com as crianças"; ou "quando era miúdo ainda me entusiasmava com os presentes, agora..."

Natal é tão, mas tão mais do que apenas a noite da consoada, que sinceramente não consigo mesmo compreender as pessoas. É óbvio que tendo em conta que sou católica, o Natal tem uma importância naturalmente maior. Até porque a vinda do Menino Jesus tem, sim, uma aura que todos devíamos aproveitar:

o nascimento do Jesus, e portanto, o Natal, é sinal de esperança, é oportunidade de renascimento, é tempo de alegria, de amor, de tempo, tal como quando nasce um bebé na família.

é altura de pensarmos em tudo o que não gostamos, tudo de que gostamos, de fazer escolher sobre o que queremos e ou devemos deixar para trás; de ouvirmos o coração;

é tempo de lembrar os que teimamos em esquecer, e de voltar a repor prioridades; é tempo de agradecer por tudo o que temos de bom e relativizar o que de menos bom nos foi cruzando o caminho;

Natal é, naturalmente, tempo de família. É a época em que nos juntamos todos à volta da mesa, voltamos a partilhar a casa dos pais, dedicamos tempo uns aos outros;

É, sim, tempo de presentes. Não é preciso serem presentes estupidamente caros. É preciso, sim, serem presentes sentidos: sejam um abraço, um prato de biscoitos, um beijinho e um lanche com tempo para quem no-lo merece. Ou presentes materiais de que precisemos ou de que gostamos e que sejam possíveis de ter. Os presentes não têm que ser um problema a menos que nós os transformemos nisso.

Eu adoro o Natal, mesmo que não tenha uma árvore gigante em casa [ainda!!], que não saiba se consigo não trabalhar na véspera de Natal, que a probabilidade de haver dois dias que são uma canseira louca só depois dêem lugar a tudo o que realmente vale a pena: a lareira, a família, os amigos de quem tenho tantas saudades, o calor [em casa e no coração], os presentes, o tempo...

Eu adoro o Natal, os cheiros, os biscoitos, as pessoas, a correria, o cheiro a lareira acesa, as iguarias, as decorações, as canções...Adoro. E mesmo que o mundo todo ande carrancudo a gritar que não gosta do Natal, que não faz sentido, que bla bla bla (juro que acho que as pessoas começam a gostar de dizer que odeiam tudo o que é tradição), eu andarei sempre feliz no Natal, a obrigar que haja jantares e almoços com amigos secretos, a cantarolar canções de Natal e a sorrir em dobro para quem se mostrar mal-disposto!

BOAS FESTAS, everyone!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Da saudade que aperta

Às vezes, sobretudo quando a noite cai mais cedo e quando o frio se torna mais agreste, bate aquela saudade imensa do sorriso que conseguimos do outro lado do Atlântico. Do mate Leão que acompanha biscoito Globo, na companhia de que mais gostamos, de quem se transformou no mais importante da vida.

O pão de Açúcar, lá ao fundo, a lembrar-nos de que a vida, por muitas voltas que dê, nos quer bem. Tanto bem. O sol a queimar-nos a pele, a areia a esfoliar-nos os pés, o vento que nos põe o cabelo em desalinho e os sorrisos que nos não saem da cara porque aquele país agora também é nosso (dos dois). Porque temos família que escolhemos em lugares que nunca pensámos pisar quando mais ter uma casa a que chamamos, mesmo, casa.


De repente bate uma saudade de aterrar no Galeão, de havaianas nos pés e protetor solar na mala e ser feliz assim. Na simplicidade de um sorriso.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Já nasceu!

Para quem anda nisto do jornalismo, ou nas lides da escrita, no geral, ter um projeto novo cá fora é quase tão importante como ter um filho - mimimimi, poupem-me à parte de que sou uma exagerada porque não tenho filhos e portanto não posso comparar, está bem?

Desde Outubro que faço parte de uma equipa incrivelmente divertida, competente e bem-disposta que tem estado a trabalhar na edição portuguesa da revista Forbes. E o número 1 nasceu!, e a partir de hoje está à venda em todas as bancas o que nos enche de um orgulho e de um sentido de responsabilidade imensos.

Ao contrário do que possam pensar, a Forbes não é uma revista para ricos, para empresários com empresas de milhões de euros. Ou melhor, não é só uma revista para esse tipo de pessoas. É uma revista para todos. Para todos os que se interessem por empreendedorismo, negócios, ideias, sucesso, ambição. É uma revista para todos, onde nós damos o nosso melhor para que isso fique mesmo refletido no produto final.



A edição portuguesa é mensal, custa 5 euros (tem uma impressão maravilhosa e fotografias muito muito bonitas) e tem um monte de histórias que valem o investimento de tempo e de dinheiro que tenham que fazer nela. Portanto, convido-vos a irem ler este meu filhote, que na verdade é o primeiro, visto que nunca tinha trabalhado na equipa fundadora de coisa alguma! :)

Ora espreitem lá!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Obrigada! Muito, muito obrigada!

[Há um ano era dia de Ação de Graças e eu escrevi aqui este texto. Li-o hoje e voltaria a escrever tudo. Assim mesmo].

Eu, o computador no colo, o gato aconchegado na manta que nos aquece a ambos. No frigorífico há comida. Nos armários, também. Há cobertores, aquecedores, lençois quentinhos, água escaldante, toalhas fofas. Há botas quentes para calçar, casacos que nos permitem ficar secos, camisolas que nos mantêm quentes. Hoje, com o temporal que cai lá fora, parece que se adensa e se aprofunda este sentimento. De gratidão. Eu não sou muito de adotar feriados e festividades de outros países. Mas sempre gostei do Dia de Ação de Graças americano. Porque gosto que sejamos gratos. Sou muito muito grata por tudo o que tenho, pelas armas que me foram - que me são - dadas para lutar por tudo o que acho que faz sentido.

Sou grata pela família que tenho, com todas as suas particularidades. A que vem de há trinta anos e a que comecei a criar há quase dois. Sou grata pelos amigos, os mais e menos presentes, os que me ensinam tanto, todos os dias. Sou grata pelo meu trabalho, pelas oportunidades que me têm sido dadas. Pelas pessoas que têm passado pelo meu caminho ao longo da vida. Por todas elas: as que permaneceram e as que nos entretantos decidiram seguir outros rumos. Porque com todas aprendi algo. Cresci. Fiz-me quem sou.

Sou grata pelo que tenho. E tento lembrar-me disso sempre que quero mais, para não perder a noção de que ter mais não é sinónimo de ser mais. Sou grata pelos erros que cometi e pelas falhas que tenho e nas quais tento trabalhar todos dias.

Sou muito grata pela sorte que a vida me tem dado. De coração. E ao longo dos tempos fui tendo a certeza de que quanto mais grata sou, mais motivos a vida me dá para que esteja grata. Ou talvez seja o facto de me sentir tão grata que me mostra tantas coisas pelas quais agradecer.

Não sei. Sei que hoje é dia de agradecer por tudo o que temos - aliás, todos os dias são. E não de pensar em tudo o que não temos. Porque há-de haver sempre algo que não temos. Há-de haver sempre coisas que nos faltam, de que gostamos, que queremos. Sempre. Mas é tanto mais o que temos, que não há motivos para não estarmos sempre gratos.  Nem que seja pela nossa vida. Por acordarmos. Por termos pessoas quem gostam 

de nós. Por termos pessoas de quem gostamos. Por termos um teto sob o qual nos abrigarmos. Por termos o que comer. O que vestir. Por sermos. Todos os dias.  

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Do amor, das cidades-amor

Vesti, por acaso, na segunda-feira um casaco que não vestia há meses. Saí de casa a correr, quentinha no meu casaco vermelho-de-outono-quase-inverno, de coração apertado porque tinha passado o final de semana a ver as notícias de Paris, estômago às voltas, lágrimas a querer saltar a cada notícia sobre o assunto.

Foi também a correr que comecei a fazer o percurso de todos os dias, até que pus a mão no bolso esquerdo. E tirei vários, tantos bilhetes de metro, de comboio que usámos da última vez que estivemos em Paris, no meu aniversário. Tirei o cartão de uma das creperies que já se tornou um 'must go' sempre que por lá passo - curiosamente, numa das ruas contíguas à do Bataclan. Tirei estas memórias todas do bolso e sorri. E a seguir reforcei: vamos marcar uma viagem a Paris. Que o medo não nos vai vençar. Porque o amor vai mesmo ser sempre mais forte. Se morremos por isso, é uma morte por amor. Há melhores que essas?

Memoires de Paris, 2015

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Coisas que me transcendem


Eu sei que o Facebook é uma ferramenta extremamente útil. Eu própria o uso diariamente, para ler notícias, encontrar pessoas, para me distrair, you name it. Mas há uma coisa que me incomoda solenemente, que é as pessoas esquecerem-se de que o Facebook não é uma ferramenta formal de trabalho.

Uma coisa é usarmos o chat para falar com as pessoas sobre trivialidade, para reencontrar alguém que não vemos há anos, até para pedir contactos. Outra coisa é usar o chat ou as mensagens de Facebook como se fossem uma ferramenta de trabalho oficial. Gente, usem os emails!, for God sake. Não me enviem comunicados pelo Facebook, não me façam pedidos oficiais, conversas oficiais de trabalho pelo Facebook. A sério.  Não só perde toda a credibilidade como é incómodo. Enviem-me um email, uma carta, o que quiserem.


Os meus contactos profissionais são públicos, dou o meu email pessoal a quem o pede…cresçam um bocadinho que isto da vida adulta tem coisas relevantes como sabermos que ferramentas devemos usar em cada ocasião. Se não é uma festa de aniversário, um jantar informal ou um café pessoal, por favor, enviem emails. Ou liguem – já ninguém fala ao telefone, atualmente? Obrigada.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Não vamos ceder ao medo

Tenho poucas palavras sobre o que aconteceu este final de semana. Tento ver poucas notícias porque me dói - tanto -, porque as lágrimas teimam em querer saltar-me dos olhos sempre que dizem quantas pessoas foram, como foi, sempre que repetem os sons das rajadas de balas. O que tenho a dizer escrevi-o aqui, à distância de um clique. Mas em resumo: não cederei ao medo. Não me tirarão a alegria de viver. Não deixarei a quem virá depois de mim um mundo de medo. Quero, vou deixar um mundo de sonhos.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Casar ou não casar...

Há uma coisa que me transcende há anos: por que é que as pessoas que não querem casar porque "não acreditam no casamento", porque "um papel não muda nada", bla bla bla, adoram usar alianças e dizer "não significa nada, mas fez-me sentido".

Ora, as alianças estão associadas ao casamento - ao compromisso - desde para aí o tempo dos romanos!, verdade? Elas são usadas por pessoas que se casam uma com a outra porque são sinal desse compromisso, de um pacto de amor, fidelidade, dedicação sem fim. É quase tão importante quando o casamento em si.

E eu fico confusa. Porque se as pessoas não se querem casar, usam alianças porque...? E se a aliança "não significa nada" mas "faz sentido", isso quer dizer exatamente o quê?

Alguém me pode explicar?

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Moinho de Vento: Spread the wooooord

É certinho como o destino: mais ou menos de quatro em quatro meses temos sempre amigos que nos perguntam por uma destas coisas – se temos uma pessoa que faça limpezas em casa, de confiança ou se conhecemos alguém que possa fazer baby-sitting, igualmente de confiança. E nós, por norma, não conhecemos. Quer dizer, conhecemos a nossa querida V., mas já passámos o contacto dela a quem foi possível, e agora, só se deixasse de ir a nossa casa, o que era aborrecido.

Mas eis que a minha querida prima-irmã se decidiu a chegar ao mercado com uma oferta integrada de serviços ‘para toda a família’, como ela lhe chama. A minha querida prima-irmã [que conheço desde que nasceu, visto que só nasceu um mês depois de mim] é licenciada em Animação Sociocultural, e há muitos anos que trabalha na área: já trabalhou em lares de adolescentes, em centros de actividades de tempos livres, com idosos…you name it. Actualmente é directora de um centro de ATL, em Lisboa, mas decidiu que queria fazer mais, porque centrar-se só num tipo de público não lhe chegava.

Porque ela é mesmo assim: se puder chegar a todos, chega. E por isso criou o Moinho de Vento, uma empresa que pretende oferecer serviços para a família toda!

Isto significa que para além de dar explicações, ajudar as crianças a criar métodos de estudo ou fazer baby-sitting, a empresa dela também presta apoio domiciliário a idosos (e eles adoram-na); dá workshops de trabalhos manuais; organiza festas (incríííveis) de aniversário para crianças ou festas temáticas para adultos sem cobrar três salários por cada uma; fornece serviços de catering – organiza cestas de pic-nic, almoços ou jantares em casa; ensina técnicas de organização e gestão de tempo para quem está a começar um negócio e (uma das minhas favoritas), ensina a optimizar o espaço que temos em casa, em gavetas, armários e afins. E sim, também é possível pedir ao Moinho de Vento serviços de limpeza doméstica.

A título de exemplo: se não fosse ela, ainda hoje a nossa casa, para a qual mudámos no início do Verão, seria um monte de caixotes e objectos espalhados pela casa. Não sei bem como, mas ela conseguiu enfiar o Rossio na rua da Betesga e em menos de nada a nossa casinha estava arrumada, organizada e funcional.

Isto tudo para dizer o quê? Que obviamente sou tendenciosa, uma vez que a minha prima-irmã é mesmo isso. Uma prima-irmã que acho que faz tudo aquilo a que se compromete de uma forma realmente profissional. Mas isto tudo serve também para dizer: espalhem a palavra. A miúda tem imensa vontade, jeito e é de absoluta confiança. E nesta coisa de se trabalhar com pessoas (idosos, crianças, festas), há pouca coisa tão valiosa quanto a confiança.

Podem ver todos os serviços prestados aqui e podem acompanhar o trabalho dela através da página do Facebook. Têm todos os contactos em ambas as plataformas. E claro, também vo-los posso dar, in case needed.


Estão à espera de quê, mesmo? Ide ver, pessoas queridas, ide ver! 

domingo, 25 de outubro de 2015

Lealdade

Eu sou uma pessoa que dá importância à lealdade. Aliás, muita importância. Mais do que à diplomacia, que ao cuidado extremo com o que se diz, sou muito muito focada na lealdade, em qualquer campo da vida.

Em termos pessoais, sou bastante imune a que as pessoas não liguem durante meses, que não marquem, apenas que vão enviando uns mails ou umas mensagens a dizer como estão, mas sou absolutamente intolerante com a deslealdade.

Em termos profissionais, também. É-me absolutamente indiferente se gosto ou não da pessoa com quem ou para quem trabalho. Sou-lhe absolutamente leal, dedicada, responsável. Sempre fui da opinião que no trabalho não temos que ser amigos das pessoas - acredito mesmo que não. Acho que se encontrarmos alguém de quem nos tornemos amigos, é um bónus incrível. Mas é-me indiferente.

Até posso gostar menos cinquenta das pessoas com quem me sento à secretária, com quem partilho o espaço, a quem respondo. É bastante possível que seja antipática - ou menos simpática -, tenha pouca boa-vontade ou que passe parte do dia a refilar. Mas não serei desleal. Não sou. E isso é o mínimo que exijo a todos os que se cruzem no meu caminho: não admito, não tolero deslealdade. E assim que a sinto na pele, a minha lealdade cai, porque eu só posso ser leal a pessoas que o são.

Por norma, esta coisa da lealdade é uma coisa que se sente. De verdade. É nas pequenas coisas que a encontramos, a deslealdade. São pequenos sinais de pessoas aos quais podemos estar atentos - porque as pessoas desleais raramente conseguem esconder isso sempre. É naquela frase que não foi dita, na frase que foi dita, no tom da crítica, no mexerico que sabemos de onde partiu. A deslealdade está nas atitudes de quem salta fora sem aviso, de quem quer tudo e não dá nada, de quem não agradece, de quem não sabe qual o seu papel, a sua missão dentro de uma organização.

Muitas vezes há quem confunda lealdade com submissão, com dependência, com ingenuidade. Muito pelo contrário: a lealdade é uma das maiores liberdades e um dos maiores desafios. Só a lealdade impede que se ande ao sabor da maré, dos interesses (no sentido interesseiro, mesmo), que nos afastemos do que é correto. A lealdade deve guiar-nos sempre, e é sempre recompensada. De verdade.

Não lido nada, nada bem com a deslealdade. E cada vez mais me parece que as pessoas esquecem de que um dia o mundo lhes vai responder da mesma moeda: só se é leal a quem se mantém leal. Só não se é leal a quem falhou na lealdade.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Estamos a ensinar coisas muito erradas aos mais novos

Eu sei, eu sei. Eu não sou mãe, portanto não entendo a necessidade de ter algum silêncio e quietude e não percebo como é incrível o que um tablet ou um smartphone podem fazer pela sanidade mental...

No entanto, sou filha. Sou tia. Sou neta. E sei como é que a minha mãe, a minha avó garantia a sanidade mental. E sei como são os miúdos. O que eu não sei, e isso assusta-me verdadeiramente, é que tipo de pessoas estamos a criar. Não sei se quero ter filhos que vão viver com gente que "morreria" se lhe "tirassem o tablet". Não sei o que estamos a fazer do mundo. Mas sei uma coisa: os pequenos seguem os exemplos dos mais velhos. E há algo de muito errado no que nós lhes estamos a passar.

Esse vídeo tem um minuto. Era importante que toda a gente o visse. A sério.

   

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Um mês

Apercebi-me agora de que há quase um mês que aqui não venho. Por razões diversas, a vida afastou-me deste espaço e aproximou-me de outros. Às vezes acho só que não faz sentido continuar a escrever, há dias em que não tenho vontade, há ainda aqueles em que tenho vontade mas não tenho nada que dizer.

Um mês.

E tanta coisa mudou: mudámos de emprego – again! –, mudámos de rotinas, mudámos de colegas, mudámos de caminho diário. Mudámos de disposição, também, e mudámos de registo. Abraçámos novos projetos de voluntariado e voltámos às aulas de canto. Manteve-se o sorriso, a forma de trabalhar, a alegria e a dedicação.

Fizemos alguns passeios, namorámos, tomámos decisões, tratámos da casa – já não tão nova -, lidámos com situações novas nesta vida a dois, fizemos planos para o futuro próximo. Tudo coisas boas, intercaladas com as menos boas que a vida é mesmo assim e equilíbrio é sempre bom para nos manter os pés bem assentes na terra.


Foi isto. Um mês cheio de tanta coisa que um blogue inteiro quase não seria suficiente para as contar. Quem sabe agora a vida acalma e ele volta a fazer sentido. Vamos aguardar, sem muita ansiedade. 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não!!

Quando ele te bate não é porque se descontrolou e gosta de ti. É porque é mesquinho e cobarde e não gosta de si próprio. Nem de ti.

Quando ele chega a casa, te vê a braços com as arrumações, os jantares e o bebé e se senta no sofá, ele não gosta de ti. Cansaço nenhum no mundo justifica o 'careless', a indiferença ou a falta de noção que é não estar, de imediato a ajudar.

Quando ele critica o teu trabalho, ainda que não conheça ou domine o teu mundo, não são críticas construtivas: muitas vezes são apenas frustrações de não conseguir ser melhor.

Quando ele te ofende em frente às tuas amigas, ele não está a ser 'vriril'. Está somente a ser idiota. E cobarde, porque sabe que te fragiliza frente a elas.

Quando ele faz um escândalo porque sais com os teus amigos, porque tens jantares sem ele ou uma vida (!!!) que não o coloca no programa a toda a hora, não está a mostrar que gosta de ti. Está a mostrar que quer ser teu dono, que te tem como propriedade, que não confia e, muitas vezes, que ele sim, tem algo a esconder.

Quando ele não te coloca no topo da pirâmide das suas prioridades - e isso não significa fazer tudo contigo mas sim ter todo o cuidado do mundo para não te magoar - isso significa que não sabe gostar, e não que está a dar o se melhor.


O amor não quer possuir, quer dar. Não quer ser egoísta, não quer ter medos, não é invejoso. É sofredor, mas é benigno. Não é interesseiro, não se irrita e não suspeita.

Já dizia São Paulo, o amor "tudo crê, tudo espera, tudo suporta"...

[escrevi este texto em 2011. Continua a ser tudo verdade. Continua a ser preciso escrevê-lo]

terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Venham mais cinco..."

Uma das coisas mais giras que o meu trabalho me permite é sair, várias vezes, da minha secretária para viver o mundo que nos rodeia. Este final de semana andei a passear pelo Douro, um dos lugares mais bonitos de Portugal. Com pessoas tão mas tão divertidas, que quando cheguei a casa ainda me doíam os maxilares de tanto rir.

É, realmente, um privilégio conhecer pessoas que valem tanto. Que me fazem sorrir, que têm histórias para contar ou que vão à procura delas. Com quem estamos tranquilamente a beber um copo de vinho ou logo a seguir a fingir que sabemos vindimar. Esta foi só mais uma viagem das boas, em que voltamos de caderno e coração cheios. Este ano a vida trouxe-me pessoas muito muito especiais numa destas incursões pelo mundo lá fora. Que venham mais. Pessoas boas. Das que ficam.

Douro, Set 2015

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Regressar.

Durante as férias - e até mesmo durante os dias que as antecederam - tive mil ideias sobre assuntos dos quais queria falar no blogue. Mas a disposição, a vida, vai-se escoando e revolvendo e surpreendendo e de repente eu, que tenho sempre tanto para dizer e por norma mais ainda para escrever, não tenho coisa alguma.

Por isso, no dia em que voltei ao trabalho, só tenho mesmo a surpresa do regresso - que desta vez tem tanta coisa de diferente que isso terá que ficar para outro dia. O meu querido marido, que tanto gosta de mimo, hoje apanhou-me desprevenida e brindou-me com um ramo de flores pouco depois de me ter sentado à secretária. Com o cartão mais lindo de sempre. E é assim que nos vamos apaixonando e reapaixonando. 

Nunca tive a mesa tão bonita.

domingo, 16 de agosto de 2015

De mim para mim

O David tem imensos conselhos sábios para o seu futuro ele. Eu tenho um, apenas, para o meu futuro eu e espero que não me saia da memória: futuro eu, tens mesmo que arranjar mais tempo para ti. Ou para mim, no caso. Afinal, parece que és tão importante quanto qualquer uma das pessoas que te rodeia. Lembra-te disto. Obrigada.



 

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A vida que o não é

Alguém escrevia, no outro dia, numa das redes sociais, que o maior privilégio, actualmente, é viver coisas sem as mostrar. No recato das memórias que não passam pelas redes sociais. É um facto que me tem sido mais querido com o passar do tempo - e sim, até publico várias coisas nas redes sociais - e que comprovadamente faz mal às pessoas.

A felicidade mostrada nas fotografias, em textos incríveis, em devaneios vários, são tantas vezes mais espelho do que queríamos ter ou ser do que o que realmente somos. Cada vez mais dou por mim a olhar uma paisagem e não querer fotografá-la. A estar com amigos e a nem me lembrar de que o telefone com câmara existe. A estar. Só isso. E essas memórias, que não são partilhadas, transformam-se em coisas tão boas, tão maiores do que os efémeros frames que gostamos de partilhar com o mundo para mostrar a nossa vida absolutamente incrível. que limpamos de qualquer resquício de tristeza ou dificuldade.

No outro dia, no concerto de Caetano e Gilberto Gil, um dos mais bonitos a que assisti, ao olhar para a plateia, só se viam telefones. Telefones a gravar, a tirar fotografias, a fazer vídeos. Eu também fiz um vídeo, é certo. 30 segundos de imagens que gravei no telefone para enviar para a minha amiga-irmã quando os meus olhos se marejaram de lágrimas ao ouvi-los cantar uma música que nos diz tanto, a ambas. À nossa volta, várias pessoas não estiveram naquele concerto. Estavam lá, em  corpo, mas estavam nas redes sociais: a publicar fotos, a publicar vídeos, a tentar encontrar os amigos que também estavam no concerto.

E eu, enquanto olhava para elas, pensava no tempo que desperdiçamos sempre que não estamos num lugar. Estar, verdadeiramente. De tudo o que empenhamos em prol de mais uma fotografia que mostra como é incrível a nossa vida, o que podemos ter e o que podemos fazer.

Quem é que tira fotografias quando os canos dão problemas em casa? Ou quando estamos a tirar ervas daninhas do jardim? Ou quando o forno se avaria, a máquina não funciona e o frigorífico está vazio? Quando, sem glamour nenhum, limpamos a casa ou furamos paredes para a embelezar? Quando chegamos a casa num caco, nos enrolamos no sofá e queremos só que as lágrimas finalmente saltem para nos fazerem sentir melhor? Quem é que publica as tristezas e as dificuldades de uma vida que só é boa porque também tem coisas menos boas? Ninguém.

E isso torna-nos tontos. Torna-nos ignorantes, egoístas, sonhadores de uma realidade que nunca vai existir porque não é possível. E ao mesmo tempo torna-nos insatisfeitos, porque a nossa vida tem problemas de que ninguém sabe, porque a vida perfeita não tem problemas e logo não os podemos partilhar. E no limite, torna-nos infelizes, porque nunca conseguiremos atingir algo que é, por definição, inatingível...

A UniCamp, uma universidade brasileira, publicou recentemente uma infografia incrível sobre os problemas da geração em que me incluo - não me revejo em várias coisas, mas isso é mérito dos meus pais e de uma educação que, agora vejo, foi a melhor arma que me deram. Deixo-o aí em baixo para analisarem e para pensarem sobre o assunto. Se vos apetecer. A mim cada vez me apetece mais: pensar, ao invés de fazer. Ver, ao invés de registar. Estar, ao invés de mostrar.

https://demografiaunicamp.wordpress.com/2013/10/30/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes/

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Coisas que me transcendem #1

Chegar ao final do dia, ou ao fim-de-semana, estoirada e portanto mais calada que o normal - eu sei, é raro, mas acontece. Estarmos com amigos ou conhecidos e alguém dizer: "Estás com um ar cansado. Estás muito cansada?"

"Estou exausta. A Grécia não me tem deixado dormir muito", respondo, enquanto tento não pensar sobre todos os assuntos em que estive a trabalhar nesse dia ou nessa semana.

"Pois...então e a Grécia, achas que aquilo se safa?"

Pessoas queridas do meu coração, microalgas deste sistema solar: se eu acabei de responder que estou exausta, que passei o dia / a semana a escrever sobre a crise grega, o que vos faz acreditar que o que me apetece, em pleno período de descanso - que já não é longo - falar precisamente sobre trabalho? A sério!

[Eu percebo que gostem de perguntar. Mas respeitem quando um jornalista às vezes quer só ver os bonecos das revistar cor-de-rosa por não ter capacidade para mais].

Grata.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Procurar não ser infeliz

Depressões. Esgotamentos. Baixas. Demissões. Depressões. Esgotamentos. Baixas. Demissões.
Depressões. Esgotamentos. Baixas. Demissões. Depressões. Esgotamentos. Baixas. Demissões.

Sou só eu que tenho conhecimento de imensas pessoas que estão com esgotamentos, com depressões, que se demitem sem terem outro trabalho, que metem baixa porque não estão a aguentar mais o emprego que têm?

Sem me esforçar muito lembro-me da R., que se demitiu porque andava há meses a trabalhar com gente que a desrespeitava, a odiar o trabalho, a sentir que o que estava a fazer deixara de fazer sentido, porque não a preenchia. E que quando entregou a carta de demissão, ainda se fizeram ofendidos porque a consideraram uma mal agradecida. Depois, a M., que trabalhava há vários anos numa empresa [alegadamente] incrível, mas em cujos valores não se revia, que acumulou episódios dignos de uma investigação criminal e que decidiu que a sua sanidade mental valia mais do que aquilo.

A F., que já está de baixa porque a três meses do fim da gravidez continuavam a mandá-la trabalhar em modo maratona, a fazer viagens absolutamente inacreditáveis para o estado em que se encontrava e cujo bebé deixou de crescer à conta do stress. A F., que esteve de baixa um mês – e que agora vai estar outro – porque não conseguia continuar a ir para um lugar onde tinha ataques de pânico, onde o respeito pelas pessoas era absolutamente esquecido e cujo acompanhamento dos responsáveis é preocupação que não consta das folhas de serviço.

No início do ano a M. demitiu-se, também porque já não conseguia trabalhar com pessoas que exigiam imenso e davam muito pouco. Sem ter um plano B, sofreu um bocadinho mas agora é uma pessoa muito mais feliz com um trabalho onde é valorizada, onde o respeito é uma constante e onde não sente que vá explodir a cada dia que passa.

É rara a pessoa com quem falo que me diga que se sente verdadeiramente feliz com o trabalho. E não é uma questão de ter problemas, que isso há em todos os lugares, em todos os empregos. É estrutural. A pessoa não está feliz em nenhum momento do dia, está sempre de trombas, sente-se triste, não acorda com vontade de trabalhar, sente que “é só um trabalho”.

Como diz o Hugo no vídeo que partilhei aí em baixo –e que pôs a pensar nisto – os melhores profissionais são aqueles que acordam todos os dias para trabalhar com a mesma sensação de paixão que têm pela pessoa de quem gostam: entusiasmados, felizes, com força e vontade de ir mesmo que o cansaço acumule. Que movem montanhas para ser melhores profissionais, que relativizam os problemas mesmo quando há muitos – que há. 
Sempre.

Se actualmente temos tanta gente de baixa, com depressões, com esgotamentos, com doenças várias que têm como única causa o stress, o medo de ir trabalhar, o desalento com o que fazem durante mais de 8 horas por dia, não está aqui algo muito errado? I mean, muito muito errado? Que raio de sociedade, de mundo é este que faz com que andemos todos atrás de algo que não sabemos exactamente o que é mas que nos deixa infelizes?

E por que falha a coragem para fazer diferente, para arriscar, para fazer valer aquilo que achamos que é o correcto? Porque perdemos dinheiro? Porque agora é mais importante ter o último iPhone do que ter a cabeça descansada, a consciência tranquila? Por que raio nos rebaixamos ao que os outros, ao que o mundo diz que é o que deve ser, em vez de procurarmos, simplesmente, não ser infelizes? Nem estou a falar de sermos felizes – sei lá eu o que é a felicidade – mas de não sermos infelizes. De não nos andarmos a encher de anti-depressivos, de calmantes, de ideias feitas que, afinal, não parecem ser assim tão boas se nos deixam tão miseráveis enquanto ser humano.


De que andamos nós à procura? Que mundo, que pessoas somos nós, infelizes, abatidas, deprimidas, desmotivadas com a vida? De que futuro infeliz andamos à procura? Alguém me diga, por favor. Porque a mim não me parece normal. Parece-me, aliás, totalmente insano e desprovido da inteligência que todos apregoamos ter.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Humans will prevail :)

Em Maio passado o Hugo veio ao Porto. O querido Hugo, de quem tenho a honra de ser amiga, é uma verdadeira inspiração para mim, e para um monte de gente por esse mundo fora. Só na semana passada tive oportunidade de ouvir a palestra que ele deu no TEDx Porto, naquele sotaque paulistanó-portuense que só ele tem e que já ninguém lhe tira.

Em bom português - sim, com direito a palavrões e tudo - o Hugo explica a diferença entre ser apaixonado pelo que se faz e trabalhar porque sim. E mostra como isso se reflecte no resultado final. São 15 minutos que valem a pena. Eu, se fosse a vós, punha os fones e desligava o telefone por um bocadinho.

 

terça-feira, 21 de julho de 2015

Do que mais me custa

O que me custa mais, quando chega o Verão, não é esperar até às férias. Não é, sequer, os finais de semana em que fico a trabalhar ao invés de ir para a praia como 90% das pessoas deste país, e terminar os Domingos a ver o por-do-sol - perdão, sunset - numa esplanada com vista para o mar e direito a centenas de fotos.

O que me custa mais, quando chega o Verão e o trabalho não abranda - a silly season já era, mesmo que haja quem ache o contrário - é sair tarde. Tarde já de noite, e olhem que a noite chega tarde no Verão. O que me custa é sair tarde já de noite e falhar todos os copos de final de dia com os amigos, numa qualquer esplanada lisboeta, a ver a luz que só esta cidade nos dá.

O que me custa é não ter tempo para chegar a casa e ter vontade (sim, isso mesmo: não tenho tempo para ter vontade) de beber um copo de vinho branco enquanto faço o jantar, ou de partilharmos um gin e as história do dia com o calorzinho do final de dia. Mesmo que fiquemos sem jantar.

O que me custa é falhar consecutivamente jantares e almoços, quando toda a gente faz questão de mostrar - ainda por cima - incríveis refeições e cocktails em todas as redes sociais. Custa-me a falta que me faz estar com as pessoas. Custa-me não ter tempo para pensar, para parar, para estar, para ser mais do que tenho sido.

Por outro lado, há coisas maravilhosas que vão acontecendo durante esses minutos que correm, voam enquanto eu mal respiro. E essas coisas boas fazem esquecer as que me custam mais. E agarro-me a elas como se fossem tudo o que interessa para ver se, no final do dia, "mi sonrisa es mas fuerte que mi dolor".

Ps. Foi isso que fiz, por exemplo, durante os minutos em que vim aqui escrever isto, enquanto esperava que me editassem. Minutos que roubei a horas loucas de trabalho e de coisas. E que bons foram eles.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

Peregrino(s)

"Passo a passo, no caminho
passo a passo, no caminho
Fundem-se no espaço, o cansaço e o peregrino"

[repetido, baixinho, com a melodia de há tantos anos. Uma ajuda preciosa nos dias que parecem nunca ter fim e que se vão repetindo até ao infinito]

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Traição

É hora de assumir: nas últimas semanas ando a trair toda a gente com as mesmas duas - ou dez - pessoas. Alexis Tsipras, aquele pedaço de mau caminho, e Yanis Varoufakis, o galã da Burberrys (not) têm-me tirado horas de sono, horas de casa, horas de amigos.

Passei vários dias seguidos sem jantar com o João porque tive que jantar com eles - na verdade, passei a hora do jantar com eles, mas não me lembro de haver uma refeição. Houve reuniões. Declarações. Decisões. Referendos. Dramas. Picardias. Mais reuniões. Mais textos. Mais dramas.

Hoje calhou-me a mim acordar de madrugada para ver se os mercados acordavam a dizer OXI à Grécia. Eu preciso de pelo menos 10 minutos para acordar. E mesmo assim, sendo madrugada, sabemos que pode demorar mais. Assim que acordei vi que o Varoufakis se tinha demitido. Nem tive tempo para me espreguiçar. Passaram duas horas. Estou finalmente a beber um leite com café, e a escrever este texto. Enquanto os líderes reúnem em Atenas, a Merkel arranca cabelos em Berlim e o Eurogrupo ainda não acordou.

Temo continuar a trair as pessoas durante os próximos dias. Passei a ser menos judgmental. Afinal, toda a gente trai. Raios.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Cheesy is my middle name

Eu tenho gostos muito duvidosos, muitas vezes. Ouvi esta música, cuja composição remonta a 1993, no tempo em que ainda existia Chuva de Estrelas  - não vamos fazer as contas. Não sei porquê, ficou-me gravada na memória durante anos e anos. Sei a letra de cor, mesmo que nunca a oiça (lembro-me dela de vez em quando e lá vou à procura para recordar os acordes). No outro dia passou na M80, ao final do dia, e eu parecia uma criança a quem deram um doce.

Não sei se é da melodia - canções que metam pianada têm esse efeito sobre mim. É lembrar de como às vezes consigo ouvir Garou durante mais de quatro canções seguidas -, se é da letra, se é da voz do senhor. A verdade é que acho que todos nós temos um(a) Jess(ie) nas nossas vidas, e por isso esta música é sempre boa. Mesmo que seja pirosinha. Cheesy. Mas well, cheesy é o meu nome do meio, portanto, é ouvir só mais uma vez :)

PS. E acreditem, o Joshua está muito melhor neste vídeo que nos primeiros que fez com esta música. Nossa!



segunda-feira, 22 de junho de 2015

O que se pode querer mais do que uma porta?

Quando fomos a Marraquexe, no mês passado, fiquei apaixonada pelas portas. Pelo formato, as cores, as possibilidades infinitas que uma porta pode dar, durante a vida. As portas sempre me fizeram sonhar: pela barreira que representam, pelo que pode estar escondido por detrás, pelo desafio da incerteza, pela surpresa do que escondem.

Marraquexe tem portas absolutamente incríveis, estranhas, coloridas, velhas, novas, abertas e fechadas. Como a vida. Que às vezes nos escancara portas, outras vezes as fecha, outras vezes as deixa lá para que as vejamos mais tarde, às vezes abre só pela metade e outras vezes ainda as ilumina, para que saibamos que lá está em caso de emergência.

Gosto de portas. Dão-me a segurança de as poder fechar por dentro protegendo-me das intempéries, ao mesmo tempo que me permitem abri-las para poder explorar o mundo e gritar, aos sete ventos: Life is full of possibilities.

As portas são sinal de coisas boas. Não tenho dúvidas nenhumas sobre isso. E hoje sinto-me optimista - é verdade que me sinto optimista quase todos os dias, eu sei. Mas hoje sinto, verdadeiramente, que às vezes temos só que saber que portas queremos abrir e que portas devemos deixar fechar para que a vida seja aquilo que queremos. E a decisão de ficar do lado de cá ou de lá da porta é só nossa. Há coisa melhor que essa?

Uma das portas da nossa Riad

A porta mais linda, no jardim Yves Saint-Laurent

Este verde-água nos Jardins da Menara

Palácio El-Badi

Portas a cadeado

Porta na medersa Ben Youssef

As portas de Essaouira

Porta mariquinhas

sexta-feira, 19 de junho de 2015

De quem importa

É um privilégio fazer isto que eu faço: contar histórias de pessoas incríveis, que passeiam por esse mundo e que de outro modo não conheceria e não podia dar a conhecer.

Claro que também há as histórias do dia-a-dia, daquelas que toda a gente acompanha: os dramas de Ricardo Salgado, a loucura da Grécia, os resultados dos bancos, os negócios, os crimes, a prisão de Sócrates. E essas histórias são incríveis, porque aí sentimos que mexemos com o poder.

Mas mostrar ao mundo pessoas desconhecidas, encontrar as histórias que valem a pena contar e a quem não se dá tanta atenção.. essas enchem-me o coração e a alma. Mesmo que não tenham impacto, mesmo que não dêem para escrever livros, para aparecer na televisão, para ser premiada com Pulitzers. Até não serão as histórias que dá para vender, acredito.

Mas são, também, estas histórias que me fazem acreditar nisto que faço. No trabalho louco todos os dias. Na importância que podemos ter na vida das pessoas, todos os dias. E isso, essa gratidão, esse coração cheio, é coisa que me faz gostar disto pela vida fora. Com tudo o que isso tem de fácil e sobretudo com tudo o que tem de [tão difícil].


quinta-feira, 18 de junho de 2015

As armas do bem

A conversa surgiu por duas vezes, esta semana, com amigas diferentes: de quanto vale o bem? Nós acreditamos - nós, eu e as pessoas que felizmente me rodeiam - que vale imenso. Muito mais do que o materialmente mensurável. No entanto, é um valor que demora também muito mais a chegar.

Ser bom, ser leal, ser justo, ser verdadeiro, ser correcto. Coisas que vêm de casa, que aprendi de pequenina, que aprendemos, todos aqueles que somos do bem, parecem todos os dias dispersar-se na espuma do materialismo, do ter, do parecer, do querer ser mais do que os outros. Tiram-se tapetes, espetam-se facas nas costas, usa-se o cinismo como modo de estar e a falta de espinha dorsal como modo de vida.

Vende-se a alma em troca de bens que consideramos essenciais e deixa-se para trás, sem se dar conta - ou dando-se - as coisas que realmente importam: a verdade, a rectidão, o bem. A minha amiga-irmã diz e repete, muito sabiamente: de todas as vezes que não lutamos contra o mal, estamos também a fazê-lo. Ele existe e aumenta na ausência do bem. De cada vez que se escolhe a cobardia, que se escolhe a dança das cadeiras, que se escolhe os interesses em vez do próximo, que se fecha o coração à disponibilidade total para acolher o que a vida pede, verdadeiramente, estamos a deixar que o mal ganhe.

O mal com todas as suas tentações ridículas que nos não aquecerão o coração no final do dia. Que não acalmarão os fantasmas e que não ajudarão a um sono descansado. Por isso, todos os dias me visto com as armas de Jorge e tento ser bem. Fazer bem. Mesmo que isso pareça não valer a pena. Mesmo que sintamos que tudo vai para quem faz e é o mal. Todos os dias ser e fazer o bem é dormir quente, tranquila, na certeza de que sabemos escolher as energias certas para a vida.


quarta-feira, 3 de junho de 2015

Maio das estranhezas. Junho das incertezas

Que estranho foi este mês de Maio. Tantas coisas a acontecer, ao mesmo tempo, tão pouco tempo para as assimilar, para pensar sobre elas. Que estranhos foram os dias cheios de informação e ao mesmo tempo cheios de incertezas e de desinformação. Que estranhos têm sido estes tempos que parecem trazer tudo de bom e ao mesmo tempo tanto por saber.

Que estranho foi este mês de Maio, na mesma proporção em que foi incrível. Que venha Junho, menos estranho, menos intenso, mais quente, mais doce.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Riqueza, riqueza

As pessoas que nos aparecem na vida, que nos cruzam o caminho são, na realidade a maior riqueza. As que ficam, as que se empenham, as que nos surpreendem e nos fazem querer ser mais, estar mais, ser melhores.

E Lisboa lá ao fundo. Abril 2015
Nos últimos meses, neste regresso à única vida que poderia ser a minha, tenho tido tantas boas surpresas que o meu coração receia explodir de gratidão pelas pessoas que me têm cruzado o caminho. Sobretudo aquelas que nem conhecia, de quem não esperava coisa alguma. Essas sim, têm sido o meu aumento salarial, o meu salário-satisfação, um dos grandes motivos dos meus sorrisos.

As pessoas são o que de melhor temos na vida. Os nossos amigos. Aqueles sem os quais não éramos coisa alguma. Porque não importa quanto a vida nos dificulte o caminho, com as pessoas certas, os sorrisos certos, as energias certas, somos invencíveis.

De verdade.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

It's Vegas!, baby!

Passaram seis dias e pareceram doze. Para o bem e para o mal. Porque foram corridos, sem tempo para dormir, com muito cansaço acumulado. Mas na mesma proporção, as gargalhadas, as surpresas e o divertimento.

Passaram seis dias e pareceram doze. E que bons doze dias teriam sido, se não tivessem sido apenas seis.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Meu salário satisfação, meus amores

Quando o Brasil me chega, o meu coração fica inevitavelmente mais quente. E quando chegam, do meu país-amor, do qual tenho umas saudades daquelas que chegam a doer, os melhores presentes que posso esperar, o meu coração aquece de tal forma que parece que vai explodir.

Ao longo dos anos elas nunca deixaram que o oceano se interpusesse entre nós. Elas, lá, juntas em Gotham City, a enfrentar os desafios em grupo. Elas, a poder partilhar sorrisos e lágrimas, apartamentos, chopes, baladas e confidencias. E eu, a "portuguesa mais brasileira da história", disse uma vez Paco Sanchéz, a acompanhar ao longe.


A internet e o coração destas miúdas - e da ruiva que está num outro continente a cumprir sonhos para os quais tanto trabalhou - nunca deixaram que me sentisse longe. São jornalistas incríveis, pessoas maravilhosas, amigas de coração que queremos ter para sempre na vida, porque fazem a diferença, mesmo que nos vejamos menos do que gostaríamos. De repente, quando elas chegam, tudo volta ao que era. Sem voltar, porque afinal são demasiados anos.

Ontem foi o dia da Giu. A minha amiga, confidente, madrinha, meu mais elevado salário satisfação que há meses tem feito a minha vida mais cheia, porque escolheu Lisboa para ser feliz. Pelo menos até daqui a uns meses. E de repente o Brasil em peso chegou, cheio daquele calor que só de lá vem, e encheu o meu coração na paisagem mais lisboeta de sempre. Se isto não é motivo de agradecimento na vida, não sei o que será.

Obrigada, meninas.
Foto roubada descaradamente à doce Mari

quarta-feira, 29 de abril de 2015

La Closerie des mes rêves



Assim que soube que o meu presente de aniversário eram uns dias na cidade da luz, obviamente comecei a pensar no qeu mais interessava: onde é que iríamos jantar no grande dia? Pois que li, reli, procurei e nada. Até que recorri ao único livro ao qual devia ter recorrido assim que soube: A Parisiense, da Inês de La Fressange. A senhora não só é um ícone como põe a maior parte das ditas fashionistas de hoje em dia a um cantinho escondido quando se fala de classe.

Mas adiante. Depois de ler e reler e verificar, houve um sítio que me ficou a martelar no cérebro assim que vi a recomendação dela. La Closeria des Lilas. Uma brasserie francesa à séria, com tudo aquilo a que temos direito num aniversário: um antendimento incrível, um bairro lindo (Montparnasse), comida irrepreensível e um senhor a tocar piano durante todo o jantar.

Paris, 2015
Não fizemos reserva – eu sei, viver perigosamente – mas não foi um problema. Como o espaço tem restaurante (estupidamente caro) e brasserie, tem bastantes lugares e não tivemos problema nenhum em conseguir uma mesa bema gradável com vista para o ‘piano man’.
 
Por esta brasserie já passaram pessoas como Hemingway, Freddy Kruger, Paul Fort entre outros. E a casa decidiu fazer uma coisa bem divertida, que é dar-nos como individuais folhas de papel onde estão impressas as opiniões de cada um destes ilustres. Eu, como tenho a mania de que sou espetacular, fiz a minha própria dedicatória junto da destes senhores, no final de um jantar incrível.

Paris 2015
 Dificilmente teria encontrado um lugar melhor para celebrar. O espaço tinha a minha cara – um piano bar, boa comida, só locais a jantar com a família, uma boa carta de vinhos e um ambiente parisiense e tranquilo. 
A-d-o-r-e-i.

Imagem retirada da internet


Imagem retirada da Internet

E se eu já gostava da Inês de La Fressange, passei a ficar apaixonada por ela: era exatamente tudo como ela tinha descrito. 

Se gostam de Paris, se gostam de moda, se gostam de coisas bonitas, aconselho-vos vivamente a acompanhar a Newsletter semanal desta senhora. É tão bonita e tem tanta qualidade que faz lindamente à alma. E aos olhos.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Eu acredito. Verdadeiramente.



Há muito tempo – desde que comecei nesta vida – que me apercebo de uma coisa que sempre esperei que passasse: a displicência, o desprezo com que os jornalistas olham para a profissão.
Por norma, está tudo errado: os piores horários, o pior salário, o pior ritmo de vida, os elevados níveis de stress, a falta de estabilidade… Ainda esta semana saiu uma notícia sobre o facto de um jornalista norte-americano, galardoado com um Pulitzer, ter abandonado as redacções porque não tinha dinheiro para pagar a renda da casa. Toda a gente veio gritar: o jornalismo é mesmo assim.

Ontem, num grupo para jornalistas que existe no Facebook, uma recém-licenciada perguntou como poderia arranjar um estágio remunerado.
“Nunca vais conseguir, a menos que seja gratuito”.
“Não sejas jornalista”
“Se falas duas línguas põe-te a andar de Portugal”
“Para que é que tiraste esse curso? Ser jornalista é uma m*rda”

As respostas não foram exactamente estas, mas era precisamente isto que cada uma queria dizer. E eu fiquei a olhar para aquilo, enojada, a pensar: porquê? A sério, porquê? Quando entrei para jornalismo – depois de ter deixado para trás a minha linda ideia de ser actriz – o meu pai também estava preocupado. Contava com uma filha médica ou engenheira. Algo que desse dinheiro, estabilidade e algum estatuto. Mas disse-me: “se te faz feliz, faz-te à vida”.´

E eu fiz. Só que desde que aqui cheguei – sobretudo em Portugal – todos os que estão à minha volta parecem não gostar do que fazem. Contam-se pelos dedos das mãos as pessoas que conheço que realmente gostam disto e que têm os queixumes normais de um trabalhador (a falta de tempo, o salário, o cansaço, os chefes).

Porque é que as pessoas teimam em achar sempre que a nossa classe é a pior? Que toda a gente nos odeia? Que o nosso salário é o pior, que a nossa vida é mais horrível. Que o que fazemos é ridículo? Que não faz sentido? Que não vale a pena ser jornalista. Aliás, porque desencorajamos nós pessoas a seguir este caminho se ele é o nosso? E se o odeiam assim tanto, porque não o deixam e dão lugar a outros que ainda acreditem? Quando é que o jornalismo deixou de ser importante, relevante e a classe se tornou um monte de gente mal disposta, azeda, de mal com a vida e o mundo?

Um conhecido e respeitado pensador da nossa praça, com quem tive a honra e o prazer de trabalhar, disse-me uma vez: “a sua profissão é a mais bonita do mundo. Vá fazer o que a faz feliz”.

Eu, na minha ingenuidade infantil, acredito mesmo nisso. Que podemos mudar o mundo. Acredito quando leio uma notícia da Marta, através da qual conseguiu ajudar uma família a manter a casa que ia perder por causa das Finanças. Acredito quando leio uma notícia da Sílvia que fez com que uma miúda que foi violada recuperasse a dignidade com a ajuda de todos. Acredito quando leio os jornais do mundo inteiro a falar dos emigrantes que naufragam e obrigam a Europa a reuniões de emergência. Acredito quando vejo reportagens sobre urgências hospitalares que obrigam a acções. Acredito, até, quando recebo emails ou cartas de leitores a dizer que leram, que viram, que lhes tocou algum trabalho em particular.

Acredito que mesmo sendo passos muito pequenos, as pessoas que fazem o que fazemos, ajudam 
mesmo a mudar o mundo. Acredito no valor das notícias, na importância que temos na sociedade. Acredito e sinto-me absolutamente responsável por tantas coisas que acontecem e para as quais não nos dignamos a olhar. Acredito quando falhamos e quando acertamos.

E portanto não consigo embarcar na carneirada que diz que “ser jornalista não vale a pena”. Que é uma vida “de tanga”. Que “ninguém devia escolher ser jornalista”. Não consigo embarcar na carneirada que não é feliz a fazer algo que, humildemente, acredito ser verdadeiramente importante.
E tenho pena, mas uma pena que me aperta o coração, de que quem me rodeia não veja isto da mesma forma [talvez] ingénua e [talvez] infantil como eu vejo. Seríamos todos muito mais felizes e sobretudo, muito melhores jornalistas.
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